Uma empresa local ou regional, como é o caso da empresa editora de O MIRANTE, precisa de uma gestão global. Por isso há muitos anos que viajo pelo mundo sempre com um pretexto para visitar uma gráfica, uma feira do livro, um congresso de editores, uma redacção de um jornal ou de uma televisão, muitas vezes só para participar em congressos.
Algumas vezes os interesses imediatos na resolução de certos assuntos estão muito longe dos limites geográficos da nossa área de trabalho. Foi o que aconteceu recentemente: Precisava de falar urgentemente com um professor da Universidade de Coimbra. Depois de várias tentativas sem êxito telefonei ao meu amigo Américo Oliveira que vive em Coimbra e contei-lhe o que precisava. Desligou o telefone e meteu-se a caminho da Universidade. Foi ao departamento onde o Professor trabalha, conseguiu entrar no seu gabinete e ligou o seu telemóvel proporcionando uma conversa que acendeu a luz ao fundo do túnel.
Estou a escrever este texto ainda cansado da viagem mas com a sensação de dever cumprido. Além disso hoje descobri uma terapia espantosa que vou começar a trocar pelos mergulhos na piscina. O assunto que me levou a Coimbra ficou tratado a meio da manhã. O resto do dia foi para revisitar a cidade e os livreiros. A ideia é repetir a façanha todas as semanas visitando outros lugares, de preferência sem trabalho pelo meio.
O meu amigo Américo Oliveira, que ainda teve tempo para beber um café comigo e levar-me ao seu livreiro preferido, não valorizou muito a ajuda que me deu e achou que não tinha feito nada do outro mundo. É uma sorte ter bons amigos que têm os horizontes largos e sem neblinas. JAE
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Os jornalistas ao ataque
Ao longo destes últimos anos reuni com vários membros do Governo, sempre na minha qualidade de director deste jornal, aproveitando também o estatuto que fui ganhando por pertencer durante muitos anos aos órgãos sociais dos movimentos associativos do sector. Desde Arons de Carvalho até Augusto Santos Silva e Miguel Relvas não posso dizer que o meu trabalho alguma vez tenha dado frutos. Em todos os casos encontrei os membros do Governo tão ignorantes sobre os problemas da comunicação social local e regional como ignorantes deveriam ser sobre os problemas dos direitos humanos no Quénia.
Uma das últimas audiências foi com o antigo ministro do governo de Sócrates, Augusto Santos Silva. O ministro tinha ao seu lado a directora do Gabinete de Meios (Teresa Ribeiro) e recebeu-me numa audiência sem tempo marcado. Como levava a lição estudada falei 20 minutos sem me calar. A meia dúzia de tentativas para me interromper foram infrutíferas. A questão do preço mínimo de assinatura, o pagamento da assinatura à cabeça, o financiamento encapotado dos Correios com o Porte Pago, os critérios da atribuição do subsídio à reconversão tecnológica e a publicidade do Estado são dossiers cheios de incongruências e com uma gestão política literalmente irresponsável de tão fraquinha.
Quando acabei de expor os assuntos ao ministro ouvi com satisfação Santos Silva dar a palavra a Teresa Ribeiro para ela lhe explicar o que eram na verdade, trocados por miúdos, os assuntos que eu tinha posto em cima da mesa. Como é evidente fiquei de boca aberta; Santos Silva tinha a pasta da Comunicação Social mas não sabia nada de nada dos assuntos ligados ao sector.
Já no final da conversa que, como era previsível, não teve consequências, ouvi o senhor ministro dizer que para ele o espelho da imprensa local e regional era o jornal da sua terra, que começou a ser-lhe oferecido quando ele era professor numa determinada universidade, e que continuava a chegar embora ele já não exercesse o cargo há muitos anos.
Esta fraca gente que nos Governa de vez em quando fala verdade e o mundo parece que encolhe e ficamos, também nós, do tamanho dos liliputianos que são os seres do mundo onde vive a grande maioria dos políticos.
