A inauguração da Feira Nacional da Cebola que acompanhei um pouco à distância da comitiva oficial, de forma propositada, originou que acabasse a visita sem cumprimentar a maioria dos convidados. A comitiva era pequena mas os corredores por onde circulamos afastaram-me com facilidade e sem perder de vista os principais convidados do executivo de Rio Maior.
A presença discreta, que fiz questão de manter enquanto durou a maior parte da visita, deu para perceber que a maioria dos políticos, em maior número nesta cerimónia, só se aproximam para confraternizar e eventualmente cumprimentar aqueles que os procuram na cabeça do pelotão. Vão todos de fato e gravata, a cabeça entre os ombros, e quando não estão sozinhos a olhar para o chão ou para o membro do Governo convidado, procuram um camarada de partido a quem podem sempre roubar uma conversa ou apoiar as mãos nos ombros.
O facto de caminhar na cauda do pelotão permitiu-me ouvir algumas conversas de deputados e candidatos a deputados nas próximas eleições a espalharem charme junto de alguns expositores. Uma delas, a doutora Idália Serrão, uma das cebolas da política, estava tão embevecida na conversa com três expositores que a julguei a mais feliz dos mortais. No momento de passar por ela, e já depois de ter observado os cumprimentos e a aparente familiaridade, ouvi a apresentação formal. “Sou deputada da Assembleia da República. Estou aqui como convidada”. Nem queria acreditar que a doutora deputada tinha arriscado meter-se com três produtores de cebola de mãos calejadas e aparência simples contrastando com o seu habitual porte altivo e a sua figura muito conhecida da televisão como emplastro atrás dos lideres do PS, ao jeito de um homem do norte que é mais conhecido que o Pinto da Costa. Vi ainda alguns políticos aos pares a tirarem ‘selfies’ e a fotografarem a cerimónia com o telemóvel, provavelmente, para alimentarem a sua página do facebook.
Puxei por este texto para contar finalmente, e para rematar, que o convidado que mais me despertou a atenção foi o filho de Silvino Sequeira, antigo presidente da Câmara de Rio Maior, pai de um igualmente ilustre político da terra, João Sequeira, que é pessoa de confiança de António Costa e que já tem lugar garantido na Assembleia da República na próxima legislatura. É um dos mais jovens e promissores políticos da região. Para além de ser figura de relevo no Largo do Rato, onde é cumprimentado por senhor doutor por todos os funcionários do PS, é adorado em Rio Maior pelas pessoas mais velhas que o viram nascer e crescer e acham que, por ser filho de Silvino Sequeira, ainda vai alcançar um lugar honroso num qualquer governo do PS. Que se saiba, em toda a sua vida, nunca fez mais nada que política e jogos políticos. Tem um curso universitário, goza da boa fama de ser bom filho, usa roupa e óculos de marca e, segundo se diz, é tão vaidoso e convencido que um dia que chegue à idade do pai vai apagá-lo da História sem ele próprio dar por isso
Como toda a gente sabe a Feira da Cebola de Rio Maior deve o seu êxito aos produtores que vêm das Caldas da Rainha e arredores. Quem sabe os riomaiorenses não tenham em João Sequeira um mágico que transforme as salinas em campos de boa terra para plantar cebolas. Na política, e com esta notável geração de políticos, tudo é possível para bem das terras do interior. JAE
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Deus descalço e em tronco nu
Mas que lindo mês de Agosto. O Entroncamento é a
terra do homem fenómeno José Canelo, campeão do mundo de atletismo em
maiores de 90 anos. Mas é em Coruche que duas ribeiras em território do
Couço (a ribeira de Sor e a ribeira de Raia) dão corpo e vida ao Rio
Sorraia que na segunda-feira, feriado municipal, recebeu um barco para
visitas guiadas à vila. Quem não acredita que veja o vídeo de O MIRANTE
TV publicado no sítio diário. É curioso como um rio que nasce de duas
ribeiras, aqui à nossa porta, tem tanta influência na vida de uma terra e
representa um investimento sempre em actualização. Há muitos outros que
têm o Tejo ao fim da rua onde moram e, ou fazem dele retrete, ou
ancoradouro para barcos, quando não é o caso de o ignorarem simplesmente
para proveito das indústrias que de vez em quando pintam a sua água da
cor do petróleo. E não falamos mais, por agora, de açudes que servem
como armadilhas para os peixes, obra de políticos que ainda hoje são
considerados como se tivessem sido autarcas modelo, quando não passaram
de simples fanfarrões na utilização dos dinheiros públicos em tempos de
vacas gordas.
