“Estávamos melhor contra Franco”. Esta frase gritada por manifestantes em Espanha chocou Luís Buñuel que assim o registou numa autobiografia intitulada “O meu último suspiro” que já reli algumas vezes. Há três décadas alguns jornais locais e regionais portugueses tinham colunistas que faziam a apologia do antigo regime e escreviam contra os partidos de esquerda e os seus militantes como não escreviam contra as misérias do antigamente. Lembro-me de ficar chocado com a leitura e de me questionar sobre como era possível a revolução de Abril não ter mudado todas as mentalidades.
Hoje a grande maioria desses jornais já não se editam e os que sobrevivem já não têm esses colunistas porque entretanto morreram.
Os casos de corrupção que abalam a sociedade portuguesa, protagonizados por políticos e empresários amigos de políticos, fazem com que me arrependa de alguns juízos de valor que fiz de pessoas de bem que, na altura, apelidei com nomes feios. Mais ainda: a forma como os deputados da Nação continuam a misturar interesses do Estado com interesses profissionais é vergonhosa e tão inadmissível nos tempos de hoje como ver alguém a catequizar o fascismo ou a monarquia.
Um jornalista de O MIRANTE tem provas de que um ex-governante de Santarém usou e abusou do seu emprego público para facturar em nome dos seus interesses empresariais. Curiosamente já vamos no segundo pedido ao tribunal para noticiarmos o caso mas o Tribunal acha que primeiro temos que ir a Fátima a pé.
Estávamos melhor contra Salazar do que contra esta gente que meteu dinheiro do Estado no Banif, deixou que o país perdesse milhões com a falência de outros bancos e vai estudar para Paris porque lá o filé mignon é de maior qualidade? Eu acho que não. Vou morrer confiando na democracia que nasceu com o 25 de Abril sem querer saber dos patos bravos que enriqueceram à custa do Estado e à sombra dos emblemas partidários. JAE
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
O Nelson Carvalho, o Mário Calado e os empresários
Estou habituado a ouvir muitas queixinhas de gente que nem sempre é pobre de espírito; faço a gestão conforme posso. Apesar do espírito de Natal arrisco duas questões nesta coluna que certamente vão agradar aos anjos e ofender os criadores (tudo com letra pequena para que os santos não se zanguem comigo).
Há um fervor em Abrantes por causa de uma auditoria que Nelson Carvalho mandou fazer no CRIA assim que tomou posse como presidente, numa clara afronta a Humberto Lopes, o dirigente associativo que ele foi substituir. A verdade é que já nos mandaram recados mas, depois, quando vamos para agarrar na história dizem que somos terroristas e queremos é fazer sangue. É certo que vamos contar a história. Quando toca a interesses de gente que se julga muito importante não conheço outro jornal que seja capaz de pegar os bois pelos cornos.
O actual presidente da Junta de Vila Franca de Xira, Mário Calado, é um dos melhores amigos de O MIRANTE. Na última assembleia municipal resolveu usar da palavra e, de jornal na mão, criticou o trabalho do jornalista que acompanha as sessões fazendo dele o mau da fita. Pelo meio deixou os recados habituais para a administração do jornal que são os mesmos de sempre: quando as notícias não agradam a culpa é do mensageiro.
O MIRANTE agradece ao senhor Mário Calado e, entretanto, mudando de agulha, prometemos que não voltamos a fazer-lhe perguntas sobre a rádio Ateneu.
O Galardão Empresa do Ano que O MIRANTE organiza em conjunto com a NERSANT vai ter lugar esta quinta-feira em Benavente. Fica aqui a lembrança porque a iniciativa marca o calendário das iniciativas da região e continua a ser a melhor forma de valorizar os empresários e as empresas da região onde também trabalhamos e fazemos serviço público. Os empresários, principalmente os pequenos e médios empresários, continuam a ser a salvação do país. São eles que pagam impostos e dão emprego.