Trago o assunto aqui por causa de um texto que o director de informação da TVI, Sérgio Figueiredo, escreveu no Diário de Notícias, edição do dia 27 de Julho, a propósito da personalidade de Augusto Santos Silva. Faz falta mais gente com a coragem do Sérgio Figueiredo que não se compre e venda como quase sempre foi tradição nos grandes órgãos de Comunicação Social. JAE
Uma das últimas audiências foi com o antigo ministro do governo de Sócrates, Augusto Santos Silva. O ministro tinha ao seu lado a directora do Gabinete de Meios (Teresa Ribeiro) e recebeu-me numa audiência sem tempo marcado. Como levava a lição estudada falei 20 minutos sem me calar. A meia dúzia de tentativas para me interromper foram infrutíferas. A questão do preço mínimo de assinatura, o pagamento da assinatura à cabeça, o financiamento encapotado dos Correios com o Porte Pago, os critérios da atribuição do subsídio à reconversão tecnológica e a publicidade do Estado são dossiers cheios de incongruências e com uma gestão política literalmente irresponsável de tão fraquinha.
Quando acabei de expor os assuntos ao ministro ouvi com satisfação Santos Silva dar a palavra a Teresa Ribeiro para ela lhe explicar o que eram na verdade, trocados por miúdos, os assuntos que eu tinha posto em cima da mesa. Como é evidente fiquei de boca aberta; Santos Silva tinha a pasta da Comunicação Social mas não sabia nada de nada dos assuntos ligados ao sector.
Já no final da conversa que, como era previsível, não teve consequências, ouvi o senhor ministro dizer que para ele o espelho da imprensa local e regional era o jornal da sua terra, que começou a ser-lhe oferecido quando ele era professor numa determinada universidade, e que continuava a chegar embora ele já não exercesse o cargo há muitos anos.
Esta fraca gente que nos Governa de vez em quando fala verdade e o mundo parece que encolhe e ficamos, também nós, do tamanho dos liliputianos que são os seres do mundo onde vive a grande maioria dos políticos.
Trago o assunto aqui por causa de um texto que o director de informação da TVI, Sérgio Figueiredo, escreveu no Diário de Notícias, edição do dia 27 de Julho, a propósito da personalidade de Augusto Santos Silva. Faz falta mais gente com a coragem do Sérgio Figueiredo que não se compre e venda como quase sempre foi tradição nos grandes órgãos de Comunicação Social. JAE
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Um elogio ao fato-macaco
Ando à procura de mulheres para trabalhar que tenham experiência profissional como “gasolineiras”. Precisamos de gente para um ofício que exige prática em vestir o fato-macaco. A ideia que tenho é que as mulheres que trabalham ou trabalharam em postos de gasolina reúnem as aptidões que fazem delas grandes comunicadoras.
Na quinta-feira da semana passada estava no lançamento do novo livro do jornalista João Céu e Silva e partilhei o assunto com a Joana que me disse pelo telefone que já nada era como dantes. “Encontrei um dia destes uma dessas gasolineiras que parecia um pavão e só me apeteceu enfiar-lhe a mangueira pela boca abaixo”, desabafou, ao final da tarde de uma quinta-feira, que é o dia da semana em que tudo arde e cheira a peixe.
Estive meia hora de pé a conversar com a escritora Lídia Jorge que ouviu duas histórias da minha avó Ilda e devolveu duas histórias de vida da sua mãe (As mulheres são uma bruxas; quando ficam mais velhas tornam-se bruxas por causa de saberem tanto da vida e de adivinharem quase tudo o que acontece a quem as rodeia e lhes toca o coração).
O Professor Adriano Moreira foi convidado para apresentar o livro Adeus África. A livraria estava cheia de gente a cheirar a perfume Chanel e eu tinha no nariz o cheiro a gasolina. O Professor dava lições sobre a guerra, a crueldade e o poder das armas, e eu olhava para o telemóvel que tocava, tocava, sem que pudesse atender.
A Vânia, assessora de imprensa da editora, fartou-se de elogiar O MIRANTE enquanto conversava comigo mas eu olhava para ela e só queria ver uma mulher de fato-macaco. A Tânia, que tem 32 anos e foi elogiada publicamente por tudo o que fez pelo texto e pela capa do livro, podia ser a mulher que eu procurava mas não consegui vê-la entre tanta gente que foi ao lançamento do livro.
