O MIRANTE mantém o estatuto de jornal ao serviço da região e dos leitores da região mas chegou a hora de nos aproximarmos ainda mais daqueles que, a nível nacional, também conhecem o nosso trabalho e vigiam a nossa capacidade de fazer chegar as nossas notícias a um maior número de leitores espalhados pelo mundo.
Frequentemente as notícias de O MIRANTE servem de inspiração a muitos jornalistas de outros órgãos de comunicação social. E a importância que vimos dando ao que acontece na nossa região não é de hoje, nem de ontem: vem de há largos anos desde que somos lideres da informação regional e únicos no panorama de uma imprensa de proximidade que se estende por uma vasta região com uma cultura própria e um território que se diferencia, não só em termos geográficos como culturalmente.
Nesta edição damos conta que instituímos pela primeira vez o prémio Personalidade do Ano distinguindo Francisco Pinto Balsemão, o patrão do jornal Expresso e da SIC, um homem que ao longo da sua vida sempre assumiu o jornalismo como trabalho de serviço público, provando-o em inúmeras situações especais mas principalmente quando foi primeiro-ministro e tinha o seu próprio jornal a criticar o seu Governo.
Deve-se a Francisco Pinto Balsemão, e à sua capacidade de liderança, um grande período de luta associativa que os patrões dos jornais travaram num período importante mas muito difícil da nossa democracia. Foi no tempo em que assumiu a presidência da Associação Portuguesa de Imprensa Não-Diária que o associativismo teve força para marcar a agenda política de muitos ministros de muitos governos.
Os tempos hoje são outros mas o associativismo só não é tão forte como nesses tempos porque faltam ideais e ideais como nesses anos de luta. Os jornais e as televisões são cada vez mais de grupos com fortes influências no poder instituído e já lá vai o tempo de um por todos e todos por um, embora a imprensa local e regional fosse sempre o parente pobre da associação também pelo amadorismo que ainda hoje caracteriza muita da imprensa que resiste fora dos grandes centros como Lisboa e Porto. JAE
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Deus com cabelos no coração
Sou, como milhares de portugueses, uma pessoa que sofre da doença da tiróide. Há mais de duas décadas que sei que posso morrer de cancro mas isso nunca me tirou o sono.
Um dia destes voltei ao médico, velho e com cara de cansado, e percebi que ele agora tem muito menos de um terço dos doentes. Fui lá duas vezes seguidas e das duas vezes o consultório pareceu-me de província. O médico, que eu nunca tinha visto de bata do lado de cá da secretária, passou duas vezes pelo corredor de cabeça baixa para evitar dizer adeus aos doentes. Em compensação a empregada tratou-me pelo apelido e na despedida soletrou o primeiro e último nome. Depois de sair da consulta confirmo o que já sei há mais de 20 anos: vou morrer de todas as doenças menos do problema da tiróide.
O médico e investigador Sobrinho Simões, que recentemente foi considerado o patologista mais influente do mundo, avisou recentemente que estamos a fazer um sobrediagnóstico e sobretratamento em cancros como o da próstata, da mama e da tiróide. Tratamos por excesso, diz ele, acrescentando que não recomenda as análises ao PSA e que é urgente combater os excessos de tecnologia nos tratamentos destas doenças.
Enquanto escrevo esta crónica acompanho pelo computador o estado da minha Nação; quero dizer: abandonei o campo de batalha e estou num retiro a fumar só dois cigarros por dia, a seguir uma dieta rigorosa e a nadar duas horas de manhã e outras duas horas ao final da tarde. Dizem que a boa vida faz bem à saúde. Certamente vou morrer exactamente no dia e na data que já está escrito nas estrelas. Mas morrerei de barriga cheia e não enjoado e azedo como tenho andado nos últimos anos.
NOTA: Esta coisa de escrever para uma página semanal tem as suas vantagens mas são muitas mais as desvantagens. Depois de escrever esta crónica tive notícias terríveis sobre pessoas minhas conhecidas que apareceram com cancro ou foram internadas com aneurismas. Ninguém merece um Natal com este tipo de notícias. Muito menos pessoas jovens que nunca fizeram mal a uma mosca. Se é verdade que Deus existe... o sacana deve ter cabelos no coração!
JAE
Um dia destes voltei ao médico, velho e com cara de cansado, e percebi que ele agora tem muito menos de um terço dos doentes. Fui lá duas vezes seguidas e das duas vezes o consultório pareceu-me de província. O médico, que eu nunca tinha visto de bata do lado de cá da secretária, passou duas vezes pelo corredor de cabeça baixa para evitar dizer adeus aos doentes. Em compensação a empregada tratou-me pelo apelido e na despedida soletrou o primeiro e último nome. Depois de sair da consulta confirmo o que já sei há mais de 20 anos: vou morrer de todas as doenças menos do problema da tiróide.
O médico e investigador Sobrinho Simões, que recentemente foi considerado o patologista mais influente do mundo, avisou recentemente que estamos a fazer um sobrediagnóstico e sobretratamento em cancros como o da próstata, da mama e da tiróide. Tratamos por excesso, diz ele, acrescentando que não recomenda as análises ao PSA e que é urgente combater os excessos de tecnologia nos tratamentos destas doenças.
Enquanto escrevo esta crónica acompanho pelo computador o estado da minha Nação; quero dizer: abandonei o campo de batalha e estou num retiro a fumar só dois cigarros por dia, a seguir uma dieta rigorosa e a nadar duas horas de manhã e outras duas horas ao final da tarde. Dizem que a boa vida faz bem à saúde. Certamente vou morrer exactamente no dia e na data que já está escrito nas estrelas. Mas morrerei de barriga cheia e não enjoado e azedo como tenho andado nos últimos anos.
NOTA: Esta coisa de escrever para uma página semanal tem as suas vantagens mas são muitas mais as desvantagens. Depois de escrever esta crónica tive notícias terríveis sobre pessoas minhas conhecidas que apareceram com cancro ou foram internadas com aneurismas. Ninguém merece um Natal com este tipo de notícias. Muito menos pessoas jovens que nunca fizeram mal a uma mosca. Se é verdade que Deus existe... o sacana deve ter cabelos no coração!
JAE
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Há velhos que nos fazem falta
A morte do Senhor Francisco Leonor, o antiquário de Almeirim, é uma perda para mim embora não seja da família nem tenha sido seu grande amigo. Era, no entanto, há mais de 30 anos, uma pessoa próxima com quem treinava regularmente a conquista da confiança. A minha postura humilde e bom ouvinte fizeram com que ao longo dos anos soubesse pequenos segredos que ainda hoje me servem de alimento e me dão prazer gerir.
O feitio e a forma de estar de Vasco Graça Moura é um deles. O escritor e político, que comprou casa em Benfica do Ribatejo, era desde há muitos anos amigo e cliente do senhor Leonor. Como a minha curiosidade sempre foi mais intelectual que material ouvi muitas conversas que me deliciaram e me fizeram perceber o mundo em que certa gente se movimenta.Vasco Graça Moura era um perfeccionista e um Homem que não se deixava apanhar nem por um cabelo.
