Sou, como milhares de portugueses, uma pessoa que sofre da doença da tiróide. Há mais de duas décadas que sei que posso morrer de cancro mas isso nunca me tirou o sono.
Um dia destes voltei ao médico, velho e com cara de cansado, e percebi que ele agora tem muito menos de um terço dos doentes. Fui lá duas vezes seguidas e das duas vezes o consultório pareceu-me de província. O médico, que eu nunca tinha visto de bata do lado de cá da secretária, passou duas vezes pelo corredor de cabeça baixa para evitar dizer adeus aos doentes. Em compensação a empregada tratou-me pelo apelido e na despedida soletrou o primeiro e último nome. Depois de sair da consulta confirmo o que já sei há mais de 20 anos: vou morrer de todas as doenças menos do problema da tiróide.
O médico e investigador Sobrinho Simões, que recentemente foi considerado o patologista mais influente do mundo, avisou recentemente que estamos a fazer um sobrediagnóstico e sobretratamento em cancros como o da próstata, da mama e da tiróide. Tratamos por excesso, diz ele, acrescentando que não recomenda as análises ao PSA e que é urgente combater os excessos de tecnologia nos tratamentos destas doenças.
Enquanto escrevo esta crónica acompanho pelo computador o estado da minha Nação; quero dizer: abandonei o campo de batalha e estou num retiro a fumar só dois cigarros por dia, a seguir uma dieta rigorosa e a nadar duas horas de manhã e outras duas horas ao final da tarde. Dizem que a boa vida faz bem à saúde. Certamente vou morrer exactamente no dia e na data que já está escrito nas estrelas. Mas morrerei de barriga cheia e não enjoado e azedo como tenho andado nos últimos anos.
NOTA: Esta coisa de escrever para uma página semanal tem as suas vantagens mas são muitas mais as desvantagens. Depois de escrever esta crónica tive notícias terríveis sobre pessoas minhas conhecidas que apareceram com cancro ou foram internadas com aneurismas. Ninguém merece um Natal com este tipo de notícias. Muito menos pessoas jovens que nunca fizeram mal a uma mosca. Se é verdade que Deus existe... o sacana deve ter cabelos no coração!
JAE
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Há velhos que nos fazem falta
A morte do Senhor Francisco Leonor, o antiquário de Almeirim, é uma perda para mim embora não seja da família nem tenha sido seu grande amigo. Era, no entanto, há mais de 30 anos, uma pessoa próxima com quem treinava regularmente a conquista da confiança. A minha postura humilde e bom ouvinte fizeram com que ao longo dos anos soubesse pequenos segredos que ainda hoje me servem de alimento e me dão prazer gerir.
O feitio e a forma de estar de Vasco Graça Moura é um deles. O escritor e político, que comprou casa em Benfica do Ribatejo, era desde há muitos anos amigo e cliente do senhor Leonor. Como a minha curiosidade sempre foi mais intelectual que material ouvi muitas conversas que me deliciaram e me fizeram perceber o mundo em que certa gente se movimenta.Vasco Graça Moura era um perfeccionista e um Homem que não se deixava apanhar nem por um cabelo.
Não posso falar aqui dos casos de figuras públicas manhosas, tão ou mais negociantes que o próprio Francisco Leonor. Mas registei muitos casos de figuras públicas que parecem o contrário daquilo que realmente são. Alguns episódios dariam grandes histórias e alimentariam a curiosidade popular. Mas falar deles tão cruelmente, e agora pela boca de um morto, não seria a melhor maneira de lhes chegar a roupa ao pêlo. Nem o Senhor Leonor me perdoaria.
É verdade que não há pessoas insubstituíveis. É verdade que o Senhor Leonor deveria parecer a muita gente um tipo forreta, espertalhão, oportunista, etc, etc, nomes que não faltarão no dicionário para quem gosta de apelidar pessoas de trabalho que fazem o mundo girar ainda que seja o nosso pequeno mundo. Eu próprio fui vítima, algumas vezes, da sua arte de negociar; da sua paixão pela conversa que nem sempre era a que mais me interessava. Só o filho da onça é que já nasce pintado. Com a morte de Francisco Leonor voltei a lembrar-me de algum velhos sábios que me ensinaram a sobreviver, ou seja, a viver à custa do meu trabalho sem nunca contar com o ovo no cu da galinha; Muito do que sei devo-o aos homens dos ofícios. O que ainda tenho para aprender nem eu sei.