Enquanto bebo um sumo e como um bolo de coco, para repor energias (estive de pé a tarde toda e o dia de quinta-feira passou a correr), recebo uma mensagem que dizia “amo estar contigo”. Chegou por engano. Nesse dia, alguém que me é muito próximo, esteve toda a tarde “em cima” de uma gasolineira e deixei-a escapar. JAE
Na quinta-feira da semana passada estava no lançamento do novo livro do jornalista João Céu e Silva e partilhei o assunto com a Joana que me disse pelo telefone que já nada era como dantes. “Encontrei um dia destes uma dessas gasolineiras que parecia um pavão e só me apeteceu enfiar-lhe a mangueira pela boca abaixo”, desabafou, ao final da tarde de uma quinta-feira, que é o dia da semana em que tudo arde e cheira a peixe.
Estive meia hora de pé a conversar com a escritora Lídia Jorge que ouviu duas histórias da minha avó Ilda e devolveu duas histórias de vida da sua mãe (As mulheres são uma bruxas; quando ficam mais velhas tornam-se bruxas por causa de saberem tanto da vida e de adivinharem quase tudo o que acontece a quem as rodeia e lhes toca o coração).
O Professor Adriano Moreira foi convidado para apresentar o livro Adeus África. A livraria estava cheia de gente a cheirar a perfume Chanel e eu tinha no nariz o cheiro a gasolina. O Professor dava lições sobre a guerra, a crueldade e o poder das armas, e eu olhava para o telemóvel que tocava, tocava, sem que pudesse atender.
A Vânia, assessora de imprensa da editora, fartou-se de elogiar O MIRANTE enquanto conversava comigo mas eu olhava para ela e só queria ver uma mulher de fato-macaco. A Tânia, que tem 32 anos e foi elogiada publicamente por tudo o que fez pelo texto e pela capa do livro, podia ser a mulher que eu procurava mas não consegui vê-la entre tanta gente que foi ao lançamento do livro.
Enquanto bebo um sumo e como um bolo de coco, para repor energias (estive de pé a tarde toda e o dia de quinta-feira passou a correr), recebo uma mensagem que dizia “amo estar contigo”. Chegou por engano. Nesse dia, alguém que me é muito próximo, esteve toda a tarde “em cima” de uma gasolineira e deixei-a escapar. JAE
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Joaquim Veríssimo Serrão
Tenho uma admiração especial pelo Professor Joaquim Veríssimo Serrão. Já devo ter contado que me meti com ele numa altura em que prefaciou um livro de Maria Manuel Cid, mulher ilustre de quem guardo saudades e por quem também tinha verdadeira admiração. Era minha vizinha e cheguei a sentar-me com ela à camilha na sua casa. A minha embirração com o Professor derivava dos salamaleques que ele gostava de cultivar e que admitia à sua volta. Joaquim Veríssimo Serrão é doutro tempo e aquela forma respeitosa como aceitava convites para conferências e para prefaciar livros era a sua melhor forma de ser útil a quem o procurava. Atitude que só o valoriza, dá sinal da sua incomensurável paciência e bondade e, acima de tudo, devolve, ou devolvia, o Homem que está por detrás do grande autor da “História de Portugal”. Professor insigne e personagem incontornável da nossa História dos últimos anos sem lugar nas fotos ao lado dos políticos da nossa praça e dos seus interesses mesquinhos e pífios.
Como, entretanto, (passados quase 30 anos) fizemos amigos comuns, cheguei a participar em almoços em que um dos seus maiores amigos e admiradores lhe tentava vender a realidade actual da nossa democracia, com a mesma perseverança e atitude que ele depois respondia, recordando os nomes dos oportunistas e dos vira-casacas do regime, e insistia que Salazar não era assim tão mau como o pintavam.
