quinta-feira, 5 de março de 2015

Lídia Jorge é uma descamisada

Há escritores que me fascinam. Lídia Jorge é um deles. Gosto da autora de O Dia dos Prodígios pela originalidade da sua escrita e pela coerência da sua voz. É dos grandes escritores portugueses vivos que não aceita fretes dos jornais ou das revistas para dizer banalidades como esses escritores da moda analfabetos que devem a venda dos seus livros à propaganda enganadora. No dia em que a autora de O Vale da Paixão esteve em Vila Franca de Xira andei por outros caminhos onde me cruzei com a última edição da Colóquio Letras onde Lídia Jorge fala em entrevista com a jornalista Ana Marques Gastão. Fica aqui um resumo de uma conversa no papel que a meio da tarde me encheu a alma.
“Sinto esperança no colectivo, que nunca me é abstracto. Nesse aspecto pertenço ao grupo dos prostitutos da esperança ( : ) Acho que sou uma pessoa de combate.
Existem degraus imprecisos onde todos os homens se sentam. Por alguma coisa escolhi para epígrafe de um dos meu livros os versos de Dylan Thomas que falam dessa simbiose entre o carrasco e o inocente. “ Eu não tenho jeito para dizer ao homem enforcado/ Como da minha argila é feito o lodo do carrasco”.
Eu não aspiro à paz. Ela não é deste mundo. A menos que nos refiramos ao intervalo de sossego que acontece entre o desassossego. Aí sim, a paz transforma-se num armistício prolongado (:).
É preciso dizer que a felicidade existe. Experimenta-se e é objetiva. Mas não é narrável. Já a infelicidade é narrável (:).
Sei que sou uma caçadora atrás de uma presa inalcançável (:) Quando inicio um livro sou uma descamisada.
Os anos passam, a sociedade moderniza-se, e no entanto continua a existir um país indolente e amedrontado, que não se expressa. Um país que não encontra os gestos certos para acenar na rua, nem a voz própria para dizer o que lhe vai na alma (:) não deixa de ser extraordinário como somos ainda uma sociedade que voltou a ter um medo salazarista quando culturalmente nos tornamos cosmopolitas e modernos (:).
Quero entregar ao leitor o melhor texto possível. Como uma prenda fechada. Por isso ele não me é indiferente, nem está ausente, mas não cedo, nem concedo, porque o respeito. Quero que o nosso jogo seja limpo (:) se não nos entendemos paciência (:) Entre escritor e leitor o texto não é negociável”. JAE

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Uma grande maioria

Num texto de apresentação de um livro chamado “O Bordel das Musas”, João Cutileiro conta que “há pouco mais de 150 anos, na Praça do Giraldo, havia autos de fé e execuções com palco e tudo. Ainda hoje se pode ver que do palco dos Condes de Murça sai uma plataforma de ferro adossada à igreja de Santo Antão (onde meus pais casaram) para que os então nobres e os seus amigos tivessem regalias de primeiro balcão: )”. Só em 1957 um editor francês conseguiu publicar, sem correr o risco de ser preso, os primeiros livros do Marquês de Sade, esse sublime energúmeno que recentemente fez furor em Paris numa exposição no Museu d´Orsay 200 anos depois da sua morte.  A instituição da Inquisição persistiu até ao início do século XIX. O filósofo alemão Theodor Adorno perguntou, em 1949, se era possível escrever poesia depois de Auschwitz.
Tomei algumas notas que ficaram esquecidas no computador e recupero-as agora para dizer como Ortega y Gasset nas suas Meditações do Quixote: Cada dia menos me interessa sentenciar; a ser juiz das coisas vou preferindo ser seu amante”.
Falar é fácil. Escrever é um pouco mais difícil mas facilita-se falando para o gravador e depois mandando transcrever. Quem anda na faina como nós sabe que ainda há muita gente por aí com comportamentos e mentalidades dos tempos de antanho. Os banqueiros aproveitam-se dos políticos, e os políticos aproveitam-se dos banqueiros, e o mundo continua a ser sustentado por uma grande maioria que trabalha todos os dias de sol a sol. A minoria, esses excelsos energúmenos que regra geral são banqueiros ou donos de grandes empresas, são o próprio sol e só descansam quando a noite cai e engolem a lua. JAE

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O encontro do século em Vila Franca de Xira