JAE
O feitio e a forma de estar de Vasco Graça Moura é um deles. O escritor e político, que comprou casa em Benfica do Ribatejo, era desde há muitos anos amigo e cliente do senhor Leonor. Como a minha curiosidade sempre foi mais intelectual que material ouvi muitas conversas que me deliciaram e me fizeram perceber o mundo em que certa gente se movimenta.Vasco Graça Moura era um perfeccionista e um Homem que não se deixava apanhar nem por um cabelo.
Não posso falar aqui dos casos de figuras públicas manhosas, tão ou mais negociantes que o próprio Francisco Leonor. Mas registei muitos casos de figuras públicas que parecem o contrário daquilo que realmente são. Alguns episódios dariam grandes histórias e alimentariam a curiosidade popular. Mas falar deles tão cruelmente, e agora pela boca de um morto, não seria a melhor maneira de lhes chegar a roupa ao pêlo. Nem o Senhor Leonor me perdoaria.
É verdade que não há pessoas insubstituíveis. É verdade que o Senhor Leonor deveria parecer a muita gente um tipo forreta, espertalhão, oportunista, etc, etc, nomes que não faltarão no dicionário para quem gosta de apelidar pessoas de trabalho que fazem o mundo girar ainda que seja o nosso pequeno mundo. Eu próprio fui vítima, algumas vezes, da sua arte de negociar; da sua paixão pela conversa que nem sempre era a que mais me interessava. Só o filho da onça é que já nasce pintado. Com a morte de Francisco Leonor voltei a lembrar-me de algum velhos sábios que me ensinaram a sobreviver, ou seja, a viver à custa do meu trabalho sem nunca contar com o ovo no cu da galinha; Muito do que sei devo-o aos homens dos ofícios. O que ainda tenho para aprender nem eu sei.
JAE
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Estávamos melhor contra Salazar?
“Estávamos melhor contra Franco”. Esta frase gritada por manifestantes em Espanha chocou Luís Buñuel que assim o registou numa autobiografia intitulada “O meu último suspiro” que já reli algumas vezes. Há três décadas alguns jornais locais e regionais portugueses tinham colunistas que faziam a apologia do antigo regime e escreviam contra os partidos de esquerda e os seus militantes como não escreviam contra as misérias do antigamente. Lembro-me de ficar chocado com a leitura e de me questionar sobre como era possível a revolução de Abril não ter mudado todas as mentalidades.
Hoje a grande maioria desses jornais já não se editam e os que sobrevivem já não têm esses colunistas porque entretanto morreram.
Os casos de corrupção que abalam a sociedade portuguesa, protagonizados por políticos e empresários amigos de políticos, fazem com que me arrependa de alguns juízos de valor que fiz de pessoas de bem que, na altura, apelidei com nomes feios. Mais ainda: a forma como os deputados da Nação continuam a misturar interesses do Estado com interesses profissionais é vergonhosa e tão inadmissível nos tempos de hoje como ver alguém a catequizar o fascismo ou a monarquia.
Um jornalista de O MIRANTE tem provas de que um ex-governante de Santarém usou e abusou do seu emprego público para facturar em nome dos seus interesses empresariais. Curiosamente já vamos no segundo pedido ao tribunal para noticiarmos o caso mas o Tribunal acha que primeiro temos que ir a Fátima a pé.
Estávamos melhor contra Salazar do que contra esta gente que meteu dinheiro do Estado no Banif, deixou que o país perdesse milhões com a falência de outros bancos e vai estudar para Paris porque lá o filé mignon é de maior qualidade? Eu acho que não. Vou morrer confiando na democracia que nasceu com o 25 de Abril sem querer saber dos patos bravos que enriqueceram à custa do Estado e à sombra dos emblemas partidários. JAE
Hoje a grande maioria desses jornais já não se editam e os que sobrevivem já não têm esses colunistas porque entretanto morreram.