Mas que lindo mês de Agosto. Luís Ferreira, o homem de Cem Soldos que põe de pé o Festival Bons Sons, merece que o apontemos como exemplo. Ao contrário do que é habitual em iniciativas culturais o Bons Sons não vive do favor dos políticos nem do dinheiro do orçamento público. Tem patrocinadores e paga-se com o dinheiro das entradas. Os políticos festeiros da nossa região deviam seguir o exemplo.
Em Dornes, ou na praia fluvial da aldeia do Mato ou em Constância, na confluência do Zêzere com o Tejo, a natureza é espectacular e é um privilégio viver nesta região do Ribatejo. No entanto estamos entregues a meia dúzia de políticos fraquinhos como decisores que vivem em “tocas e gaiolas” e só sabem promover-se a eles próprios. Dou o exemplo do Dr. Pombeiro que, enquanto presidente da Câmara da Barquinha, o melhor que fez foi dar o nome ao cais principal da vila, e agora é secretário executivo da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, um cargo que, para nossa maior desgraça, lhe dá ainda mais importância que o de presidente da Câmara da Barquinha.
Mas que lindo mês de Agosto. O rio Sorraia, que nasce de duas ribeiras em território do Couço, faz milagres em Coruche. No site “Viver o Tejo” da NERSANT há muito mais informação sobre lugares da nossa região onde Deus ainda anda descalço e em tronco nu.
Mas que lindo mês de Agosto era o princípio de uma frase chorada sobre o que é viver num país em que toda a gente se lamenta com falta de dinheiro e de trabalho mas assim que a pulga aperta vai a banhos para o Algarve e para a linha do Estoril. Mas também era sobre os campos do Ribatejo, onde nesta altura já se faz a vindima, ainda se apanha o tomate e o milho é o rei da paisagem. JAE
Mas que lindo mês de Agosto. Luís Ferreira, o homem de Cem Soldos que põe de pé o Festival Bons Sons, merece que o apontemos como exemplo. Ao contrário do que é habitual em iniciativas culturais o Bons Sons não vive do favor dos políticos nem do dinheiro do orçamento público. Tem patrocinadores e paga-se com o dinheiro das entradas. Os políticos festeiros da nossa região deviam seguir o exemplo.
Em Dornes, ou na praia fluvial da aldeia do Mato ou em Constância, na confluência do Zêzere com o Tejo, a natureza é espectacular e é um privilégio viver nesta região do Ribatejo. No entanto estamos entregues a meia dúzia de políticos fraquinhos como decisores que vivem em “tocas e gaiolas” e só sabem promover-se a eles próprios. Dou o exemplo do Dr. Pombeiro que, enquanto presidente da Câmara da Barquinha, o melhor que fez foi dar o nome ao cais principal da vila, e agora é secretário executivo da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, um cargo que, para nossa maior desgraça, lhe dá ainda mais importância que o de presidente da Câmara da Barquinha.
Mas que lindo mês de Agosto. O rio Sorraia, que nasce de duas ribeiras em território do Couço, faz milagres em Coruche. No site “Viver o Tejo” da NERSANT há muito mais informação sobre lugares da nossa região onde Deus ainda anda descalço e em tronco nu.