À mesma hora em que se discutia matemática e poesia no Museu do Neo-Realismo, com Eugénio Lisboa, o toureiro José Júlio era alvo de uma festa de homenagem no dia dos seus 80 anos.
Uma boa parte dos homens dos touros são iletrados. Sabem quem foi Ernest Hemingway e Pablo Picasso, por razões especiais, mas não pescam nada sobre poesia ou literatura ou pintura, para falarmos apenas das artes mais convencionais. Se falarmos de alguns empresários, repito, de alguns empresários, iletrados é uma palavra elogiosa. De verdade são uns pequenos trafulhas.
Teria sido uma boa “tourada” juntar as duas iniciativas e enquanto Eugénio Lisboa falava da escola pitagórica, da beleza dos tetrassílabos nos versos de João de Deus ou de Henrique Segurado, dos matemáticos poetas como Paul Valery ou Mira Fernandes, ao mesmo tempo José Júlio pudesse falar dos seus passes de mágico com o capote, da forma como o sangue circula nas veias de um toureiro quando olha de peito descoberto os cornos afiados de um toiro, da arte de mostrar no chão da arena aquilo que um poeta ou matemático deixa escrito no papel.
Juntar Eugénio Lisboa e José Júlio a meio da tarde, em Vila Franca de Xira, para falarem de poesia, matemática e touradas, seria certamente o encontro e o acontecimento do século à beira Tejo em terras lusas. Certamente que seria uma grande honra para todos menos para aqueles que vivem com a alma e os olhos no passado e passam a vida na gosma, de língua afiada a pedirem estátuas e nomes de ruas aos políticos, quando não é o caso de exigirem que a cidade acorde todos os dias de manhã curvada e rendida aos génios da má-língua. JAE

Comentário à noticia: http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=690&id=106809&idSeccao=12323&Action=noticia#.VNosPvmsXh4

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

As Flores do Mal


Fernando Pessoa não pertence à lista dos poetas que Witold Gombrowicz zurziu num manifesto lido em 1957 em Buenos Aires perante uma plateia de intelectuais que, revoltados, o obrigaram a fugir a sete pés. Falando da criação em poesia como de um "extracto farmacêutico", Gombrowicz acusa os poetas modernos de "escreverem para eles próprios, para a sua própria fruição estética, se bem que, ao mesmo tempo, façam tudo e mais alguma coisa com vista a publicarem as suas obras". "Os poetas escrevem para os poetas. Os poetas cobrem-se mutuamente de louvores e prestam mutuamente homenagens uns aos outros". Sobem "uns para as costas dos outros", acusa Witold Gombrowicz que diz ainda que "os poetas profissionais são como seres que não se exprimem porque exprimem versos".

O autor do manifesto "Contra a Poesia" não conheceu Fernando Pessoa nem o seu drama em vida. Se tivesse conhecido talvez não tivesse publicado este manifesto sem ter escrito, nem que fosse em rodapé, que Fernando Pessoa foi o único grande poeta moderno que escreveu uma Obra maior que a sua vida e a sua vaidade, e que fez questão de a deixar quase inteira numa arca, como se deixam as antiguidades aos herdeiros sabujos.

"Pertenço a um género de Portugueses/Que depois de estar a Índia descoberta/Ficaram sem trabalho" ( : ). Eis Pessoa no seu melhor, num livro concebido como Obra de Arte, desde logo por ostentar uma capa em madeira, nada a fingir, trabalho bem feito que irá ter seguidores, certamente, e trabalho gráfico incomum na paginação de poemas e textos que nas palavras de Manuel S. Fonseca, o editor, "bebem absinto e vinho louro e tanto fumam ópio como deitam fora um cigarro meio fumado".

Ao lermos textos tão importantes da Obra de Pessoa e dos seus heterónimos, em que "o poeta se funde fisicamente com as suas drogas" lembrámos-nos de Witold Gombrowicz e da sua critica à poesia moderna considerando-a como "extracto farmacêutico". Aparentemente não há nada que ligue estas duas realidades assim como as 51 fotos de Pedro Norton que ilustram o livro não têm qualquer ligação aos textos do poeta que preferia "pensar em fumar ópio a fumá-lo/e achava mais seu olhar para o absinto a beber que bebê-lo..."No entanto as fotos falam com os poemas e dos poemas da mesma forma que Witold Gombrowicz assume logo no início do seu manifesto que "quase ninguém gosta de versos e o mundo dos versos é fictício e falso".

Pedro Norton fotografa para dizer também que a fotografia é uma arte que precisa de ser reinventada. A sola do sapato em confronto com o movimento desfocado dos pés, o fundo branco da maioria das fotos e a quase ausência de rostos, fazem deste conjunto de fotografias um bom exercício para que outro Witold Gombrowicz venha dizer que já nada era como no tempo em que Gerard Castelo-Lopes ficava dez minutos a focar a sua objectiva antes de disparar a velha Kodak e nascer uma foto quase perfeita.