JAE
Há um fervor em Abrantes por causa de uma auditoria que Nelson Carvalho mandou fazer no CRIA assim que tomou posse como presidente, numa clara afronta a Humberto Lopes, o dirigente associativo que ele foi substituir. A verdade é que já nos mandaram recados mas, depois, quando vamos para agarrar na história dizem que somos terroristas e queremos é fazer sangue. É certo que vamos contar a história. Quando toca a interesses de gente que se julga muito importante não conheço outro jornal que seja capaz de pegar os bois pelos cornos.
O actual presidente da Junta de Vila Franca de Xira, Mário Calado, é um dos melhores amigos de O MIRANTE. Na última assembleia municipal resolveu usar da palavra e, de jornal na mão, criticou o trabalho do jornalista que acompanha as sessões fazendo dele o mau da fita. Pelo meio deixou os recados habituais para a administração do jornal que são os mesmos de sempre: quando as notícias não agradam a culpa é do mensageiro.
O MIRANTE agradece ao senhor Mário Calado e, entretanto, mudando de agulha, prometemos que não voltamos a fazer-lhe perguntas sobre a rádio Ateneu.
O Galardão Empresa do Ano que O MIRANTE organiza em conjunto com a NERSANT vai ter lugar esta quinta-feira em Benavente. Fica aqui a lembrança porque a iniciativa marca o calendário das iniciativas da região e continua a ser a melhor forma de valorizar os empresários e as empresas da região onde também trabalhamos e fazemos serviço público. Os empresários, principalmente os pequenos e médios empresários, continuam a ser a salvação do país. São eles que pagam impostos e dão emprego.
JAE
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Deus vive na Net
Até ao Ano Novo vai ser difícil escrever crónicas. Começa a época das azevias, do Bolo-Rei e dos velhozes. De dia trabalha-se muito e à noite, quando chega a hora do serão, o que menos apetece é escrever crónicas sobre o dia de trabalho. Aliás, com Costa ou sem Costa, o país vai devagarinho recuperando o velho atraso em relação à Europa Ocidental. Dou um exemplo:
Há bem pouco tempo demorei uma eternidade a preencher papéis e a fazer reconhecimentos notariais para depois me dirigir a um serviço público e fazer a transferência de propriedade de um carro. Tinha o problema quase resolvido quando o funcionário reparou que a um canto do formulário alguém tinha usado corrector para desfazer um erro. Foi o bastante para me mandar dar uma volta e repetir todos os caminhos e despesas que já tinha feito. Como já sou burro velho deixei passar dois dias e lá veio o momento de inspiração. Entreguei o trabalho a um advogado que pela internet resolveu o problema em dois dias sem que eu precisasse de voltar a fazer a via sacra nomeadamente recolhendo novas assinaturas.
Deus vive na internet e é amigo de todos os pobres diabos como eu que têm que lutar pela vida e acham que um cêntimo ainda é dinheiro. Não sei quanto vou pagar ao advogado mas pelo menos livrei-me de chamar nomes feios a um funcionário público. Não é coisa pouca para quem anda todo o dia no fanico e não joga nem pede milagres. É evidente que também vou aproveitar o tempo de Natal para me santificar, como todos os pobres diabos e, quem sabe, ainda aproveito a fama do Padre Borga e começo a ir à missa à Chamusca onde o padre cantor enche a igreja matriz.
Ainda a propósito da internet: França é o país estrangeiro onde os leitores online de O MIRANTE mais procuram as nossas notícias. A seguir vem a Inglaterra; depois o Brasil e a Alemanha.