Mas que lindo mês de Agosto era o princípio de uma frase chorada sobre o que é viver num país em que toda a gente se lamenta com falta de dinheiro e de trabalho mas assim que a pulga aperta vai a banhos para o Algarve e para a linha do Estoril. Mas também era sobre os campos do Ribatejo, onde nesta altura já se faz a vindima, ainda se apanha o tomate e o milho é o rei da paisagem. JAE
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
“Poesia-me”
"Poesia-me”. A palavra está escrita num mural algures numa cidade que já esqueci o nome. Ainda hoje me sirvo dela. “Não estamos aqui para viver vidas úteis....mas belas”. Esta frase foi roubada de um livro e está escrita na minha testa para a ler quando me vejo ao espelho. Regra geral estou “aqui” quase sempre a fazer o contrário daquilo que os mestres ensinam; “O livro é um mudo que fala; um surdo que responde; um cego que guia; um morto que vive”. Palavras do Padre António Vieira que é autor do Sermão a Santa Iria de Santarém “na opinião do mundo, uma das virgens loucas que por isso excedeu singular e unicamente a todas as virgens prudentes”. A Obra está a ser reeditada mas o Sermão está na internet disponível para todos os que gostam de ler o mais sábio de todos os padres portugueses que foi condenado em 1667 pela Inquisição e privado de pregar em público, além de ser obrigado a passar cinco anos em degredo, em Roma. Um doloroso castigo pois os sermões transformaram Vieira, citando Fernando Pessoa, no “imperador da língua portuguesa”. A punição deu origem a uma amizade epistolar com Cristina Vasa, ex-rainha da Suécia, que foi morar em Roma depois de abdicar do trono. As cartas, muito eróticas, foram recentemente publicadas em livro, no Brasil, e são uma inspiração para qualquer cristão que se preze, vista batina ou calças de ganga.
O relatório diário da Mariana em Agosto é uma desilusão. Gosto de chegar ao fim do dia e ler os recados dos leitores zangados com a má distribuição do jornal, o recado do leitor azedo com a notícia que saiu incompleta, o telefonema anónimo a denunciar algo errado, as ordens dos leitores que muitas vezes entendem, e bem, que nós somos fraca-roupa e que, muitas vezes, ficamos nas covas. Em Agosto pára tudo. Até os telefonemas dos leitores a protestarem ou a sugerirem notícias. Vivemos num país que, como no tempo das vacas gordas, vai de férias em Agosto. Apesar de ter caído o Carmo e a Trindade com a prisão de José Sócrates e Ricardo Salgado, e de Mário Soares, o Papa da nossa democracia, ser visita assídua dos dois, Portugal vai de férias em Agosto e não discute o preço do hotel nem da diária. O Padre António Vieira gostaria certamente de alterar alguns dos seus sermões caso fosse Santo ao ponto de nos fazer uma visita a cada século. JAE
O relatório diário da Mariana em Agosto é uma desilusão. Gosto de chegar ao fim do dia e ler os recados dos leitores zangados com a má distribuição do jornal, o recado do leitor azedo com a notícia que saiu incompleta, o telefonema anónimo a denunciar algo errado, as ordens dos leitores que muitas vezes entendem, e bem, que nós somos fraca-roupa e que, muitas vezes, ficamos nas covas. Em Agosto pára tudo. Até os telefonemas dos leitores a protestarem ou a sugerirem notícias. Vivemos num país que, como no tempo das vacas gordas, vai de férias em Agosto. Apesar de ter caído o Carmo e a Trindade com a prisão de José Sócrates e Ricardo Salgado, e de Mário Soares, o Papa da nossa democracia, ser visita assídua dos dois, Portugal vai de férias em Agosto e não discute o preço do hotel nem da diária. O Padre António Vieira gostaria certamente de alterar alguns dos seus sermões caso fosse Santo ao ponto de nos fazer uma visita a cada século. JAE
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Os amigos e os horizontes largos
Uma empresa local ou regional, como é o caso da empresa editora de O MIRANTE, precisa de uma gestão global. Por isso há muitos anos que viajo pelo mundo sempre com um pretexto para visitar uma gráfica, uma feira do livro, um congresso de editores, uma redacção de um jornal ou de uma televisão, muitas vezes só para participar em congressos.