Não posso falar aqui dos casos de figuras públicas manhosas, tão ou mais negociantes que o próprio Francisco Leonor. Mas registei muitos casos de figuras públicas que parecem o contrário daquilo que realmente são. Alguns episódios dariam grandes histórias e alimentariam a curiosidade popular. Mas falar deles tão cruelmente, e agora pela boca de um morto, não seria a melhor maneira de lhes chegar a roupa ao pêlo. Nem o Senhor Leonor me perdoaria.
É verdade que não há pessoas insubstituíveis. É verdade que o Senhor Leonor deveria parecer a muita gente um tipo forreta, espertalhão, oportunista, etc, etc, nomes que não faltarão no dicionário para quem gosta de apelidar pessoas de trabalho que fazem o mundo girar ainda que seja o nosso pequeno mundo. Eu próprio fui vítima, algumas vezes, da sua arte de negociar; da sua paixão pela conversa que nem sempre era a que mais me interessava. Só o filho da onça é que já nasce pintado. Com a morte de Francisco Leonor voltei a lembrar-me de algum velhos sábios que me ensinaram a sobreviver, ou seja, a viver à custa do meu trabalho sem nunca contar com o ovo no cu da galinha; Muito do que sei devo-o aos homens dos ofícios. O que ainda tenho para aprender nem eu sei.
JAE
O feitio e a forma de estar de Vasco Graça Moura é um deles. O escritor e político, que comprou casa em Benfica do Ribatejo, era desde há muitos anos amigo e cliente do senhor Leonor. Como a minha curiosidade sempre foi mais intelectual que material ouvi muitas conversas que me deliciaram e me fizeram perceber o mundo em que certa gente se movimenta.Vasco Graça Moura era um perfeccionista e um Homem que não se deixava apanhar nem por um cabelo.
Não posso falar aqui dos casos de figuras públicas manhosas, tão ou mais negociantes que o próprio Francisco Leonor. Mas registei muitos casos de figuras públicas que parecem o contrário daquilo que realmente são. Alguns episódios dariam grandes histórias e alimentariam a curiosidade popular. Mas falar deles tão cruelmente, e agora pela boca de um morto, não seria a melhor maneira de lhes chegar a roupa ao pêlo. Nem o Senhor Leonor me perdoaria.
É verdade que não há pessoas insubstituíveis. É verdade que o Senhor Leonor deveria parecer a muita gente um tipo forreta, espertalhão, oportunista, etc, etc, nomes que não faltarão no dicionário para quem gosta de apelidar pessoas de trabalho que fazem o mundo girar ainda que seja o nosso pequeno mundo. Eu próprio fui vítima, algumas vezes, da sua arte de negociar; da sua paixão pela conversa que nem sempre era a que mais me interessava. Só o filho da onça é que já nasce pintado. Com a morte de Francisco Leonor voltei a lembrar-me de algum velhos sábios que me ensinaram a sobreviver, ou seja, a viver à custa do meu trabalho sem nunca contar com o ovo no cu da galinha; Muito do que sei devo-o aos homens dos ofícios. O que ainda tenho para aprender nem eu sei.
JAE
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Estávamos melhor contra Salazar?
“Estávamos melhor contra Franco”. Esta frase gritada por manifestantes em Espanha chocou Luís Buñuel que assim o registou numa autobiografia intitulada “O meu último suspiro” que já reli algumas vezes. Há três décadas alguns jornais locais e regionais portugueses tinham colunistas que faziam a apologia do antigo regime e escreviam contra os partidos de esquerda e os seus militantes como não escreviam contra as misérias do antigamente. Lembro-me de ficar chocado com a leitura e de me questionar sobre como era possível a revolução de Abril não ter mudado todas as mentalidades.
Hoje a grande maioria desses jornais já não se editam e os que sobrevivem já não têm esses colunistas porque entretanto morreram.
Os casos de corrupção que abalam a sociedade portuguesa, protagonizados por políticos e empresários amigos de políticos, fazem com que me arrependa de alguns juízos de valor que fiz de pessoas de bem que, na altura, apelidei com nomes feios. Mais ainda: a forma como os deputados da Nação continuam a misturar interesses do Estado com interesses profissionais é vergonhosa e tão inadmissível nos tempos de hoje como ver alguém a catequizar o fascismo ou a monarquia.
Um jornalista de O MIRANTE tem provas de que um ex-governante de Santarém usou e abusou do seu emprego público para facturar em nome dos seus interesses empresariais. Curiosamente já vamos no segundo pedido ao tribunal para noticiarmos o caso mas o Tribunal acha que primeiro temos que ir a Fátima a pé.
Estávamos melhor contra Salazar do que contra esta gente que meteu dinheiro do Estado no Banif, deixou que o país perdesse milhões com a falência de outros bancos e vai estudar para Paris porque lá o filé mignon é de maior qualidade? Eu acho que não. Vou morrer confiando na democracia que nasceu com o 25 de Abril sem querer saber dos patos bravos que enriqueceram à custa do Estado e à sombra dos emblemas partidários. JAE
Hoje a grande maioria desses jornais já não se editam e os que sobrevivem já não têm esses colunistas porque entretanto morreram.
Os casos de corrupção que abalam a sociedade portuguesa, protagonizados por políticos e empresários amigos de políticos, fazem com que me arrependa de alguns juízos de valor que fiz de pessoas de bem que, na altura, apelidei com nomes feios. Mais ainda: a forma como os deputados da Nação continuam a misturar interesses do Estado com interesses profissionais é vergonhosa e tão inadmissível nos tempos de hoje como ver alguém a catequizar o fascismo ou a monarquia.
Um jornalista de O MIRANTE tem provas de que um ex-governante de Santarém usou e abusou do seu emprego público para facturar em nome dos seus interesses empresariais. Curiosamente já vamos no segundo pedido ao tribunal para noticiarmos o caso mas o Tribunal acha que primeiro temos que ir a Fátima a pé.
Estávamos melhor contra Salazar do que contra esta gente que meteu dinheiro do Estado no Banif, deixou que o país perdesse milhões com a falência de outros bancos e vai estudar para Paris porque lá o filé mignon é de maior qualidade? Eu acho que não. Vou morrer confiando na democracia que nasceu com o 25 de Abril sem querer saber dos patos bravos que enriqueceram à custa do Estado e à sombra dos emblemas partidários. JAE
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
O Nelson Carvalho, o Mário Calado e os empresários
Estou habituado a ouvir muitas queixinhas de gente que nem sempre é pobre de espírito; faço a gestão conforme posso. Apesar do espírito de Natal arrisco duas questões nesta coluna que certamente vão agradar aos anjos e ofender os criadores (tudo com letra pequena para que os santos não se zanguem comigo).