O MIRANTE vai ter um novo sítio em breve. Já ultrapassamos o prazo de validade do sítio actual mas a política que mantemos de dar informação sem pagamento de assinatura limita o investimento na plataforma online. O MIRANTE tem mensalmente mais de meio milhão de visitantes únicos. E vamos vivendo apenas do investimento publicitário como aliás é política também ao nível da edição em papel. JAE
Há bem pouco tempo demorei uma eternidade a preencher papéis e a fazer reconhecimentos notariais para depois me dirigir a um serviço público e fazer a transferência de propriedade de um carro. Tinha o problema quase resolvido quando o funcionário reparou que a um canto do formulário alguém tinha usado corrector para desfazer um erro. Foi o bastante para me mandar dar uma volta e repetir todos os caminhos e despesas que já tinha feito. Como já sou burro velho deixei passar dois dias e lá veio o momento de inspiração. Entreguei o trabalho a um advogado que pela internet resolveu o problema em dois dias sem que eu precisasse de voltar a fazer a via sacra nomeadamente recolhendo novas assinaturas.
Deus vive na internet e é amigo de todos os pobres diabos como eu que têm que lutar pela vida e acham que um cêntimo ainda é dinheiro. Não sei quanto vou pagar ao advogado mas pelo menos livrei-me de chamar nomes feios a um funcionário público. Não é coisa pouca para quem anda todo o dia no fanico e não joga nem pede milagres. É evidente que também vou aproveitar o tempo de Natal para me santificar, como todos os pobres diabos e, quem sabe, ainda aproveito a fama do Padre Borga e começo a ir à missa à Chamusca onde o padre cantor enche a igreja matriz.
Ainda a propósito da internet: França é o país estrangeiro onde os leitores online de O MIRANTE mais procuram as nossas notícias. A seguir vem a Inglaterra; depois o Brasil e a Alemanha.
O MIRANTE vai ter um novo sítio em breve. Já ultrapassamos o prazo de validade do sítio actual mas a política que mantemos de dar informação sem pagamento de assinatura limita o investimento na plataforma online. O MIRANTE tem mensalmente mais de meio milhão de visitantes únicos. E vamos vivendo apenas do investimento publicitário como aliás é política também ao nível da edição em papel. JAE
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Trocar o Tejo pelo Sena
Estive em Paris nos dias a seguir ao actual estado de guerra e cumpri a minha agenda com um ligeiro desvio da Rua Taillandiers onde o Fernando Graça tem um bar que, segundo me contou na altura da inauguração, está decorado com postais antigos de Lisboa.
Por enquanto não troco a minha aldeia por qualquer outra aldeia do mundo. Não troco o Tejo pelo Sena nem morto. Viajei atrás de duas exposições das muitas que se realizam pelo mundo e que nunca chegam a Lisboa, a Santarém ou a Tomar, só para falar de três cidades que fazem parte da minha vida. Uma delas tem por título “Esplendores e Misérias - Imagens da Prostituição de 1859 a 1910” e permitiu-me ver filmes pornográficos no Musée d’Orsay, porventura um dos melhores museus do mundo, ao lado de respeitados senhores e senhoras de todas as idades e nacionalidades, que aceitavam um pequeno desvio das salas onde se exibem pinturas centenárias de Edgar Degas, Edvard Munch, Henri de Toulouse-Lautrec, entre muitos outros autores da época. O desvio é para dentro de uma sala com cortinados vermelhos onde o cinema pornográfico da altura é exibido como obra de arte. São pequenos filmes de autores anónimos que coincidem com o início da era do cinema e que demonstram bem o quanto teria sido importante para nós, cidadãos com o mundo do lado de lá de um computador, que já houvesse cinema no tempo de Sodoma e Gomorra.
Quatro dias de Paris chegam e sobram para ficar com saudades de Lisboa ou da Chamusca, da mota, do cinema à porta de casa, dos livros à mão de semear, dos caminhos da lezíria e da charneca ribatejana.