Algumas vezes os interesses imediatos na resolução de certos assuntos estão muito longe dos limites geográficos da nossa área de trabalho. Foi o que aconteceu recentemente: Precisava de falar urgentemente com um professor da Universidade de Coimbra. Depois de várias tentativas sem êxito telefonei ao meu amigo Américo Oliveira que vive em Coimbra e contei-lhe o que precisava. Desligou o telefone e meteu-se a caminho da Universidade. Foi ao departamento onde o Professor trabalha, conseguiu entrar no seu gabinete e ligou o seu telemóvel proporcionando uma conversa que acendeu a luz ao fundo do túnel.
Estou a escrever este texto ainda cansado da viagem mas com a sensação de dever cumprido. Além disso hoje descobri uma terapia espantosa que vou começar a trocar pelos mergulhos na piscina. O assunto que me levou a Coimbra ficou tratado a meio da manhã. O resto do dia foi para revisitar a cidade e os livreiros. A ideia é repetir a façanha todas as semanas visitando outros lugares, de preferência sem trabalho pelo meio.
O meu amigo Américo Oliveira, que ainda teve tempo para beber um café comigo e levar-me ao seu livreiro preferido, não valorizou muito a ajuda que me deu e achou que não tinha feito nada do outro mundo. É uma sorte ter bons amigos que têm os horizontes largos e sem neblinas. JAE
Algumas vezes os interesses imediatos na resolução de certos assuntos estão muito longe dos limites geográficos da nossa área de trabalho. Foi o que aconteceu recentemente: Precisava de falar urgentemente com um professor da Universidade de Coimbra. Depois de várias tentativas sem êxito telefonei ao meu amigo Américo Oliveira que vive em Coimbra e contei-lhe o que precisava. Desligou o telefone e meteu-se a caminho da Universidade. Foi ao departamento onde o Professor trabalha, conseguiu entrar no seu gabinete e ligou o seu telemóvel proporcionando uma conversa que acendeu a luz ao fundo do túnel.
Estou a escrever este texto ainda cansado da viagem mas com a sensação de dever cumprido. Além disso hoje descobri uma terapia espantosa que vou começar a trocar pelos mergulhos na piscina. O assunto que me levou a Coimbra ficou tratado a meio da manhã. O resto do dia foi para revisitar a cidade e os livreiros. A ideia é repetir a façanha todas as semanas visitando outros lugares, de preferência sem trabalho pelo meio.
O meu amigo Américo Oliveira, que ainda teve tempo para beber um café comigo e levar-me ao seu livreiro preferido, não valorizou muito a ajuda que me deu e achou que não tinha feito nada do outro mundo. É uma sorte ter bons amigos que têm os horizontes largos e sem neblinas. JAE
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Os jornalistas ao ataque
Ao longo destes últimos anos reuni com vários membros do Governo, sempre na minha qualidade de director deste jornal, aproveitando também o estatuto que fui ganhando por pertencer durante muitos anos aos órgãos sociais dos movimentos associativos do sector. Desde Arons de Carvalho até Augusto Santos Silva e Miguel Relvas não posso dizer que o meu trabalho alguma vez tenha dado frutos. Em todos os casos encontrei os membros do Governo tão ignorantes sobre os problemas da comunicação social local e regional como ignorantes deveriam ser sobre os problemas dos direitos humanos no Quénia.
Uma das últimas audiências foi com o antigo ministro do governo de Sócrates, Augusto Santos Silva. O ministro tinha ao seu lado a directora do Gabinete de Meios (Teresa Ribeiro) e recebeu-me numa audiência sem tempo marcado. Como levava a lição estudada falei 20 minutos sem me calar. A meia dúzia de tentativas para me interromper foram infrutíferas. A questão do preço mínimo de assinatura, o pagamento da assinatura à cabeça, o financiamento encapotado dos Correios com o Porte Pago, os critérios da atribuição do subsídio à reconversão tecnológica e a publicidade do Estado são dossiers cheios de incongruências e com uma gestão política literalmente irresponsável de tão fraquinha.