Os casos de corrupção que abalam a sociedade portuguesa, protagonizados por políticos e empresários amigos de políticos, fazem com que me arrependa de alguns juízos de valor que fiz de pessoas de bem que, na altura, apelidei com nomes feios. Mais ainda: a forma como os deputados da Nação continuam a misturar interesses do Estado com interesses profissionais é vergonhosa e tão inadmissível nos tempos de hoje como ver alguém a catequizar o fascismo ou a monarquia.
Um jornalista de O MIRANTE tem provas de que um ex-governante de Santarém usou e abusou do seu emprego público para facturar em nome dos seus interesses empresariais. Curiosamente já vamos no segundo pedido ao tribunal para noticiarmos o caso mas o Tribunal acha que primeiro temos que ir a Fátima a pé.
Estávamos melhor contra Salazar do que contra esta gente que meteu dinheiro do Estado no Banif, deixou que o país perdesse milhões com a falência de outros bancos e vai estudar para Paris porque lá o filé mignon é de maior qualidade? Eu acho que não. Vou morrer confiando na democracia que nasceu com o 25 de Abril sem querer saber dos patos bravos que enriqueceram à custa do Estado e à sombra dos emblemas partidários. JAE
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
O Nelson Carvalho, o Mário Calado e os empresários
Estou habituado a ouvir muitas queixinhas de gente que nem sempre é pobre de espírito; faço a gestão conforme posso. Apesar do espírito de Natal arrisco duas questões nesta coluna que certamente vão agradar aos anjos e ofender os criadores (tudo com letra pequena para que os santos não se zanguem comigo).
Há um fervor em Abrantes por causa de uma auditoria que Nelson Carvalho mandou fazer no CRIA assim que tomou posse como presidente, numa clara afronta a Humberto Lopes, o dirigente associativo que ele foi substituir. A verdade é que já nos mandaram recados mas, depois, quando vamos para agarrar na história dizem que somos terroristas e queremos é fazer sangue. É certo que vamos contar a história. Quando toca a interesses de gente que se julga muito importante não conheço outro jornal que seja capaz de pegar os bois pelos cornos.
O actual presidente da Junta de Vila Franca de Xira, Mário Calado, é um dos melhores amigos de O MIRANTE. Na última assembleia municipal resolveu usar da palavra e, de jornal na mão, criticou o trabalho do jornalista que acompanha as sessões fazendo dele o mau da fita. Pelo meio deixou os recados habituais para a administração do jornal que são os mesmos de sempre: quando as notícias não agradam a culpa é do mensageiro.
O MIRANTE agradece ao senhor Mário Calado e, entretanto, mudando de agulha, prometemos que não voltamos a fazer-lhe perguntas sobre a rádio Ateneu.
O Galardão Empresa do Ano que O MIRANTE organiza em conjunto com a NERSANT vai ter lugar esta quinta-feira em Benavente. Fica aqui a lembrança porque a iniciativa marca o calendário das iniciativas da região e continua a ser a melhor forma de valorizar os empresários e as empresas da região onde também trabalhamos e fazemos serviço público. Os empresários, principalmente os pequenos e médios empresários, continuam a ser a salvação do país. São eles que pagam impostos e dão emprego.
JAE
Há um fervor em Abrantes por causa de uma auditoria que Nelson Carvalho mandou fazer no CRIA assim que tomou posse como presidente, numa clara afronta a Humberto Lopes, o dirigente associativo que ele foi substituir. A verdade é que já nos mandaram recados mas, depois, quando vamos para agarrar na história dizem que somos terroristas e queremos é fazer sangue. É certo que vamos contar a história. Quando toca a interesses de gente que se julga muito importante não conheço outro jornal que seja capaz de pegar os bois pelos cornos.
O actual presidente da Junta de Vila Franca de Xira, Mário Calado, é um dos melhores amigos de O MIRANTE. Na última assembleia municipal resolveu usar da palavra e, de jornal na mão, criticou o trabalho do jornalista que acompanha as sessões fazendo dele o mau da fita. Pelo meio deixou os recados habituais para a administração do jornal que são os mesmos de sempre: quando as notícias não agradam a culpa é do mensageiro.