Há um fervor em Abrantes por causa de uma auditoria que Nelson Carvalho mandou fazer no CRIA assim que tomou posse como presidente, numa clara afronta a Humberto Lopes, o dirigente associativo que ele foi substituir. A verdade é que já nos mandaram recados mas, depois, quando vamos para agarrar na história dizem que somos terroristas e queremos é fazer sangue. É certo que vamos contar a história. Quando toca a interesses de gente que se julga muito importante não conheço outro jornal que seja capaz de pegar os bois pelos cornos.
O actual presidente da Junta de Vila Franca de Xira, Mário Calado, é um dos melhores amigos de O MIRANTE. Na última assembleia municipal resolveu usar da palavra e, de jornal na mão, criticou o trabalho do jornalista que acompanha as sessões fazendo dele o mau da fita. Pelo meio deixou os recados habituais para a administração do jornal que são os mesmos de sempre: quando as notícias não agradam a culpa é do mensageiro.
O MIRANTE agradece ao senhor Mário Calado e, entretanto, mudando de agulha, prometemos que não voltamos a fazer-lhe perguntas sobre a rádio Ateneu.
O Galardão Empresa do Ano que O MIRANTE organiza em conjunto com a NERSANT vai ter lugar esta quinta-feira em Benavente. Fica aqui a lembrança porque a iniciativa marca o calendário das iniciativas da região e continua a ser a melhor forma de valorizar os empresários e as empresas da região onde também trabalhamos e fazemos serviço público. Os empresários, principalmente os pequenos e médios empresários, continuam a ser a salvação do país. São eles que pagam impostos e dão emprego.
JAE
Há um fervor em Abrantes por causa de uma auditoria que Nelson Carvalho mandou fazer no CRIA assim que tomou posse como presidente, numa clara afronta a Humberto Lopes, o dirigente associativo que ele foi substituir. A verdade é que já nos mandaram recados mas, depois, quando vamos para agarrar na história dizem que somos terroristas e queremos é fazer sangue. É certo que vamos contar a história. Quando toca a interesses de gente que se julga muito importante não conheço outro jornal que seja capaz de pegar os bois pelos cornos.
O actual presidente da Junta de Vila Franca de Xira, Mário Calado, é um dos melhores amigos de O MIRANTE. Na última assembleia municipal resolveu usar da palavra e, de jornal na mão, criticou o trabalho do jornalista que acompanha as sessões fazendo dele o mau da fita. Pelo meio deixou os recados habituais para a administração do jornal que são os mesmos de sempre: quando as notícias não agradam a culpa é do mensageiro.
O MIRANTE agradece ao senhor Mário Calado e, entretanto, mudando de agulha, prometemos que não voltamos a fazer-lhe perguntas sobre a rádio Ateneu.
O Galardão Empresa do Ano que O MIRANTE organiza em conjunto com a NERSANT vai ter lugar esta quinta-feira em Benavente. Fica aqui a lembrança porque a iniciativa marca o calendário das iniciativas da região e continua a ser a melhor forma de valorizar os empresários e as empresas da região onde também trabalhamos e fazemos serviço público. Os empresários, principalmente os pequenos e médios empresários, continuam a ser a salvação do país. São eles que pagam impostos e dão emprego.
JAE
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Deus vive na Net
Até ao Ano Novo vai ser difícil escrever crónicas. Começa a época das azevias, do Bolo-Rei e dos velhozes. De dia trabalha-se muito e à noite, quando chega a hora do serão, o que menos apetece é escrever crónicas sobre o dia de trabalho. Aliás, com Costa ou sem Costa, o país vai devagarinho recuperando o velho atraso em relação à Europa Ocidental. Dou um exemplo:
Há bem pouco tempo demorei uma eternidade a preencher papéis e a fazer reconhecimentos notariais para depois me dirigir a um serviço público e fazer a transferência de propriedade de um carro. Tinha o problema quase resolvido quando o funcionário reparou que a um canto do formulário alguém tinha usado corrector para desfazer um erro. Foi o bastante para me mandar dar uma volta e repetir todos os caminhos e despesas que já tinha feito. Como já sou burro velho deixei passar dois dias e lá veio o momento de inspiração. Entreguei o trabalho a um advogado que pela internet resolveu o problema em dois dias sem que eu precisasse de voltar a fazer a via sacra nomeadamente recolhendo novas assinaturas.
Deus vive na internet e é amigo de todos os pobres diabos como eu que têm que lutar pela vida e acham que um cêntimo ainda é dinheiro. Não sei quanto vou pagar ao advogado mas pelo menos livrei-me de chamar nomes feios a um funcionário público. Não é coisa pouca para quem anda todo o dia no fanico e não joga nem pede milagres. É evidente que também vou aproveitar o tempo de Natal para me santificar, como todos os pobres diabos e, quem sabe, ainda aproveito a fama do Padre Borga e começo a ir à missa à Chamusca onde o padre cantor enche a igreja matriz.
Ainda a propósito da internet: França é o país estrangeiro onde os leitores online de O MIRANTE mais procuram as nossas notícias. A seguir vem a Inglaterra; depois o Brasil e a Alemanha.
O MIRANTE vai ter um novo sítio em breve. Já ultrapassamos o prazo de validade do sítio actual mas a política que mantemos de dar informação sem pagamento de assinatura limita o investimento na plataforma online. O MIRANTE tem mensalmente mais de meio milhão de visitantes únicos. E vamos vivendo apenas do investimento publicitário como aliás é política também ao nível da edição em papel. JAE
Há bem pouco tempo demorei uma eternidade a preencher papéis e a fazer reconhecimentos notariais para depois me dirigir a um serviço público e fazer a transferência de propriedade de um carro. Tinha o problema quase resolvido quando o funcionário reparou que a um canto do formulário alguém tinha usado corrector para desfazer um erro. Foi o bastante para me mandar dar uma volta e repetir todos os caminhos e despesas que já tinha feito. Como já sou burro velho deixei passar dois dias e lá veio o momento de inspiração. Entreguei o trabalho a um advogado que pela internet resolveu o problema em dois dias sem que eu precisasse de voltar a fazer a via sacra nomeadamente recolhendo novas assinaturas.
Deus vive na internet e é amigo de todos os pobres diabos como eu que têm que lutar pela vida e acham que um cêntimo ainda é dinheiro. Não sei quanto vou pagar ao advogado mas pelo menos livrei-me de chamar nomes feios a um funcionário público. Não é coisa pouca para quem anda todo o dia no fanico e não joga nem pede milagres. É evidente que também vou aproveitar o tempo de Natal para me santificar, como todos os pobres diabos e, quem sabe, ainda aproveito a fama do Padre Borga e começo a ir à missa à Chamusca onde o padre cantor enche a igreja matriz.
Ainda a propósito da internet: França é o país estrangeiro onde os leitores online de O MIRANTE mais procuram as nossas notícias. A seguir vem a Inglaterra; depois o Brasil e a Alemanha.