Era uma opinião coerente, assumida entre amigos, que trago aqui porque estamos todos mais tolerantes, para não dizer desiludidos, com os vendilhões de todos os templos e de todos os tempos, e as ideologias estão cada vez mais esbatidas, e os chamados progressistas parecem os novos fascistas do nosso tempo. Fruto da discussão, a conversa acabava com Joaquim Veríssimo Serrão a dar a mão à palmatória, para contentamento desse nosso amigo, que tem por ele a maior admiração intelectual e gostava de o sentir mais ligado à terra.
Joaquim Veríssimo Serrão está numa residência para idosos há alguns anos, assim que teve um achaque que o deixou diminuído. Ainda corresponde aos afectos dos amigos e beija a mão das senhoras amigas que o visitam. Quando estamos com ele apetece apertá-lo contra o peito como fazemos com os nossos filhos ou fazíamos aos nossos avós quando tínhamos saudades.
Uma vez ouvi o provocador do Mário Cezariny dizer que tinha muitos amigos a passarem-lhe a mão pelas costas mas depois das festas, com ou sem livros, todos o abandonavam à porta de casa e deixavam-no sozinho a enfrentar as noites que nunca mais tinham fim. A última vez que visitei o Professor Joaquim Veríssimo Serrão tive vontade de entrar na sua solidão e deixar lá um poema de Maria Manuel Cid. JAE
Como, entretanto, (passados quase 30 anos) fizemos amigos comuns, cheguei a participar em almoços em que um dos seus maiores amigos e admiradores lhe tentava vender a realidade actual da nossa democracia, com a mesma perseverança e atitude que ele depois respondia, recordando os nomes dos oportunistas e dos vira-casacas do regime, e insistia que Salazar não era assim tão mau como o pintavam.
Era uma opinião coerente, assumida entre amigos, que trago aqui porque estamos todos mais tolerantes, para não dizer desiludidos, com os vendilhões de todos os templos e de todos os tempos, e as ideologias estão cada vez mais esbatidas, e os chamados progressistas parecem os novos fascistas do nosso tempo. Fruto da discussão, a conversa acabava com Joaquim Veríssimo Serrão a dar a mão à palmatória, para contentamento desse nosso amigo, que tem por ele a maior admiração intelectual e gostava de o sentir mais ligado à terra.
Joaquim Veríssimo Serrão está numa residência para idosos há alguns anos, assim que teve um achaque que o deixou diminuído. Ainda corresponde aos afectos dos amigos e beija a mão das senhoras amigas que o visitam. Quando estamos com ele apetece apertá-lo contra o peito como fazemos com os nossos filhos ou fazíamos aos nossos avós quando tínhamos saudades.
Uma vez ouvi o provocador do Mário Cezariny dizer que tinha muitos amigos a passarem-lhe a mão pelas costas mas depois das festas, com ou sem livros, todos o abandonavam à porta de casa e deixavam-no sozinho a enfrentar as noites que nunca mais tinham fim. A última vez que visitei o Professor Joaquim Veríssimo Serrão tive vontade de entrar na sua solidão e deixar lá um poema de Maria Manuel Cid. JAE
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Fazer farófia e política
No dia 13 de Junho completaram-se dez anos sobre a morte de Álvaro Cunhal e Eugénio de Andrade. O meu amigo e velho editor José da Cruz Santos escreveu indignado pela ausência de um parágrafo nos jornais a assinalar a efeméride. Não teve toda a razão quanto a Cunhal mas Eugénio passou ao lado de toda a imprensa. E realmente não devia. É uma das vozes maiores da poesia portuguesa de sempre e deixou uma Obra que marcou e vai marcar várias gerações. Recentemente reli a biografia de Marguerite Yourcenar, outra das vozes eternas da literatura, e lá está Eugénio no seu caminho.
Na passada semana um jovem que estuda jornalismo nos EUA esteve na redacção de O MIRANTE a tentar perceber como se faz jornalismo de proximidade. Foi em reportagem para a Igreja da Graça onde está sepultado Pedro Álvares Cabral e aquilo que ele observou é hilariante. Os turistas são tão poucos que faz doer ter a igreja aberta e com as luzes acesas. Pedro Álvares Cabral e o Centro Histórico de Santarém perderam importância depois da gestão política dos últimos autarcas como foi o caso de Rui Barreiro e Moita Flores que só ajudaram à desgraça.