O MIRANTE agradece ao senhor Mário Calado e, entretanto, mudando de agulha, prometemos que não voltamos a fazer-lhe perguntas sobre a rádio Ateneu.
O Galardão Empresa do Ano que O MIRANTE organiza em conjunto com a NERSANT vai ter lugar esta quinta-feira em Benavente. Fica aqui a lembrança porque a iniciativa marca o calendário das iniciativas da região e continua a ser a melhor forma de valorizar os empresários e as empresas da região onde também trabalhamos e fazemos serviço público. Os empresários, principalmente os pequenos e médios empresários, continuam a ser a salvação do país. São eles que pagam impostos e dão emprego.
JAE
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Deus vive na Net
Até ao Ano Novo vai ser difícil escrever crónicas. Começa a época das azevias, do Bolo-Rei e dos velhozes. De dia trabalha-se muito e à noite, quando chega a hora do serão, o que menos apetece é escrever crónicas sobre o dia de trabalho. Aliás, com Costa ou sem Costa, o país vai devagarinho recuperando o velho atraso em relação à Europa Ocidental. Dou um exemplo:
Há bem pouco tempo demorei uma eternidade a preencher papéis e a fazer reconhecimentos notariais para depois me dirigir a um serviço público e fazer a transferência de propriedade de um carro. Tinha o problema quase resolvido quando o funcionário reparou que a um canto do formulário alguém tinha usado corrector para desfazer um erro. Foi o bastante para me mandar dar uma volta e repetir todos os caminhos e despesas que já tinha feito. Como já sou burro velho deixei passar dois dias e lá veio o momento de inspiração. Entreguei o trabalho a um advogado que pela internet resolveu o problema em dois dias sem que eu precisasse de voltar a fazer a via sacra nomeadamente recolhendo novas assinaturas.
Deus vive na internet e é amigo de todos os pobres diabos como eu que têm que lutar pela vida e acham que um cêntimo ainda é dinheiro. Não sei quanto vou pagar ao advogado mas pelo menos livrei-me de chamar nomes feios a um funcionário público. Não é coisa pouca para quem anda todo o dia no fanico e não joga nem pede milagres. É evidente que também vou aproveitar o tempo de Natal para me santificar, como todos os pobres diabos e, quem sabe, ainda aproveito a fama do Padre Borga e começo a ir à missa à Chamusca onde o padre cantor enche a igreja matriz.
Ainda a propósito da internet: França é o país estrangeiro onde os leitores online de O MIRANTE mais procuram as nossas notícias. A seguir vem a Inglaterra; depois o Brasil e a Alemanha.
O MIRANTE vai ter um novo sítio em breve. Já ultrapassamos o prazo de validade do sítio actual mas a política que mantemos de dar informação sem pagamento de assinatura limita o investimento na plataforma online. O MIRANTE tem mensalmente mais de meio milhão de visitantes únicos. E vamos vivendo apenas do investimento publicitário como aliás é política também ao nível da edição em papel. JAE
Há bem pouco tempo demorei uma eternidade a preencher papéis e a fazer reconhecimentos notariais para depois me dirigir a um serviço público e fazer a transferência de propriedade de um carro. Tinha o problema quase resolvido quando o funcionário reparou que a um canto do formulário alguém tinha usado corrector para desfazer um erro. Foi o bastante para me mandar dar uma volta e repetir todos os caminhos e despesas que já tinha feito. Como já sou burro velho deixei passar dois dias e lá veio o momento de inspiração. Entreguei o trabalho a um advogado que pela internet resolveu o problema em dois dias sem que eu precisasse de voltar a fazer a via sacra nomeadamente recolhendo novas assinaturas.
Deus vive na internet e é amigo de todos os pobres diabos como eu que têm que lutar pela vida e acham que um cêntimo ainda é dinheiro. Não sei quanto vou pagar ao advogado mas pelo menos livrei-me de chamar nomes feios a um funcionário público. Não é coisa pouca para quem anda todo o dia no fanico e não joga nem pede milagres. É evidente que também vou aproveitar o tempo de Natal para me santificar, como todos os pobres diabos e, quem sabe, ainda aproveito a fama do Padre Borga e começo a ir à missa à Chamusca onde o padre cantor enche a igreja matriz.