O MIRANTE vai ter um novo sítio em breve. Já ultrapassamos o prazo de validade do sítio actual mas a política que mantemos de dar informação sem pagamento de assinatura limita o investimento na plataforma online. O MIRANTE tem mensalmente mais de meio milhão de visitantes únicos. E vamos vivendo apenas do investimento publicitário como aliás é política também ao nível da edição em papel. JAE
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Trocar o Tejo pelo Sena
Estive em Paris nos dias a seguir ao actual estado de guerra e cumpri a minha agenda com um ligeiro desvio da Rua Taillandiers onde o Fernando Graça tem um bar que, segundo me contou na altura da inauguração, está decorado com postais antigos de Lisboa.
Por enquanto não troco a minha aldeia por qualquer outra aldeia do mundo. Não troco o Tejo pelo Sena nem morto. Viajei atrás de duas exposições das muitas que se realizam pelo mundo e que nunca chegam a Lisboa, a Santarém ou a Tomar, só para falar de três cidades que fazem parte da minha vida. Uma delas tem por título “Esplendores e Misérias - Imagens da Prostituição de 1859 a 1910” e permitiu-me ver filmes pornográficos no Musée d’Orsay, porventura um dos melhores museus do mundo, ao lado de respeitados senhores e senhoras de todas as idades e nacionalidades, que aceitavam um pequeno desvio das salas onde se exibem pinturas centenárias de Edgar Degas, Edvard Munch, Henri de Toulouse-Lautrec, entre muitos outros autores da época. O desvio é para dentro de uma sala com cortinados vermelhos onde o cinema pornográfico da altura é exibido como obra de arte. São pequenos filmes de autores anónimos que coincidem com o início da era do cinema e que demonstram bem o quanto teria sido importante para nós, cidadãos com o mundo do lado de lá de um computador, que já houvesse cinema no tempo de Sodoma e Gomorra.
Quatro dias de Paris chegam e sobram para ficar com saudades de Lisboa ou da Chamusca, da mota, do cinema à porta de casa, dos livros à mão de semear, dos caminhos da lezíria e da charneca ribatejana.
Esta crónica foi escrita no aeroporto de Orly, enquanto lia o El País, edição de sábado, e tomava outras notas. Ainda não tinha saído da cidade e já viajava para a Feira do Livro de Guadalajara, no México, com os 12 escritores ingleses recomendados por Alberto Manguel; e lia sobre a correspondência de Gabriel Garcia Marquez com Gonzalo Rojas, um poeta chileno que conheci na sua casa, no Chile, e que um dia tenho que ajudar a traduzir para português; e ainda em Paris, lendo o Babelia, continuo a tomar boa nota da situação de guerra que ainda se vive na cidade de Balzac e Zola mas ligado ao mundo pelas palavras de Ian McEwan que em entrevista tenta explicar “o mistério” de haver tanta gente de boas famílias da Europa ligada às causas terroristas que chegam da Arábia. O título da entrevista diz tudo: “Lá utopia es una de las nociones más destrutivas”. JAE
Por enquanto não troco a minha aldeia por qualquer outra aldeia do mundo. Não troco o Tejo pelo Sena nem morto. Viajei atrás de duas exposições das muitas que se realizam pelo mundo e que nunca chegam a Lisboa, a Santarém ou a Tomar, só para falar de três cidades que fazem parte da minha vida. Uma delas tem por título “Esplendores e Misérias - Imagens da Prostituição de 1859 a 1910” e permitiu-me ver filmes pornográficos no Musée d’Orsay, porventura um dos melhores museus do mundo, ao lado de respeitados senhores e senhoras de todas as idades e nacionalidades, que aceitavam um pequeno desvio das salas onde se exibem pinturas centenárias de Edgar Degas, Edvard Munch, Henri de Toulouse-Lautrec, entre muitos outros autores da época. O desvio é para dentro de uma sala com cortinados vermelhos onde o cinema pornográfico da altura é exibido como obra de arte. São pequenos filmes de autores anónimos que coincidem com o início da era do cinema e que demonstram bem o quanto teria sido importante para nós, cidadãos com o mundo do lado de lá de um computador, que já houvesse cinema no tempo de Sodoma e Gomorra.
Quatro dias de Paris chegam e sobram para ficar com saudades de Lisboa ou da Chamusca, da mota, do cinema à porta de casa, dos livros à mão de semear, dos caminhos da lezíria e da charneca ribatejana.
Esta crónica foi escrita no aeroporto de Orly, enquanto lia o El País, edição de sábado, e tomava outras notas. Ainda não tinha saído da cidade e já viajava para a Feira do Livro de Guadalajara, no México, com os 12 escritores ingleses recomendados por Alberto Manguel; e lia sobre a correspondência de Gabriel Garcia Marquez com Gonzalo Rojas, um poeta chileno que conheci na sua casa, no Chile, e que um dia tenho que ajudar a traduzir para português; e ainda em Paris, lendo o Babelia, continuo a tomar boa nota da situação de guerra que ainda se vive na cidade de Balzac e Zola mas ligado ao mundo pelas palavras de Ian McEwan que em entrevista tenta explicar “o mistério” de haver tanta gente de boas famílias da Europa ligada às causas terroristas que chegam da Arábia. O título da entrevista diz tudo: “Lá utopia es una de las nociones más destrutivas”. JAE
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
A Justiça em Tribunal e a defesa de Sousa Gomes
O Tribunal de Almeirim reteve durante cerca de sete anos um processo contra o presidente da câmara municipal, Joaquim Sousa Gomes, que deixou o cargo em 2013. O autarca tem estado a ser julgado em audiências que terminaram esta semana e defendeu-se da acusação do Ministério Público dizendo que sempre quis fazer o bem para a sua terra e para as suas gentes e que não retirou qualquer benefício pessoal do cargo de presidente da câmara como, aliás, é público e notório para quem conhece o autarca, a sua família, e o acompanha no seu dia a dia...
Debilitado fisicamente e psicologicamente, devido a doença, Joaquim Sousa Gomes está a ser alvo de uma injustiça que deveria fazer sentar em tribunal os governantes portugueses que fazem da Justiça um pau de dois bicos. Sousa Gomes está a sentir na pele e na sua própria vida o problema que ajudou a criar levando um tribunal para Almeirim. Se o ex-autarca tivesse sido julgado em tempo justo outro galo cantaria em sua defesa. Nesta altura os juízes do Tribunal de Santarém querem julgar um processo mas o que estão a fazer verdadeiramente é a matar um arguido. A falta de saúde de Sousa Gomes, e o vexame que já manifestou estar a sentir, matam como qualquer cidadão honrado sabe muito bem. Era o Estado Português e os responsáveis pela falta de Justiça nos tribunais portugueses que deveriam estar a ser julgados neste momento e não o autarca reformado com direito a viver em paz os últimos anos de vida.