Quando acabei de expor os assuntos ao ministro ouvi com satisfação Santos Silva dar a palavra a Teresa Ribeiro para ela lhe explicar o que eram na verdade, trocados por miúdos, os assuntos que eu tinha posto em cima da mesa. Como é evidente fiquei de boca aberta; Santos Silva tinha a pasta da Comunicação Social mas não sabia nada de nada dos assuntos ligados ao sector.
Já no final da conversa que, como era previsível, não teve consequências, ouvi o senhor ministro dizer que para ele o espelho da imprensa local e regional era o jornal da sua terra, que começou a ser-lhe oferecido quando ele era professor numa determinada universidade, e que continuava a chegar embora ele já não exercesse o cargo há muitos anos.
Esta fraca gente que nos Governa de vez em quando fala verdade e o mundo parece que encolhe e ficamos, também nós, do tamanho dos liliputianos que são os seres do mundo onde vive a grande maioria dos políticos.
Trago o assunto aqui por causa de um texto que o director de informação da TVI, Sérgio Figueiredo, escreveu no Diário de Notícias, edição do dia 27 de Julho, a propósito da personalidade de Augusto Santos Silva. Faz falta mais gente com a coragem do Sérgio Figueiredo que não se compre e venda como quase sempre foi tradição nos grandes órgãos de Comunicação Social. JAE
Uma das últimas audiências foi com o antigo ministro do governo de Sócrates, Augusto Santos Silva. O ministro tinha ao seu lado a directora do Gabinete de Meios (Teresa Ribeiro) e recebeu-me numa audiência sem tempo marcado. Como levava a lição estudada falei 20 minutos sem me calar. A meia dúzia de tentativas para me interromper foram infrutíferas. A questão do preço mínimo de assinatura, o pagamento da assinatura à cabeça, o financiamento encapotado dos Correios com o Porte Pago, os critérios da atribuição do subsídio à reconversão tecnológica e a publicidade do Estado são dossiers cheios de incongruências e com uma gestão política literalmente irresponsável de tão fraquinha.
Quando acabei de expor os assuntos ao ministro ouvi com satisfação Santos Silva dar a palavra a Teresa Ribeiro para ela lhe explicar o que eram na verdade, trocados por miúdos, os assuntos que eu tinha posto em cima da mesa. Como é evidente fiquei de boca aberta; Santos Silva tinha a pasta da Comunicação Social mas não sabia nada de nada dos assuntos ligados ao sector.
Já no final da conversa que, como era previsível, não teve consequências, ouvi o senhor ministro dizer que para ele o espelho da imprensa local e regional era o jornal da sua terra, que começou a ser-lhe oferecido quando ele era professor numa determinada universidade, e que continuava a chegar embora ele já não exercesse o cargo há muitos anos.
Esta fraca gente que nos Governa de vez em quando fala verdade e o mundo parece que encolhe e ficamos, também nós, do tamanho dos liliputianos que são os seres do mundo onde vive a grande maioria dos políticos.
Trago o assunto aqui por causa de um texto que o director de informação da TVI, Sérgio Figueiredo, escreveu no Diário de Notícias, edição do dia 27 de Julho, a propósito da personalidade de Augusto Santos Silva. Faz falta mais gente com a coragem do Sérgio Figueiredo que não se compre e venda como quase sempre foi tradição nos grandes órgãos de Comunicação Social. JAE
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Um elogio ao fato-macaco
Ando à procura de mulheres para trabalhar que tenham experiência profissional como “gasolineiras”. Precisamos de gente para um ofício que exige prática em vestir o fato-macaco. A ideia que tenho é que as mulheres que trabalham ou trabalharam em postos de gasolina reúnem as aptidões que fazem delas grandes comunicadoras.
Na quinta-feira da semana passada estava no lançamento do novo livro do jornalista João Céu e Silva e partilhei o assunto com a Joana que me disse pelo telefone que já nada era como dantes. “Encontrei um dia destes uma dessas gasolineiras que parecia um pavão e só me apeteceu enfiar-lhe a mangueira pela boca abaixo”, desabafou, ao final da tarde de uma quinta-feira, que é o dia da semana em que tudo arde e cheira a peixe.