Ainda a propósito da internet: França é o país estrangeiro onde os leitores online de O MIRANTE mais procuram as nossas notícias. A seguir vem a Inglaterra; depois o Brasil e a Alemanha.
O MIRANTE vai ter um novo sítio em breve. Já ultrapassamos o prazo de validade do sítio actual mas a política que mantemos de dar informação sem pagamento de assinatura limita o investimento na plataforma online. O MIRANTE tem mensalmente mais de meio milhão de visitantes únicos. E vamos vivendo apenas do investimento publicitário como aliás é política também ao nível da edição em papel. JAE
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Trocar o Tejo pelo Sena
Estive em Paris nos dias a seguir ao actual estado de guerra e cumpri a minha agenda com um ligeiro desvio da Rua Taillandiers onde o Fernando Graça tem um bar que, segundo me contou na altura da inauguração, está decorado com postais antigos de Lisboa.
Por enquanto não troco a minha aldeia por qualquer outra aldeia do mundo. Não troco o Tejo pelo Sena nem morto. Viajei atrás de duas exposições das muitas que se realizam pelo mundo e que nunca chegam a Lisboa, a Santarém ou a Tomar, só para falar de três cidades que fazem parte da minha vida. Uma delas tem por título “Esplendores e Misérias - Imagens da Prostituição de 1859 a 1910” e permitiu-me ver filmes pornográficos no Musée d’Orsay, porventura um dos melhores museus do mundo, ao lado de respeitados senhores e senhoras de todas as idades e nacionalidades, que aceitavam um pequeno desvio das salas onde se exibem pinturas centenárias de Edgar Degas, Edvard Munch, Henri de Toulouse-Lautrec, entre muitos outros autores da época. O desvio é para dentro de uma sala com cortinados vermelhos onde o cinema pornográfico da altura é exibido como obra de arte. São pequenos filmes de autores anónimos que coincidem com o início da era do cinema e que demonstram bem o quanto teria sido importante para nós, cidadãos com o mundo do lado de lá de um computador, que já houvesse cinema no tempo de Sodoma e Gomorra.
Quatro dias de Paris chegam e sobram para ficar com saudades de Lisboa ou da Chamusca, da mota, do cinema à porta de casa, dos livros à mão de semear, dos caminhos da lezíria e da charneca ribatejana.
Esta crónica foi escrita no aeroporto de Orly, enquanto lia o El País, edição de sábado, e tomava outras notas. Ainda não tinha saído da cidade e já viajava para a Feira do Livro de Guadalajara, no México, com os 12 escritores ingleses recomendados por Alberto Manguel; e lia sobre a correspondência de Gabriel Garcia Marquez com Gonzalo Rojas, um poeta chileno que conheci na sua casa, no Chile, e que um dia tenho que ajudar a traduzir para português; e ainda em Paris, lendo o Babelia, continuo a tomar boa nota da situação de guerra que ainda se vive na cidade de Balzac e Zola mas ligado ao mundo pelas palavras de Ian McEwan que em entrevista tenta explicar “o mistério” de haver tanta gente de boas famílias da Europa ligada às causas terroristas que chegam da Arábia. O título da entrevista diz tudo: “Lá utopia es una de las nociones más destrutivas”. JAE
Por enquanto não troco a minha aldeia por qualquer outra aldeia do mundo. Não troco o Tejo pelo Sena nem morto. Viajei atrás de duas exposições das muitas que se realizam pelo mundo e que nunca chegam a Lisboa, a Santarém ou a Tomar, só para falar de três cidades que fazem parte da minha vida. Uma delas tem por título “Esplendores e Misérias - Imagens da Prostituição de 1859 a 1910” e permitiu-me ver filmes pornográficos no Musée d’Orsay, porventura um dos melhores museus do mundo, ao lado de respeitados senhores e senhoras de todas as idades e nacionalidades, que aceitavam um pequeno desvio das salas onde se exibem pinturas centenárias de Edgar Degas, Edvard Munch, Henri de Toulouse-Lautrec, entre muitos outros autores da época. O desvio é para dentro de uma sala com cortinados vermelhos onde o cinema pornográfico da altura é exibido como obra de arte. São pequenos filmes de autores anónimos que coincidem com o início da era do cinema e que demonstram bem o quanto teria sido importante para nós, cidadãos com o mundo do lado de lá de um computador, que já houvesse cinema no tempo de Sodoma e Gomorra.