JAE
Comentário à noticia: http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=731&id=113157&idSeccao=13286&Action=noticia#.Vk2yCHbhBhE
Debilitado fisicamente e psicologicamente, devido a doença, Joaquim Sousa Gomes está a ser alvo de uma injustiça que deveria fazer sentar em tribunal os governantes portugueses que fazem da Justiça um pau de dois bicos. Sousa Gomes está a sentir na pele e na sua própria vida o problema que ajudou a criar levando um tribunal para Almeirim. Se o ex-autarca tivesse sido julgado em tempo justo outro galo cantaria em sua defesa. Nesta altura os juízes do Tribunal de Santarém querem julgar um processo mas o que estão a fazer verdadeiramente é a matar um arguido. A falta de saúde de Sousa Gomes, e o vexame que já manifestou estar a sentir, matam como qualquer cidadão honrado sabe muito bem. Era o Estado Português e os responsáveis pela falta de Justiça nos tribunais portugueses que deveriam estar a ser julgados neste momento e não o autarca reformado com direito a viver em paz os últimos anos de vida.
JAE
Comentário à noticia: http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=731&id=113157&idSeccao=13286&Action=noticia#.Vk2yCHbhBhE
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
O exemplo da NERSANT
A semana iniciou-se na região do Médio Tejo com um Encontro Internacional de Negócios promovido pela NERSANT. Fui ver a sessão de abertura e a azáfama dos empresários que meia hora depois já enchiam a sala que a organização preparou para as apresentações e eventuais negócios. É com estas iniciativas que se faz uma região forte. Não vi autarcas, nem responsáveis pelos Politécnicos, nem sei de agentes ligados às associações de desenvolvimento local que se tenham interessado até agora pela iniciativa. Há muitos anos que a NERSANT é um exemplo de associativismo empresarial com provas dadas. Não faz sentido ver algumas instituições a remarem contra a maré ou lutando contra moinhos de vento só porque os Governos ainda apoiam políticas à Dom Quixote.
O PCP não diz uma palavra sobre o jovem activista luso-angolano que está em greve de fome contra os mais elementares direitos num país democrático. José Eduardo dos Santos é Presidente da República há 36 anos de um país que tem a maior taxa de mortalidade infantil do mundo: uma em cada seis crianças morre antes dos seis anos de idade. E este é só um pequeno pormenor do país governado por amigos políticos de Jerónimo de Sousa e companhia. Por mim podem continuar a apregoar o comunismo que eu vou ali inscrever-me na Amnistia Internacional para não me ficar pelas palavras.
Das 64 páginas de O MIRANTE da edição da passada semana mais de metade eram de publicidade. Fui dos que ajudei a repaginar o jornal para que entrasse toda a publicidade de última hora. Na semana passada não vi outro jornal de dimensão nacional ou regional com o volume de publicidade que nós publicamos. Era uma edição normal; o trabalho das nossas equipas é que é sempre anormal; e de vez em quando temos destas boas surpresas. JAE
O PCP não diz uma palavra sobre o jovem activista luso-angolano que está em greve de fome contra os mais elementares direitos num país democrático. José Eduardo dos Santos é Presidente da República há 36 anos de um país que tem a maior taxa de mortalidade infantil do mundo: uma em cada seis crianças morre antes dos seis anos de idade. E este é só um pequeno pormenor do país governado por amigos políticos de Jerónimo de Sousa e companhia. Por mim podem continuar a apregoar o comunismo que eu vou ali inscrever-me na Amnistia Internacional para não me ficar pelas palavras.
Das 64 páginas de O MIRANTE da edição da passada semana mais de metade eram de publicidade. Fui dos que ajudei a repaginar o jornal para que entrasse toda a publicidade de última hora. Na semana passada não vi outro jornal de dimensão nacional ou regional com o volume de publicidade que nós publicamos. Era uma edição normal; o trabalho das nossas equipas é que é sempre anormal; e de vez em quando temos destas boas surpresas. JAE
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Os actores e a vida real
O teatro promovido pelo Carlos Carvalheiro, encenador do Fatias de Cá, tem uma particularidade que é única e merece ser destacada. O encenador não se limita ao trabalho com os actores e à montagem do espectáculo; preocupa-se com o bem-estar dos espectadores e tenta que cada um deles viva uma experiência diferente cada vez que assiste a um dos espectáculos do Fatias de Cá. Nem sempre resulta porque há actores mais envergonhados e há espectadores ainda mais tímidos que fazem questão de fugir às regras estabelecidas, ou seja, há actores que fogem do chá final para poderem confraternizar com os espectadores e há espectadores que demoram a libertar-se dos pruridos quando chega a hora do convívio à mesa a meio do espectáculo. Mas o esforço não é inglório, na minha simples opinião, e deve continuar a marcar a diferença, embora possa roubar espectadores por causa dos preços proibitivos.
Na estreia de Lear, e no final do espectáculo, os actores estavam cansados e percebeu-se perfeitamente que só ficaram para conviver aqueles que assumem a direcção do grupo e fazem questão de dar a cara para que a imagem da organização não fique em causa. Falamos de um pormenor mas que faz toda a diferença. O MIRANTE chegou ao Palácio Marquês da Fronteira por voltas das 16h30 e todos os actores já estavam dentro das instalações. Cinco horas depois os actores estavam a despir a roupa do faz de conta a a vestir a ganga da vida real. E muitos deles gostam de representar e de receber elogios mas a vida em casa espera e é muitas vezes tão cruel como a vida dos reis infelizes e dos seus familiares.
Vítor Hugo é um bom exemplo do que acabamos de concluir. O actor amador da Chamusca tem quase 80 anos de vida, embora a representar tenha a energia de um jovem de 20, na vida real as coisas nem sempre são o que parecem. E para lhe roubarmos um abraço na despedida foi preciso vir ao seu encontro à entrada do Palácio já que a sua grande preocupação, assim que acabou a cena, foi regressar a correr à Chamusca para junto da mulher da sua vida. JAE
Comentário à noticia: http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=726&id=112386&idSeccao=13176&Action=noticia#.Vh97city3uM
Na estreia de Lear, e no final do espectáculo, os actores estavam cansados e percebeu-se perfeitamente que só ficaram para conviver aqueles que assumem a direcção do grupo e fazem questão de dar a cara para que a imagem da organização não fique em causa. Falamos de um pormenor mas que faz toda a diferença. O MIRANTE chegou ao Palácio Marquês da Fronteira por voltas das 16h30 e todos os actores já estavam dentro das instalações. Cinco horas depois os actores estavam a despir a roupa do faz de conta a a vestir a ganga da vida real. E muitos deles gostam de representar e de receber elogios mas a vida em casa espera e é muitas vezes tão cruel como a vida dos reis infelizes e dos seus familiares.
Vítor Hugo é um bom exemplo do que acabamos de concluir. O actor amador da Chamusca tem quase 80 anos de vida, embora a representar tenha a energia de um jovem de 20, na vida real as coisas nem sempre são o que parecem. E para lhe roubarmos um abraço na despedida foi preciso vir ao seu encontro à entrada do Palácio já que a sua grande preocupação, assim que acabou a cena, foi regressar a correr à Chamusca para junto da mulher da sua vida. JAE
Comentário à noticia: http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=726&id=112386&idSeccao=13176&Action=noticia#.Vh97city3uM
O Victor Hugo do teatro
No Palácio Marquês da Fronteira, em São Domingos de Benfica, Lisboa, voltei ao teatro que não o da Politécnica, o Maria Matos, o São Luís ou o Recreios da Amadora, só para citar algumas salas que costumo frequentar. O teatro interessa-me mais pelos actores do que pelas peças. Vou ao teatro para ver representar os meus actores preferidos e observar o trabalho dos meus encenadores de eleição.