O meu fotógrafo de arte de eleição é Fernando Lemos que, ao contrário de Fernando Pessoa, viajou para o outro lado do mundo e não ficou em Lisboa "a fumar a vida". Aliás, Fernando Lemos tem uma Obra gigante, mais na escultura e na pintura que na fotografia, feita a partir do Brasil para onde se mudou em 1953. Recordá-lo enquanto folheamos o livro e lemos Fernando Pessoa, e tentamos decifrar as fotos de Pedro Norton, é uma boa forma de homenagear Fernando Lemos que tem uma Obra ímpar que merecia mais divulgação em Portugal.

Com estas fotos Pedro Norton estende a sua arte à nossa admiração, como nas suas fotos alguém estende o braço para espetar a seringa, ou cospe no lavatório, ou dá voltas na cama preso pelos cabelos. Todas as fotos são metáforas de um passado recente que lembram heranças esquecidas, desventuras, tormentos, solidão e pecado; "Um mundo de Absinto, ópio, tabaco e outros fumos" de que tratam os poemas de Pessoa e que, ao fim de várias leituras do livro, acabamos por achar que as fotos também falam e impõem a cada novo olhar.

Há ainda algo de um cigarro meio fumado que se deita fora a meio do caminho, na forma como algumas fotos nos marcam a memória de uma religião que está presente na nossa vida desde a infância, e que nos acompanha pela vida fora, neste caso mais como forma de praticarmos o sacrilégio que a oração.

As Flores do Mal são uma edição Guerra & Paz com uma tiragem de 1500 exemplares numerados em algarismos árabes e eu tenho o número 65 oferta de um amigo.


Texto de Joaquim Emídio publicado na edição online de O MIRANTE, na secção Livros que São Vidas, disponível através do link: http://www.omirante.pt/index.asp?idEdicao=54&id=78484&idSeccao=560&Action=noticia#.VKu4kHvLHGA

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Por amor aos livros

Fim de ano é tempo de revisitar livros e autores. Acabei de ler o novo livro de Miguel Sousa Tavares “Não se encontra o que se procura” e fiquei rendido. Fica aqui a sugestão de um livro novo. O resto são citações de livros relidos nos últimos tempos por amor à literatura e aos grandes escritores.
“Não se deve querer aparentar que se é mais do que aquilo que se é na realidade. Esta é a lição”  Es Excluidos - Elfriede Jelinek 
“Via os pintores da construção civil a deitarem os seus pincéis para o caixote do lixo. E dizia-lhes: Guardem-nos para mim. São mais vivos”. Esta é a cor dos meus sonhos. Miró
“Uma vez o Roberto Marinho dizia a mim a ao Mário: Vocês tomavam táxi até para atravessar a rua. Era uma verdade exagerada, violentada, mas era uma certa verdade”. A menina sem estrela. Nelson Rodrigues.
“Uma cidade torna-se um universo quando estamos apaixonados por uma pessoa.” Justine - Laurence Durrel
“Não admira que o fumo do cachimbo cheire como o arco-íris (:) Portugal levou o cachimbo e o tabaco a todas as partes do mundo”. O puro prazer de fumar. Guillermo Cabrera Infante.
“A veces todo esto me hace interrogarme sobre se seré, de hecho, un novelista, o mis livros no serán, en el fondo, ensayos com personajes”. José Saramago - Un retrato apasionado . Armando Baptista-Bastos
“Só partidos políticos podem promover mudanças (:) o senso de justiça de um artista não pode sujeitar-se ao pensamento único do militante. Impossível ser um bom político sem mentir. Já o artista, porque ama a verdade, não pode fascinar as massas, elas não querem intelectuais, preferem seus iguais.” Morte no Paraíso. A tragédia de Stefan Sweig. Alberto Dines.
“Vim para Lisboa quando publiquei “Aparição” e isso caiu mal nos meios Neo-Realistas. Só houve uma pessoa que tomou o meu partido na altura, o João Rui de Sousa. Ninguém mais. Foi tudo a arrear.” As polémicas de Virgílio Ferreira. Jorge Costa Lopes
“Foi um democrata impertérrito e frontal: passou por duas prisões e por outras tantas evasões rocambolescas, passou por três exílios, três conspirações antimonárquicas ou antifascistas, andou a monte, na clandestinidade (:)” Cifras do Tempo. Para uma nova leitura de Aquilino Ribeiro. Óscar Lopes.
“Deus deu o amor aos homens para que se suportassem a si próprios e ao mundo. No entanto quem ama sem humildade deposita um grande peso sobre os ombros do outro.” De Verdade. Sándor Márai
“A memória é importante para combater a solidão. Gostaria de morrer aos 90 anos como um cavalo exausto, 5 minutos antes de chegar à meta.” Maruja Torres. O que sentem as mulheres. Nativel Preciado.
“Cada vez sou menos teórico nas coisas da vida. É preciso palmilhar a terra de ponta a ponta para se lhe compreender o sentido.” Um Adeus aos Deuses - Ruben A.
JAE