Quatro dias de Paris chegam e sobram para ficar com saudades de Lisboa ou da Chamusca, da mota, do cinema à porta de casa, dos livros à mão de semear, dos caminhos da lezíria e da charneca ribatejana.
Esta crónica foi escrita no aeroporto de Orly, enquanto lia o El País, edição de sábado, e tomava outras notas. Ainda não tinha saído da cidade e já viajava para a Feira do Livro de Guadalajara, no México, com os 12 escritores ingleses recomendados por Alberto Manguel; e lia sobre a correspondência de Gabriel Garcia Marquez com Gonzalo Rojas, um poeta chileno que conheci na sua casa, no Chile, e que um dia tenho que ajudar a traduzir para português; e ainda em Paris, lendo o Babelia, continuo a tomar boa nota da situação de guerra que ainda se vive na cidade de Balzac e Zola mas ligado ao mundo pelas palavras de Ian McEwan que em entrevista tenta explicar “o mistério” de haver tanta gente de boas famílias da Europa ligada às causas terroristas que chegam da Arábia. O título da entrevista diz tudo: “Lá utopia es una de las nociones más destrutivas”. JAE
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
A Justiça em Tribunal e a defesa de Sousa Gomes
O Tribunal de Almeirim reteve durante cerca de sete anos um processo contra o presidente da câmara municipal, Joaquim Sousa Gomes, que deixou o cargo em 2013. O autarca tem estado a ser julgado em audiências que terminaram esta semana e defendeu-se da acusação do Ministério Público dizendo que sempre quis fazer o bem para a sua terra e para as suas gentes e que não retirou qualquer benefício pessoal do cargo de presidente da câmara como, aliás, é público e notório para quem conhece o autarca, a sua família, e o acompanha no seu dia a dia...
Debilitado fisicamente e psicologicamente, devido a doença, Joaquim Sousa Gomes está a ser alvo de uma injustiça que deveria fazer sentar em tribunal os governantes portugueses que fazem da Justiça um pau de dois bicos. Sousa Gomes está a sentir na pele e na sua própria vida o problema que ajudou a criar levando um tribunal para Almeirim. Se o ex-autarca tivesse sido julgado em tempo justo outro galo cantaria em sua defesa. Nesta altura os juízes do Tribunal de Santarém querem julgar um processo mas o que estão a fazer verdadeiramente é a matar um arguido. A falta de saúde de Sousa Gomes, e o vexame que já manifestou estar a sentir, matam como qualquer cidadão honrado sabe muito bem. Era o Estado Português e os responsáveis pela falta de Justiça nos tribunais portugueses que deveriam estar a ser julgados neste momento e não o autarca reformado com direito a viver em paz os últimos anos de vida.
JAE
Comentário à noticia: http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=731&id=113157&idSeccao=13286&Action=noticia#.Vk2yCHbhBhE
Debilitado fisicamente e psicologicamente, devido a doença, Joaquim Sousa Gomes está a ser alvo de uma injustiça que deveria fazer sentar em tribunal os governantes portugueses que fazem da Justiça um pau de dois bicos. Sousa Gomes está a sentir na pele e na sua própria vida o problema que ajudou a criar levando um tribunal para Almeirim. Se o ex-autarca tivesse sido julgado em tempo justo outro galo cantaria em sua defesa. Nesta altura os juízes do Tribunal de Santarém querem julgar um processo mas o que estão a fazer verdadeiramente é a matar um arguido. A falta de saúde de Sousa Gomes, e o vexame que já manifestou estar a sentir, matam como qualquer cidadão honrado sabe muito bem. Era o Estado Português e os responsáveis pela falta de Justiça nos tribunais portugueses que deveriam estar a ser julgados neste momento e não o autarca reformado com direito a viver em paz os últimos anos de vida.
JAE
Comentário à noticia: http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=731&id=113157&idSeccao=13286&Action=noticia#.Vk2yCHbhBhE
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