Estive meia hora de pé a conversar com a escritora Lídia Jorge que ouviu duas histórias da minha avó Ilda e devolveu duas histórias de vida da sua mãe (As mulheres são uma bruxas; quando ficam mais velhas tornam-se bruxas por causa de saberem tanto da vida e de adivinharem quase tudo o que acontece a quem as rodeia e lhes toca o coração).
O Professor Adriano Moreira foi convidado para apresentar o livro Adeus África. A livraria estava cheia de gente a cheirar a perfume Chanel e eu tinha no nariz o cheiro a gasolina. O Professor dava lições sobre a guerra, a crueldade e o poder das armas, e eu olhava para o telemóvel que tocava, tocava, sem que pudesse atender.
A Vânia, assessora de imprensa da editora, fartou-se de elogiar O MIRANTE enquanto conversava comigo mas eu olhava para ela e só queria ver uma mulher de fato-macaco. A Tânia, que tem 32 anos e foi elogiada publicamente por tudo o que fez pelo texto e pela capa do livro, podia ser a mulher que eu procurava mas não consegui vê-la entre tanta gente que foi ao lançamento do livro.
Enquanto bebo um sumo e como um bolo de coco, para repor energias (estive de pé a tarde toda e o dia de quinta-feira passou a correr), recebo uma mensagem que dizia “amo estar contigo”. Chegou por engano. Nesse dia, alguém que me é muito próximo, esteve toda a tarde “em cima” de uma gasolineira e deixei-a escapar. JAE
Na quinta-feira da semana passada estava no lançamento do novo livro do jornalista João Céu e Silva e partilhei o assunto com a Joana que me disse pelo telefone que já nada era como dantes. “Encontrei um dia destes uma dessas gasolineiras que parecia um pavão e só me apeteceu enfiar-lhe a mangueira pela boca abaixo”, desabafou, ao final da tarde de uma quinta-feira, que é o dia da semana em que tudo arde e cheira a peixe.
Estive meia hora de pé a conversar com a escritora Lídia Jorge que ouviu duas histórias da minha avó Ilda e devolveu duas histórias de vida da sua mãe (As mulheres são uma bruxas; quando ficam mais velhas tornam-se bruxas por causa de saberem tanto da vida e de adivinharem quase tudo o que acontece a quem as rodeia e lhes toca o coração).
O Professor Adriano Moreira foi convidado para apresentar o livro Adeus África. A livraria estava cheia de gente a cheirar a perfume Chanel e eu tinha no nariz o cheiro a gasolina. O Professor dava lições sobre a guerra, a crueldade e o poder das armas, e eu olhava para o telemóvel que tocava, tocava, sem que pudesse atender.
A Vânia, assessora de imprensa da editora, fartou-se de elogiar O MIRANTE enquanto conversava comigo mas eu olhava para ela e só queria ver uma mulher de fato-macaco. A Tânia, que tem 32 anos e foi elogiada publicamente por tudo o que fez pelo texto e pela capa do livro, podia ser a mulher que eu procurava mas não consegui vê-la entre tanta gente que foi ao lançamento do livro.
Enquanto bebo um sumo e como um bolo de coco, para repor energias (estive de pé a tarde toda e o dia de quinta-feira passou a correr), recebo uma mensagem que dizia “amo estar contigo”. Chegou por engano. Nesse dia, alguém que me é muito próximo, esteve toda a tarde “em cima” de uma gasolineira e deixei-a escapar. JAE
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Joaquim Veríssimo Serrão
Tenho uma admiração especial pelo Professor Joaquim Veríssimo Serrão. Já devo ter contado que me meti com ele numa altura em que prefaciou um livro de Maria Manuel Cid, mulher ilustre de quem guardo saudades e por quem também tinha verdadeira admiração. Era minha vizinha e cheguei a sentar-me com ela à camilha na sua casa. A minha embirração com o Professor derivava dos salamaleques que ele gostava de cultivar e que admitia à sua volta. Joaquim Veríssimo Serrão é doutro tempo e aquela forma respeitosa como aceitava convites para conferências e para prefaciar livros era a sua melhor forma de ser útil a quem o procurava. Atitude que só o valoriza, dá sinal da sua incomensurável paciência e bondade e, acima de tudo, devolve, ou devolvia, o Homem que está por detrás do grande autor da “História de Portugal”. Professor insigne e personagem incontornável da nossa História dos últimos anos sem lugar nas fotos ao lado dos políticos da nossa praça e dos seus interesses mesquinhos e pífios.