A recente visita ao Palácio Marquês da Fronteira (ler página 23 desta edição) tinha como objectivo ver em cena Victor Hugo, Alexandra Carvalho e Humberto Machado, que já conheço de outras representações, para além do trabalho de Carlos Carvalheiro de quem vou ouvindo elogios e que conseguiu por de pé um projecto fora de Lisboa com actores amadores de fora de Lisboa de que haverá muitos poucos exemplos em Portugal.
Cheguei quase uma hora mais cedo ao Palácio para me encontrar com o Victor Hugo que deixou crescer a barba, farta e branca para melhor representar o Rei Lear. E valeu a pena, tanto a hora de conversa como as duas horas de teatro e passeio pelo palácio. De verdade cheguei ao Palácio/residência de José de Mascarenhas eram cerca de 16h00 e só retornei ao Largo da Estefânia, onde tenho um esconderijo, já passava das 21h00.
Ouvi, no meio de tanta conversa, a pergunta habitual sobre se estava a ver o teatro como jornalista ou como simples espectador; mas ouvi acima de tudo o Victor Hugo falar de si e da sua santa terrinha, que também é a minha, com o desencanto que comungo mas ao qual não dou qualquer importância. Foi uma conversa para matar o tempo, beber vinho branco, comer um rissol e fumar dois cigarros; mas deu para perceber o que vai na alma de um homem a caminho dos oitenta anos que ainda faz teatro com uma atitude e uma energia que nos espanta.
Na nossa conversa sobre sentimentos, bairrismos, colectividades e cidadania deu para perceber que vivemos em mundos diferentes e que a minha opinião não coincide com a dele nem o meu espírito está possuído do mesmo Deus que nos alimenta a alma. Mesmo assim, no reencontro depois da representação, quando lhe dei os parabéns pelo papel que tinha acabado de desempenhar, a sua reacção surgiu em forma de pergunta: “não deixei mal a Chamusca pois não; achas que representei bem a nossa terra?” JAE
A recente visita ao Palácio Marquês da Fronteira (ler página 23 desta edição) tinha como objectivo ver em cena Victor Hugo, Alexandra Carvalho e Humberto Machado, que já conheço de outras representações, para além do trabalho de Carlos Carvalheiro de quem vou ouvindo elogios e que conseguiu por de pé um projecto fora de Lisboa com actores amadores de fora de Lisboa de que haverá muitos poucos exemplos em Portugal.
Cheguei quase uma hora mais cedo ao Palácio para me encontrar com o Victor Hugo que deixou crescer a barba, farta e branca para melhor representar o Rei Lear. E valeu a pena, tanto a hora de conversa como as duas horas de teatro e passeio pelo palácio. De verdade cheguei ao Palácio/residência de José de Mascarenhas eram cerca de 16h00 e só retornei ao Largo da Estefânia, onde tenho um esconderijo, já passava das 21h00.
Ouvi, no meio de tanta conversa, a pergunta habitual sobre se estava a ver o teatro como jornalista ou como simples espectador; mas ouvi acima de tudo o Victor Hugo falar de si e da sua santa terrinha, que também é a minha, com o desencanto que comungo mas ao qual não dou qualquer importância. Foi uma conversa para matar o tempo, beber vinho branco, comer um rissol e fumar dois cigarros; mas deu para perceber o que vai na alma de um homem a caminho dos oitenta anos que ainda faz teatro com uma atitude e uma energia que nos espanta.
Na nossa conversa sobre sentimentos, bairrismos, colectividades e cidadania deu para perceber que vivemos em mundos diferentes e que a minha opinião não coincide com a dele nem o meu espírito está possuído do mesmo Deus que nos alimenta a alma. Mesmo assim, no reencontro depois da representação, quando lhe dei os parabéns pelo papel que tinha acabado de desempenhar, a sua reacção surgiu em forma de pergunta: “não deixei mal a Chamusca pois não; achas que representei bem a nossa terra?” JAE
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
A emoção depois da noite eleitoral
Confiando que ainda tenho leitores exigentes não arrisco escrever uma crónica, depois de eleições, sem que o tema seja a emoção que ficou da noite eleitoral. Confesso que nunca vivi de forma tão desinteressada umas eleições legislativas. Mas o problema é meu que estou a ficar desencantado. Um dia isto passa e espero que seja depressa. Na nossa região os principais candidatos das listas dos dois principais partidos são gente sem alma e sem história. O PS tem como principal figura distrital um advogado que acabou de ser condenado em tribunal, em primeira instância, num processo com contornos muito estranhos; e não foi por acaso que o PS teve nestas eleições, no concelho de Ourém, a mais fraca votação de sempre em eleições legislativas. Idália Serrão é uma funcionária da política e não se lhe conhece qualquer profissão se um dia lhe tirarem o “tacho”. O PSD tem na figura de Nuno Serra o mais ‘Pepsodent’ dos sorrisos e a mais calada das bocas. O camarada Duarte Marques, que é o líder distrital de verdade mas aparece como segundo, está tão empenhado na discussão dos problemas na região como eu estou interessado em escrever sobre Pangarés. No seu concelho (Mação) o PSD perdeu 32% dos votos em relação a 2011. Dá para perceber o ego destes jovens republicanos?
Vi nas televisões as mais fracas e tendenciosas reportagens. Os jornalistas fizeram de Ricardo Salgado, Armando Vara e José Sócrates figuras de primeira linha sem lhes colocarem uma única pergunta de interesse. Salgado saiu pela primeira vez à rua desde que está em prisão domiciliária. Ninguém lhe perguntou se tem visto as manifestações dos lesados do BES. Limitaram-se a filmar e às perguntas de quem faz jornalismo com muito respeitinho. Uma vergonha num país onde o Estado controla o jornalismo no audiovisual como se vivêssemos na Coreia do Norte.
António Costa perdeu as eleições mas não perdeu. Aconteceu o que é normal no PS. Vão contar-se espingardas nos próximos anos e o PS em vez de ser oposição vai afundar-se nas habituais lutas internas. Jerónimo de Sousa ainda vai levar a CDU aos números insignificantes do PDR. Entretanto vai cantando vitória aliado aos companheiros de Os Verdes que personificam a maior aldrabice em coligações eleitorais. A Coligação PSD/CDS que ganhou as eleições perdeu 800 mil votos em relação a 2011. Alguém tem dúvidas que se o PS tivesse uma direcção forte e propostas mais ousadas ganhava as eleições? Daqui a quatro anos quero o voto electrónico; uma nova Constituição da República; a reforma do Estado e deputados eleitos por círculos uninominais de forma a sabermos quem nos representa na Assembleia da República e a quem podemos pedir contas ao longo de quatro anos. JAE
Vi nas televisões as mais fracas e tendenciosas reportagens. Os jornalistas fizeram de Ricardo Salgado, Armando Vara e José Sócrates figuras de primeira linha sem lhes colocarem uma única pergunta de interesse. Salgado saiu pela primeira vez à rua desde que está em prisão domiciliária. Ninguém lhe perguntou se tem visto as manifestações dos lesados do BES. Limitaram-se a filmar e às perguntas de quem faz jornalismo com muito respeitinho. Uma vergonha num país onde o Estado controla o jornalismo no audiovisual como se vivêssemos na Coreia do Norte.
