Com a abertura de inúmeras lojas nas principais cidades e vilas de Portugal os chineses estão a tomar conta da economia portuguesa e a ajudar a cavar mais fundo a sepultura do chamado comércio tradicional. Não vem aí nenhuma tempestade; vem aí uma morte anunciada para muitos comerciantes que se mantêm impávidos e serenos à espera que a conta bancária dê o berro para depois chorarem o que já não tem remédio.
Depois de constatar mais uma vez que o Natal em Portugal fala cada vez mais a língua chinesa fui alertado repetidas vezes para a notícia de que no Entroncamento corre o boato que na cave de uma dessas conhecidas lojas alguém foi vítima de um acto criminoso relacionado com o tráfico de órgãos humanos.
A gente sabe que neste mundo nada é impossível e que o crime espreita a cada esquina. Mas eu tenho a prova do boato: das cinco ou seis vezes em que diversas pessoas, bem informadas, me fizeram chegar a notícia a cidade era sempre diferente. Começou no Entroncamento mas depois já era em Torres Novas e, por último o caso tinha data recente e passava-se numa loja no centro da cidade de Santarém.
Cuidado com os chineses que não só vendem pais natal de plástico a um euro como já fabricam Ferraris e alta tecnologia roubada no dia a seguir ao seu anúncio em Nova Iorque. Mas não exageremos: o tráfico de órgãos humanos não é coisa que se faça numa dependência de uma loja do centro de uma cidade como o Entroncamento, Santarém ou Torres Novas. Apesar de tanto uma como as outras serem terras de grandes e estranhos fenómenos.
quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
A lei da selva
Ter um cão tornou-se mais uma das muitas modas da sociedade urbana contemporânea. Não sei como é viver com um animal (ou mais) entre quatro paredes. Gostos são gostos e cada um que alimente os seus. Mas já me incomoda ver no espaço público, que é de todos, um doberman, um boxeur ou um pitbull à solta. Sem trela nem açaime. Deixando qualquer criança ou idoso à mercê do seu livre e irracional arbítrio com a cumplicidade dos seus donos. Histórias como a do menino de Salvaterra infelizmente são recorrentes. E podiam muito bem ser evitadas.Uma criança residente no concelho de Salvaterra de Magos esteve às portas da morte após ser atacada pelo cão de uns vizinhos. Um eventual descuido terá permitido ao pastor alemão fazer o que fez. Pode ter sido um azar. Mas de tragédias destas ninguém está livre nas ruas das nossas vilas e cidades. A impunidade reina nesta selva sem lei nem roque. A legislação obriga à utilização de açaimes e de trela quando se passeiam os animais na via pública. Os dedos de uma mão chegam e sobram para contar os exemplos de cumprimento com que me deparei até hoje.
Das duas uma: ou os donos não conhecem a legislação (nem a querem conhecer) ou simplesmente ignoram-na. E que fazem as distintas entidades com competências de fiscalização nessa área, como as câmaras municipais e as autoridades policiais? Pura e simplesmente ignoram. Assobiam para o lado. Fingem que não vêem. São tão irresponsáveis como os proprietários dos animais. E a conversa da treta do costume, de que não há pessoal, para mim não colhe. Toda a gente sabe onde se podem encontrar infractores e a que horas do dia. Comecem a aplicar a lei e vão ver que as coisas mudam.
quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
254 palavras
Esta crónica tem 254 palavras. Se a conseguir manter semanalmente neste espaço durante os próximos tempos não posso nem devo ultrapassar as 254 palavras. Não é fácil dar uma opinião sobre a nossa terra e as suas gentes em tão poucas palavras. Há assuntos que devo tratar aqui para os quais 254 palavras serão muito pouco. Corro o risco de demorar mais tempo a escrever esta crónica do que a trabalhar um texto de uma grande entrevista ou de uma reportagem. Também por que não posso, com o pretexto de que o espaço é limitado, deixar no computador as ideias que completam o meu pensamento. Desde que decidi tomar conta deste espaço que tenho a convicção que me meti numa carga de trabalhos. Mas quem não arrisca não petisca. E 254 palavras para falar semanalmente de um assunto que me interessa, e pode interessar aos leitores de O MIRANTE, não é nada para quem já aceitou tantos desafios e ganhou a maioria deles.
Como não posso contar em 254 palavras a notícia sobre o concurso público que a Resitejo promoveu, para a construção de uma central de valorização orgânica na zona do aterro sanitário da Carregueira, na Chamusca, desafio os leitores a lerem o trabalho publicado nesta edição, assinado pelo jornalista António Palmeiro, e convido a reflectirem sobre o que está em causa nestes concursos públicos em que, às vezes, as menores diferenças nos cadernos de encargos podem justificar a entrega da obra a quem apresenta o orçamento mais caro. Sem mais palavras.
Como não posso contar em 254 palavras a notícia sobre o concurso público que a Resitejo promoveu, para a construção de uma central de valorização orgânica na zona do aterro sanitário da Carregueira, na Chamusca, desafio os leitores a lerem o trabalho publicado nesta edição, assinado pelo jornalista António Palmeiro, e convido a reflectirem sobre o que está em causa nestes concursos públicos em que, às vezes, as menores diferenças nos cadernos de encargos podem justificar a entrega da obra a quem apresenta o orçamento mais caro. Sem mais palavras.
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