Como, entretanto, (passados quase 30 anos) fizemos amigos comuns, cheguei a participar em almoços em que um dos seus maiores amigos e admiradores lhe tentava vender a realidade actual da nossa democracia, com a mesma perseverança e atitude que ele depois respondia, recordando os nomes dos oportunistas e dos vira-casacas do regime, e insistia que Salazar não era assim tão mau como o pintavam.
Era uma opinião coerente, assumida entre amigos, que trago aqui porque estamos todos mais tolerantes, para não dizer desiludidos, com os vendilhões de todos os templos e de todos os tempos, e as ideologias estão cada vez mais esbatidas, e os chamados progressistas parecem os novos fascistas do nosso tempo. Fruto da discussão, a conversa acabava com Joaquim Veríssimo Serrão a dar a mão à palmatória, para contentamento desse nosso amigo, que tem por ele a maior admiração intelectual e gostava de o sentir mais ligado à terra.
Joaquim Veríssimo Serrão está numa residência para idosos há alguns anos, assim que teve um achaque que o deixou diminuído. Ainda corresponde aos afectos dos amigos e beija a mão das senhoras amigas que o visitam. Quando estamos com ele apetece apertá-lo contra o peito como fazemos com os nossos filhos ou fazíamos aos nossos avós quando tínhamos saudades.
Uma vez ouvi o provocador do Mário Cezariny dizer que tinha muitos amigos a passarem-lhe a mão pelas costas mas depois das festas, com ou sem livros, todos o abandonavam à porta de casa e deixavam-no sozinho a enfrentar as noites que nunca mais tinham fim. A última vez que visitei o Professor Joaquim Veríssimo Serrão tive vontade de entrar na sua solidão e deixar lá um poema de Maria Manuel Cid. JAE
Como, entretanto, (passados quase 30 anos) fizemos amigos comuns, cheguei a participar em almoços em que um dos seus maiores amigos e admiradores lhe tentava vender a realidade actual da nossa democracia, com a mesma perseverança e atitude que ele depois respondia, recordando os nomes dos oportunistas e dos vira-casacas do regime, e insistia que Salazar não era assim tão mau como o pintavam.
Era uma opinião coerente, assumida entre amigos, que trago aqui porque estamos todos mais tolerantes, para não dizer desiludidos, com os vendilhões de todos os templos e de todos os tempos, e as ideologias estão cada vez mais esbatidas, e os chamados progressistas parecem os novos fascistas do nosso tempo. Fruto da discussão, a conversa acabava com Joaquim Veríssimo Serrão a dar a mão à palmatória, para contentamento desse nosso amigo, que tem por ele a maior admiração intelectual e gostava de o sentir mais ligado à terra.
Joaquim Veríssimo Serrão está numa residência para idosos há alguns anos, assim que teve um achaque que o deixou diminuído. Ainda corresponde aos afectos dos amigos e beija a mão das senhoras amigas que o visitam. Quando estamos com ele apetece apertá-lo contra o peito como fazemos com os nossos filhos ou fazíamos aos nossos avós quando tínhamos saudades.
Uma vez ouvi o provocador do Mário Cezariny dizer que tinha muitos amigos a passarem-lhe a mão pelas costas mas depois das festas, com ou sem livros, todos o abandonavam à porta de casa e deixavam-no sozinho a enfrentar as noites que nunca mais tinham fim. A última vez que visitei o Professor Joaquim Veríssimo Serrão tive vontade de entrar na sua solidão e deixar lá um poema de Maria Manuel Cid. JAE
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