António Costa perdeu as eleições mas não perdeu. Aconteceu o que é normal no PS. Vão contar-se espingardas nos próximos anos e o PS em vez de ser oposição vai afundar-se nas habituais lutas internas. Jerónimo de Sousa ainda vai levar a CDU aos números insignificantes do PDR. Entretanto vai cantando vitória aliado aos companheiros de Os Verdes que personificam a maior aldrabice em coligações eleitorais. A Coligação PSD/CDS que ganhou as eleições perdeu 800 mil votos em relação a 2011. Alguém tem dúvidas que se o PS tivesse uma direcção forte e propostas mais ousadas ganhava as eleições? Daqui a quatro anos quero o voto electrónico; uma nova Constituição da República; a reforma do Estado e deputados eleitos por círculos uninominais de forma a sabermos quem nos representa na Assembleia da República e a quem podemos pedir contas ao longo de quatro anos. JAE
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
O Armando Alves, a Maria Viana e os “fraca roupas”
Voltei à cidade do Porto e à livraria de sempre. Quando entrei na loja, na manhã da última sexta-feira, reparei num homem alto e robusto de olhos pregados nas estantes da vasta colecção de livros de poesia. Mais de meia hora depois ainda lá estava observando, espreitando, remexendo. Reconheci-me nele. Às vezes também fico tempos infinitos a revisitar as lombadas dos livros à procura de um que, eventualmente, me tenha escapado e mereça fazer parte da minha vida. O facto de estar na livraria do editor e amigo José da Cruz Santos levou-me, cerca de uma hora depois, à conversa com o homem gigante e de sorriso aberto que tinha observado na primeira meia hora. Afinal era o Armando Alves, um dos mais conceituados artistas plásticos portugueses com uma vasta e importante Obra, em parte ligada a três editoras: Inova (1968); Limiar (1975) e Oiro do Dia (1980).
José da Cruz Santos ia falando comigo nos intervalos dos telefonemas e do atendimento do lado de fora do balcão. Sempre pedindo permissão para interromper a conversa. “Desculpe”; “Dá-me licença”. Foi assim até à última partilha e enquanto me foi apresentando ao Armando Alves que, entretanto, me convidou para visitar a sua casa e conhecer melhor a sua Obra.
Era meio-dia quando saí da livraria. Duas horas depois estava na Zona Industrial de Condeixa a comer um prego e a beber uma cerveja depois de uma visita à senhora da asneira. Ainda o sol cantava bem alto e já apanhava abrunhos e ameixas junto ao rio Tejo na Chamusca. Cerca das nove e meia da noite estava em Cascais, no espaço da Maria Viana, para a ouvir em mais um concerto, acompanhada pelo Nanã Sousa Dias. Muito curiosa a forma como ela me recebeu, já depois de ter falado ao João Almeida, da Antena 2, que transmitia o concerto em directo. “Há tanto tempo que não apareces”, como se eu fosse íntimo. De verdade ela é a cantora de serviço, a dona do espaço, a porteira e a principal empregada de mesa. Até enquanto cantava, de olhos fechados, uma canção de Ella Fitzgerald, Maria Viana tomava conta do negócio. E como ela é magistral a cantar e interpretar!!!!
Eram 11h30 quando saí à rua para dar de caras com o José Carlos de Vasconcelos que andava por ali a passear três livros debaixo do braço. Conversamos sobre livros, jornais e jornalistas durante meia hora até cada um ir à sua vida. O mais curioso da história deste dia de sexta-feira é o que fica por contar. Nas três horas de viagem entre Porto e Lisboa escrevi, de memória, uma crónica sobre o “fraca roupa” do vice-presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira, que ainda não teve coragem de falar a O MIRANTE sobre os erros cometidos no Orçamento Participativo levando muitos dos seus eleitores à indignação. O outro “fraca roupa” que me atazanou o pensamento é presidente da junta de freguesia da cidade. Chama-se Mário Calado e surpreendeu-me pela negativa ao comprar espaço publicitário em cartazes gigantes dentro da cidade para fazer propaganda à sua Obra como político. Em vez de limpar a cidade dos cartazes que fazem do concelho de Vila Franca de Xira um concelho do terceiro mundo ainda contribui para a poluição. Este é um assunto que me interessa por isso numa próxima voltarei à “vaca fria”. JAE
José da Cruz Santos ia falando comigo nos intervalos dos telefonemas e do atendimento do lado de fora do balcão. Sempre pedindo permissão para interromper a conversa. “Desculpe”; “Dá-me licença”. Foi assim até à última partilha e enquanto me foi apresentando ao Armando Alves que, entretanto, me convidou para visitar a sua casa e conhecer melhor a sua Obra.
Era meio-dia quando saí da livraria. Duas horas depois estava na Zona Industrial de Condeixa a comer um prego e a beber uma cerveja depois de uma visita à senhora da asneira. Ainda o sol cantava bem alto e já apanhava abrunhos e ameixas junto ao rio Tejo na Chamusca. Cerca das nove e meia da noite estava em Cascais, no espaço da Maria Viana, para a ouvir em mais um concerto, acompanhada pelo Nanã Sousa Dias. Muito curiosa a forma como ela me recebeu, já depois de ter falado ao João Almeida, da Antena 2, que transmitia o concerto em directo. “Há tanto tempo que não apareces”, como se eu fosse íntimo. De verdade ela é a cantora de serviço, a dona do espaço, a porteira e a principal empregada de mesa. Até enquanto cantava, de olhos fechados, uma canção de Ella Fitzgerald, Maria Viana tomava conta do negócio. E como ela é magistral a cantar e interpretar!!!!