O 25 de Abril foi há mais de 40 anos mas só agora se está a viver a verdadeira revolução na justiça portuguesa que prende preventivamente durante dois anos sem ter que dar cavaco. Foi preciso cair na malha da Justiça um ex-primeiro-ministro, cheio de amigos à direita e à esquerda, para se clamar que o rei vai nu. Pobres dos pobres que até agora ficaram presos e humilhados enquanto os José Sócrates deste país governaram e fizeram política como quem faz farófias.
Recentemente foi notícia o facto de Portugal ser o país da União Europeia onde os tribunais condenam três vezes mais por abuso de liberdade de expressão. Há um atraso civilizacional na grande maioria das instituições portuguesas comparadas com as do primeiro mundo. Basta perceber como se comportam as figuras públicas portuguesas quando são chamadas à realidade e acusadas na praça pública. Enquanto perseguirem assim os jornalistas mais espaço existe para o compadrio, a corrupção e a irresponsabilidade nas gestão de todos os Governos.
JAE
Na passada semana um jovem que estuda jornalismo nos EUA esteve na redacção de O MIRANTE a tentar perceber como se faz jornalismo de proximidade. Foi em reportagem para a Igreja da Graça onde está sepultado Pedro Álvares Cabral e aquilo que ele observou é hilariante. Os turistas são tão poucos que faz doer ter a igreja aberta e com as luzes acesas. Pedro Álvares Cabral e o Centro Histórico de Santarém perderam importância depois da gestão política dos últimos autarcas como foi o caso de Rui Barreiro e Moita Flores que só ajudaram à desgraça.
O 25 de Abril foi há mais de 40 anos mas só agora se está a viver a verdadeira revolução na justiça portuguesa que prende preventivamente durante dois anos sem ter que dar cavaco. Foi preciso cair na malha da Justiça um ex-primeiro-ministro, cheio de amigos à direita e à esquerda, para se clamar que o rei vai nu. Pobres dos pobres que até agora ficaram presos e humilhados enquanto os José Sócrates deste país governaram e fizeram política como quem faz farófias.
Recentemente foi notícia o facto de Portugal ser o país da União Europeia onde os tribunais condenam três vezes mais por abuso de liberdade de expressão. Há um atraso civilizacional na grande maioria das instituições portuguesas comparadas com as do primeiro mundo. Basta perceber como se comportam as figuras públicas portuguesas quando são chamadas à realidade e acusadas na praça pública. Enquanto perseguirem assim os jornalistas mais espaço existe para o compadrio, a corrupção e a irresponsabilidade nas gestão de todos os Governos.
JAE
quinta-feira, 11 de junho de 2015
O cabeça de lista e o Hospital de Santarém
Se eu tivesse poder de decisão na edição deste jornal como tinha quando o fundei - escrevia e editava, já lá vão quase 30 anos - mandava muitas notícias para o cesto dos papéis e não publicava fotos de gente que tem cara de parvo e pela-se para aparecer seja por bem seja por mal. Ainda bem que não sou eu que decido. Certamente que o jornal seria muito mais mal escrito e com muito menos interesse para a generalidade dos leitores.
O que é que pode fazer um jornal de proximidade pelas pessoas doentes que todos os dias, às dezenas, estão “internadas” em macas nos corredores do Hospital de Santarém por falta de camas e de condições mínimas de acesso ao Serviço Nacional de Saúde? A reportagem que O MIRANTE publica nesta edição sobre as condições em que os doentes esperam por internamento no Hospital Distrital de Santarém é obscena e deveria ser motivo para que o director do hospital pedisse contas e desse conta de vez em quando. Os hospitais deveriam ser lugares de respeito pela vida humana e pela dignidade dos profissionais que ali prestam serviço. A forma como os doentes estão a ser tratados no hospital de Santarém não é só culpa da administração do Hospital mas é à sua administração que devemos pedir contas.