Esta crónica foi escrita no aeroporto de Orly, enquanto lia o El País, edição de sábado, e tomava outras notas. Ainda não tinha saído da cidade e já viajava para a Feira do Livro de Guadalajara, no México, com os 12 escritores ingleses recomendados por Alberto Manguel; e lia sobre a correspondência de Gabriel Garcia Marquez com Gonzalo Rojas, um poeta chileno que conheci na sua casa, no Chile, e que um dia tenho que ajudar a traduzir para português; e ainda em Paris, lendo o Babelia, continuo a tomar boa nota da situação de guerra que ainda se vive na cidade de Balzac e Zola mas ligado ao mundo pelas palavras de Ian McEwan que em entrevista tenta explicar “o mistério” de haver tanta gente de boas famílias da Europa ligada às causas terroristas que chegam da Arábia. O título da entrevista diz tudo: “Lá utopia es una de las nociones más destrutivas”. JAE
Por enquanto não troco a minha aldeia por qualquer outra aldeia do mundo. Não troco o Tejo pelo Sena nem morto. Viajei atrás de duas exposições das muitas que se realizam pelo mundo e que nunca chegam a Lisboa, a Santarém ou a Tomar, só para falar de três cidades que fazem parte da minha vida. Uma delas tem por título “Esplendores e Misérias - Imagens da Prostituição de 1859 a 1910” e permitiu-me ver filmes pornográficos no Musée d’Orsay, porventura um dos melhores museus do mundo, ao lado de respeitados senhores e senhoras de todas as idades e nacionalidades, que aceitavam um pequeno desvio das salas onde se exibem pinturas centenárias de Edgar Degas, Edvard Munch, Henri de Toulouse-Lautrec, entre muitos outros autores da época. O desvio é para dentro de uma sala com cortinados vermelhos onde o cinema pornográfico da altura é exibido como obra de arte. São pequenos filmes de autores anónimos que coincidem com o início da era do cinema e que demonstram bem o quanto teria sido importante para nós, cidadãos com o mundo do lado de lá de um computador, que já houvesse cinema no tempo de Sodoma e Gomorra.
Quatro dias de Paris chegam e sobram para ficar com saudades de Lisboa ou da Chamusca, da mota, do cinema à porta de casa, dos livros à mão de semear, dos caminhos da lezíria e da charneca ribatejana.
Esta crónica foi escrita no aeroporto de Orly, enquanto lia o El País, edição de sábado, e tomava outras notas. Ainda não tinha saído da cidade e já viajava para a Feira do Livro de Guadalajara, no México, com os 12 escritores ingleses recomendados por Alberto Manguel; e lia sobre a correspondência de Gabriel Garcia Marquez com Gonzalo Rojas, um poeta chileno que conheci na sua casa, no Chile, e que um dia tenho que ajudar a traduzir para português; e ainda em Paris, lendo o Babelia, continuo a tomar boa nota da situação de guerra que ainda se vive na cidade de Balzac e Zola mas ligado ao mundo pelas palavras de Ian McEwan que em entrevista tenta explicar “o mistério” de haver tanta gente de boas famílias da Europa ligada às causas terroristas que chegam da Arábia. O título da entrevista diz tudo: “Lá utopia es una de las nociones más destrutivas”. JAE
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
A Justiça em Tribunal e a defesa de Sousa Gomes
O Tribunal de Almeirim reteve durante cerca de sete anos um processo contra o presidente da câmara municipal, Joaquim Sousa Gomes, que deixou o cargo em 2013. O autarca tem estado a ser julgado em audiências que terminaram esta semana e defendeu-se da acusação do Ministério Público dizendo que sempre quis fazer o bem para a sua terra e para as suas gentes e que não retirou qualquer benefício pessoal do cargo de presidente da câmara como, aliás, é público e notório para quem conhece o autarca, a sua família, e o acompanha no seu dia a dia...
Debilitado fisicamente e psicologicamente, devido a doença, Joaquim Sousa Gomes está a ser alvo de uma injustiça que deveria fazer sentar em tribunal os governantes portugueses que fazem da Justiça um pau de dois bicos. Sousa Gomes está a sentir na pele e na sua própria vida o problema que ajudou a criar levando um tribunal para Almeirim. Se o ex-autarca tivesse sido julgado em tempo justo outro galo cantaria em sua defesa. Nesta altura os juízes do Tribunal de Santarém querem julgar um processo mas o que estão a fazer verdadeiramente é a matar um arguido. A falta de saúde de Sousa Gomes, e o vexame que já manifestou estar a sentir, matam como qualquer cidadão honrado sabe muito bem. Era o Estado Português e os responsáveis pela falta de Justiça nos tribunais portugueses que deveriam estar a ser julgados neste momento e não o autarca reformado com direito a viver em paz os últimos anos de vida.