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Aretino e a vida corrupta dos Cardeais do nosso tempo

Aretino (nasceu em 1492 e morreu em 1556) foi o poeta satírico cujo talento fez do Pasquino uma verdadeira instituição. Com esse nome era conhecida uma estátua mutilada, grega de origem, que até hoje existe num canto de rua da Piazza Navona. As pasquinadas de Aretino, regularmente afixadas ao soclo da estátua para deleite de toda a população da cidade de Roma, acabaram por se transformar numa instituição. Parodiando os almanaques astrológicos muito em voga na época, Aretino fazia previsões humorísticas e julgamentos cáusticos sobre figuras e acontecimentos do dia. Impressos em folhas soltas, eram vendidos nas ruas, contribuindo decisivamente para popularizar o nome do poeta e formar-lhe a reputação de satírico terrível.
Aretino afirma-se como um emancipador da classe dos escritores condenados a viver única e exclusivamente da generosidade dos mecenas, sendo por eles relegados amiúde à mesma condição dos lacaios e serviçais de condição inferior. Se faço o que faço, e por tais meios, é porque eu perseguia a emancipação de toda uma classe; tomei a peito o rebaixamento dos escritores, obrigados a viver de caridade e de esmolas; e mostrei-lhes o caminho da independência”, escreveu o poeta de “Sonetos Luxuriosos”. Foi assim considerado “o precursor do jornalismo moderno por ter feito os poderosos do seu tempo temerem a força da palavra, a palavra que molda a opinião pública e é capaz de abalar tronos ou legitimar reis”.
Nos últimos tempos, duas figuras medonhas da política local, cujos nomes não cito por serem parecidos com os figurões da época de Aretino, referiram-se a O MIRANTE como o Pasquim da região. A comparação encheu-me de orgulho. Mas o orgulho não paga multas em tribunal a quem chama os bois pelos nomes em letra de imprensa. Até nisso os tempos são outros para pior. Aretino morreu como um príncipe rodeado de cortesãs,  protegido pelas doações em dinheiro que chegavam de Inglaterra, Portugal e Hungria. Até o Barba-Roxa, o temível pirata de Argel, lhe enviava presentes em dinheiro.
Falta contar, entre muitas coisas, que ele era considerado um mestre na chantagem pela forma como sabia ridicularizar e denegrir os figurões da época que se recusavam a pagar-lhe. A diferença para os dias de hoje também é medonha: Os jornalistas que ainda levam a profissão a sério um dia vão pagar do seu bolso para voltarem a escrever folhetos clandestinos de forma a poderem gozar, à boa maneira do antigo Pasquim, a vida corrupta dos Cardeais do nosso tempo. JAE

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A História de Natal do Joaquim

Tive um amigo de escola que tinha a mania de roubar. Assaltava lojas, casas particulares e especialmente os bares das colectividades que exigiam esquemas fáceis. Quando havia um assalto na vila a GNR já sabia quem era o gatuno; era quase sempre o Joaquim já que ele carregava a culpa de ser sempre o ladrão fosse ou não o autor do roubo. Ouvi-o prometer algumas vezes, entre dois dedos de conversa, uma cerveja e um cigarro, que um dia venceria o vício de roubar. Até ao dia em que a prisão de Alcoentre começou a ser a sua residência permanente.
A primeira e única vez que entrei numa prisão foi para o visitar. Fui carregado de cigarros e de um espírito de Natal que só Deus poderá explicar. De verdade não acredito em Deus mas dá-me jeito que ele exista para personagem desta crónica e para justificar a lembrança do Joaquim num tempo de grandes bebedeiras e barrigadas.
Quando saiu da prisão o Joaquim voltou à velha vida de índio sem tenda. Não voltou a roubar, se bem me lembro, mas a sua vida era a de um animal feroz. Um dia entrou na igreja de Nossa Senhora das Dores, onde dormia algumas vezes sem que se soubesse, e pendurou uma corda onde enfiou o pescoço. O suicídio foi durante a noite e Nossa Senhora das Dores estava no altar a confeccionar o jantar para consolo das almas dos pobres e aflitos. Na altura em que terá ido à sacristia buscar salsa para temperar o refogado o Joaquim aproveitou para se fazer de morcego com uma corda presa ao pescoço.
Não acredito na reencarnação nem na vida depois da morte mas, a existir, seria uma grande alegria saber que o Joaquim anda por aí, disfarçado de Pai Natal, a distribuir brinquedos às crianças e esperança aos homens poucos iluminados que estão na cadeia, embora nunca tenham roubado por precisarem de dinheiro para o pão, ou para o tabaco, ou para esses vícios ainda mais comezinhos como o jogo e a vida licenciosa. JAE