Os políticos no activo da área do poder que representam a região são na sua generalidade fracas personagens. Nuno Serra, o líder, é literalmente uma figura de quinto plano na política nacional ou regional. Não lhe conheço um estado de alma nem uma medida como deputado que obrigue os seus eleitores a tirarem-lhe o chapéu. Nuno Serra pode vir a ser cabeça de lista pelo PSD às próximas eleições, como querem muitos militantes seus amigos e camaradas de luta, mas espero bem que até lá mostre trabalho e currículo (que não seja ao nível das guerras internas no Partido que são ao nível daquilo que Moita Flores tentou fazer a Ricardo Gonçalves que lhe sucedeu na Câmara de Santarém). JAE
O que é que pode fazer um jornal de proximidade pelas pessoas doentes que todos os dias, às dezenas, estão “internadas” em macas nos corredores do Hospital de Santarém por falta de camas e de condições mínimas de acesso ao Serviço Nacional de Saúde? A reportagem que O MIRANTE publica nesta edição sobre as condições em que os doentes esperam por internamento no Hospital Distrital de Santarém é obscena e deveria ser motivo para que o director do hospital pedisse contas e desse conta de vez em quando. Os hospitais deveriam ser lugares de respeito pela vida humana e pela dignidade dos profissionais que ali prestam serviço. A forma como os doentes estão a ser tratados no hospital de Santarém não é só culpa da administração do Hospital mas é à sua administração que devemos pedir contas.
Os políticos no activo da área do poder que representam a região são na sua generalidade fracas personagens. Nuno Serra, o líder, é literalmente uma figura de quinto plano na política nacional ou regional. Não lhe conheço um estado de alma nem uma medida como deputado que obrigue os seus eleitores a tirarem-lhe o chapéu. Nuno Serra pode vir a ser cabeça de lista pelo PSD às próximas eleições, como querem muitos militantes seus amigos e camaradas de luta, mas espero bem que até lá mostre trabalho e currículo (que não seja ao nível das guerras internas no Partido que são ao nível daquilo que Moita Flores tentou fazer a Ricardo Gonçalves que lhe sucedeu na Câmara de Santarém). JAE
quinta-feira, 4 de junho de 2015
As palavras emprestadas
Ando numa azáfama para chegar a um certo dia deste mês de Junho. Sinto-me como uma fera no seu covil. As paixões honram a miséria do Homem. Bem aventurados os que pecam e se degradam porque será deles o reino da Terra. Desconfiai dos que tudo aceitam, explicam e compreendem. A incompreensão é um dos ingredientes da inteligência. Deus é o vento da noite que entra por uma porta mal fechada. A minha eternidade cabe dentro de um dia. Ficar sozinho depois de morto é um privilégio incomparável. Os homens são cães: lambem os ossos do dia. A palavra camélia é mais bela que a flor. A invectiva é a arma dos jovens; o aplauso é a abjecção dos velhos. Na viagem da vida não perdemos apenas os nossos dentes e cabelos. Também os nossos incontáveis e sucessivos eus vão caindo como penas. O amor deve ser como no cinema mudo: apenas gestos. Não há necessidade de palavras. Um monossílabo é excesso. Jamais aprenderei a morrer. Mesmo no momento final haverei de estar ao lado da vida.
Ando numa azáfama a ler vários livros ao mesmo tempo para chegar a um certo dia deste mês de Junho e começar tudo de novo como o avarento em cuja casa até os ratos morriam de fome; ou como o indivíduo que se sente a viver sempre uma vida inacabada, um sonho que se repete toda a vez que o sol nasce.
Tudo o que aqui vai foi roubado de um livro de Lêdo Ivo, “Confissões de um Poeta”, que já li e reli e que mesmo assim mantenho por perto quase ao nível das minhas mãos liquidas. O dia é mal escrito. JAE
Ando numa azáfama a ler vários livros ao mesmo tempo para chegar a um certo dia deste mês de Junho e começar tudo de novo como o avarento em cuja casa até os ratos morriam de fome; ou como o indivíduo que se sente a viver sempre uma vida inacabada, um sonho que se repete toda a vez que o sol nasce.
Tudo o que aqui vai foi roubado de um livro de Lêdo Ivo, “Confissões de um Poeta”, que já li e reli e que mesmo assim mantenho por perto quase ao nível das minhas mãos liquidas. O dia é mal escrito. JAE
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