JAE
Comentário à noticia: http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=731&id=113157&idSeccao=13286&Action=noticia#.Vk2yCHbhBhE
Debilitado fisicamente e psicologicamente, devido a doença, Joaquim Sousa Gomes está a ser alvo de uma injustiça que deveria fazer sentar em tribunal os governantes portugueses que fazem da Justiça um pau de dois bicos. Sousa Gomes está a sentir na pele e na sua própria vida o problema que ajudou a criar levando um tribunal para Almeirim. Se o ex-autarca tivesse sido julgado em tempo justo outro galo cantaria em sua defesa. Nesta altura os juízes do Tribunal de Santarém querem julgar um processo mas o que estão a fazer verdadeiramente é a matar um arguido. A falta de saúde de Sousa Gomes, e o vexame que já manifestou estar a sentir, matam como qualquer cidadão honrado sabe muito bem. Era o Estado Português e os responsáveis pela falta de Justiça nos tribunais portugueses que deveriam estar a ser julgados neste momento e não o autarca reformado com direito a viver em paz os últimos anos de vida.
JAE
Comentário à noticia: http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=731&id=113157&idSeccao=13286&Action=noticia#.Vk2yCHbhBhE
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
O exemplo da NERSANT
A semana iniciou-se na região do Médio Tejo com um Encontro Internacional de Negócios promovido pela NERSANT. Fui ver a sessão de abertura e a azáfama dos empresários que meia hora depois já enchiam a sala que a organização preparou para as apresentações e eventuais negócios. É com estas iniciativas que se faz uma região forte. Não vi autarcas, nem responsáveis pelos Politécnicos, nem sei de agentes ligados às associações de desenvolvimento local que se tenham interessado até agora pela iniciativa. Há muitos anos que a NERSANT é um exemplo de associativismo empresarial com provas dadas. Não faz sentido ver algumas instituições a remarem contra a maré ou lutando contra moinhos de vento só porque os Governos ainda apoiam políticas à Dom Quixote.
O PCP não diz uma palavra sobre o jovem activista luso-angolano que está em greve de fome contra os mais elementares direitos num país democrático. José Eduardo dos Santos é Presidente da República há 36 anos de um país que tem a maior taxa de mortalidade infantil do mundo: uma em cada seis crianças morre antes dos seis anos de idade. E este é só um pequeno pormenor do país governado por amigos políticos de Jerónimo de Sousa e companhia. Por mim podem continuar a apregoar o comunismo que eu vou ali inscrever-me na Amnistia Internacional para não me ficar pelas palavras.
Das 64 páginas de O MIRANTE da edição da passada semana mais de metade eram de publicidade. Fui dos que ajudei a repaginar o jornal para que entrasse toda a publicidade de última hora. Na semana passada não vi outro jornal de dimensão nacional ou regional com o volume de publicidade que nós publicamos. Era uma edição normal; o trabalho das nossas equipas é que é sempre anormal; e de vez em quando temos destas boas surpresas. JAE
O PCP não diz uma palavra sobre o jovem activista luso-angolano que está em greve de fome contra os mais elementares direitos num país democrático. José Eduardo dos Santos é Presidente da República há 36 anos de um país que tem a maior taxa de mortalidade infantil do mundo: uma em cada seis crianças morre antes dos seis anos de idade. E este é só um pequeno pormenor do país governado por amigos políticos de Jerónimo de Sousa e companhia. Por mim podem continuar a apregoar o comunismo que eu vou ali inscrever-me na Amnistia Internacional para não me ficar pelas palavras.
Das 64 páginas de O MIRANTE da edição da passada semana mais de metade eram de publicidade. Fui dos que ajudei a repaginar o jornal para que entrasse toda a publicidade de última hora. Na semana passada não vi outro jornal de dimensão nacional ou regional com o volume de publicidade que nós publicamos. Era uma edição normal; o trabalho das nossas equipas é que é sempre anormal; e de vez em quando temos destas boas surpresas. JAE
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Os actores e a vida real
O teatro promovido pelo Carlos Carvalheiro, encenador do Fatias de Cá, tem uma particularidade que é única e merece ser destacada. O encenador não se limita ao trabalho com os actores e à montagem do espectáculo; preocupa-se com o bem-estar dos espectadores e tenta que cada um deles viva uma experiência diferente cada vez que assiste a um dos espectáculos do Fatias de Cá. Nem sempre resulta porque há actores mais envergonhados e há espectadores ainda mais tímidos que fazem questão de fugir às regras estabelecidas, ou seja, há actores que fogem do chá final para poderem confraternizar com os espectadores e há espectadores que demoram a libertar-se dos pruridos quando chega a hora do convívio à mesa a meio do espectáculo. Mas o esforço não é inglório, na minha simples opinião, e deve continuar a marcar a diferença, embora possa roubar espectadores por causa dos preços proibitivos.
Na estreia de Lear, e no final do espectáculo, os actores estavam cansados e percebeu-se perfeitamente que só ficaram para conviver aqueles que assumem a direcção do grupo e fazem questão de dar a cara para que a imagem da organização não fique em causa. Falamos de um pormenor mas que faz toda a diferença. O MIRANTE chegou ao Palácio Marquês da Fronteira por voltas das 16h30 e todos os actores já estavam dentro das instalações. Cinco horas depois os actores estavam a despir a roupa do faz de conta a a vestir a ganga da vida real. E muitos deles gostam de representar e de receber elogios mas a vida em casa espera e é muitas vezes tão cruel como a vida dos reis infelizes e dos seus familiares.
Vítor Hugo é um bom exemplo do que acabamos de concluir. O actor amador da Chamusca tem quase 80 anos de vida, embora a representar tenha a energia de um jovem de 20, na vida real as coisas nem sempre são o que parecem. E para lhe roubarmos um abraço na despedida foi preciso vir ao seu encontro à entrada do Palácio já que a sua grande preocupação, assim que acabou a cena, foi regressar a correr à Chamusca para junto da mulher da sua vida. JAE
Comentário à noticia: http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=726&id=112386&idSeccao=13176&Action=noticia#.Vh97city3uM
Na estreia de Lear, e no final do espectáculo, os actores estavam cansados e percebeu-se perfeitamente que só ficaram para conviver aqueles que assumem a direcção do grupo e fazem questão de dar a cara para que a imagem da organização não fique em causa. Falamos de um pormenor mas que faz toda a diferença. O MIRANTE chegou ao Palácio Marquês da Fronteira por voltas das 16h30 e todos os actores já estavam dentro das instalações. Cinco horas depois os actores estavam a despir a roupa do faz de conta a a vestir a ganga da vida real. E muitos deles gostam de representar e de receber elogios mas a vida em casa espera e é muitas vezes tão cruel como a vida dos reis infelizes e dos seus familiares.
Vítor Hugo é um bom exemplo do que acabamos de concluir. O actor amador da Chamusca tem quase 80 anos de vida, embora a representar tenha a energia de um jovem de 20, na vida real as coisas nem sempre são o que parecem. E para lhe roubarmos um abraço na despedida foi preciso vir ao seu encontro à entrada do Palácio já que a sua grande preocupação, assim que acabou a cena, foi regressar a correr à Chamusca para junto da mulher da sua vida. JAE
Comentário à noticia: http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=726&id=112386&idSeccao=13176&Action=noticia#.Vh97city3uM
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