Eram 11h30 quando saí à rua para dar de caras com o José Carlos de Vasconcelos que andava por ali a passear três livros debaixo do braço. Conversamos sobre livros, jornais e jornalistas durante meia hora até cada um ir à sua vida. O mais curioso da história deste dia de sexta-feira é o que fica por contar. Nas três horas de viagem entre Porto e Lisboa escrevi, de memória, uma crónica sobre o “fraca roupa” do vice-presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira, que ainda não teve coragem de falar a O MIRANTE sobre os erros cometidos no Orçamento Participativo levando muitos dos seus eleitores à indignação. O outro “fraca roupa” que me atazanou o pensamento é presidente da junta de freguesia da cidade. Chama-se Mário Calado e surpreendeu-me pela negativa ao comprar espaço publicitário em cartazes gigantes dentro da cidade para fazer propaganda à sua Obra como político. Em vez de limpar a cidade dos cartazes que fazem do concelho de Vila Franca de Xira um concelho do terceiro mundo ainda contribui para a poluição. Este é um assunto que me interessa por isso numa próxima voltarei à “vaca fria”. JAE
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
Os sírios, os moçambicanos e os ribatejanos
Há cerca de dez anos fiz uma viagem a Moçambique para visitar a cidade de Nampula. Dormi uma noite no melhor hotel da cidade que tinha lençóis da cor do carvão, um velho e ferrugento regador como chuveiro instalado num cubículo onde mal cabia um homem. Era ainda um hotel que passava factura mas sem número de contribuinte. Em oito dias comi mais lagosta que em toda a minha vida. Tive uma boa recompensa: sofri uma diarreia que se manifestou em início de viagem numa carrinha 4X4, em estrada de mato, numa distância de mais de 300 quilómetros. Posso dizer, com certeza, que foram as 24 horas mais difíceis da minha vida de viajante.
No último dia da nossa estadia em Nampula fomos almoçar à mata, no meio de uma pequena aldeia, e comemos da panela dos nativos. Éramos cerca de uma dúzia de pessoas e do que me lembro ninguém ficou chocado com a triste realidade que ainda hoje me azeda o espírito. Duas mulheres jovens passeavam entre nós com dois filhos presos à cintura com mais moscas no rosto que abelhas à volta de um cortiço. Das duas ou três vezes que fiz das mãos abanos as moscas nem abriram as asas. Estavam literalmente em cima de rostos quase cadáveres e em vez de moscas pareciam carraças. Não guardei as feições das crianças mas guardei as imagens do sono profundo em que pareciam mergulhadas como se o colo das mães fosse o lugar mais seguro do mundo. De verdade era apenas uma cintura onde as passeavam, já insensíveis à dor e à proximidade da morte.
Lembrei-me deste triste episódio quando alguém muito recentemente sugeriu que perguntássemos aos presidentes das nossas freguesias rurais como é que eles se estão a preparar para o acolhimento de refugiados da Síria. “Era interessante saber como é que o presidente da Junta da Azinhaga, da Moçarria, de Envendos ou do Chouto, lugares onde até as moscas têm melhor vida que as cigarras, se preparam para a ajuda humanitária.”
A minha convicção é que não se preparam nem têm como se preparar. Alguns até são responsáveis por centros de apoio a crianças e a velhos mas nenhum tem orçamento ou instalações para acolher refugiados. E não vale a pena dourar a pílula; se os refugiados sírios precisarem dos ribatejanos para se livrarem da miséria e da guerra vão ter que aprender rápido a cavar terra para batatas.
Não sou retornado mas vivi na época o drama de alguns retornados das antigas colónias. De boa vontade e de coração aberto não me importaria de ajudar a acolher crianças moçambicanas, ou sírias, que morrem de fome e de doenças de que já ninguém se lembra em Portugal. JAE
No último dia da nossa estadia em Nampula fomos almoçar à mata, no meio de uma pequena aldeia, e comemos da panela dos nativos. Éramos cerca de uma dúzia de pessoas e do que me lembro ninguém ficou chocado com a triste realidade que ainda hoje me azeda o espírito. Duas mulheres jovens passeavam entre nós com dois filhos presos à cintura com mais moscas no rosto que abelhas à volta de um cortiço. Das duas ou três vezes que fiz das mãos abanos as moscas nem abriram as asas. Estavam literalmente em cima de rostos quase cadáveres e em vez de moscas pareciam carraças. Não guardei as feições das crianças mas guardei as imagens do sono profundo em que pareciam mergulhadas como se o colo das mães fosse o lugar mais seguro do mundo. De verdade era apenas uma cintura onde as passeavam, já insensíveis à dor e à proximidade da morte.
Lembrei-me deste triste episódio quando alguém muito recentemente sugeriu que perguntássemos aos presidentes das nossas freguesias rurais como é que eles se estão a preparar para o acolhimento de refugiados da Síria. “Era interessante saber como é que o presidente da Junta da Azinhaga, da Moçarria, de Envendos ou do Chouto, lugares onde até as moscas têm melhor vida que as cigarras, se preparam para a ajuda humanitária.”
A minha convicção é que não se preparam nem têm como se preparar. Alguns até são responsáveis por centros de apoio a crianças e a velhos mas nenhum tem orçamento ou instalações para acolher refugiados. E não vale a pena dourar a pílula; se os refugiados sírios precisarem dos ribatejanos para se livrarem da miséria e da guerra vão ter que aprender rápido a cavar terra para batatas.
Não sou retornado mas vivi na época o drama de alguns retornados das antigas colónias. De boa vontade e de coração aberto não me importaria de ajudar a acolher crianças moçambicanas, ou sírias, que morrem de fome e de doenças de que já ninguém se lembra em Portugal. JAE
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
As cebolas de Rio Maior
A inauguração da Feira Nacional da Cebola que acompanhei um pouco à distância da comitiva oficial, de forma propositada, originou que acabasse a visita sem cumprimentar a maioria dos convidados. A comitiva era pequena mas os corredores por onde circulamos afastaram-me com facilidade e sem perder de vista os principais convidados do executivo de Rio Maior.
A presença discreta, que fiz questão de manter enquanto durou a maior parte da visita, deu para perceber que a maioria dos políticos, em maior número nesta cerimónia, só se aproximam para confraternizar e eventualmente cumprimentar aqueles que os procuram na cabeça do pelotão. Vão todos de fato e gravata, a cabeça entre os ombros, e quando não estão sozinhos a olhar para o chão ou para o membro do Governo convidado, procuram um camarada de partido a quem podem sempre roubar uma conversa ou apoiar as mãos nos ombros.
O facto de caminhar na cauda do pelotão permitiu-me ouvir algumas conversas de deputados e candidatos a deputados nas próximas eleições a espalharem charme junto de alguns expositores. Uma delas, a doutora Idália Serrão, uma das cebolas da política, estava tão embevecida na conversa com três expositores que a julguei a mais feliz dos mortais. No momento de passar por ela, e já depois de ter observado os cumprimentos e a aparente familiaridade, ouvi a apresentação formal. “Sou deputada da Assembleia da República. Estou aqui como convidada”. Nem queria acreditar que a doutora deputada tinha arriscado meter-se com três produtores de cebola de mãos calejadas e aparência simples contrastando com o seu habitual porte altivo e a sua figura muito conhecida da televisão como emplastro atrás dos lideres do PS, ao jeito de um homem do norte que é mais conhecido que o Pinto da Costa. Vi ainda alguns políticos aos pares a tirarem ‘selfies’ e a fotografarem a cerimónia com o telemóvel, provavelmente, para alimentarem a sua página do facebook.
Puxei por este texto para contar finalmente, e para rematar, que o convidado que mais me despertou a atenção foi o filho de Silvino Sequeira, antigo presidente da Câmara de Rio Maior, pai de um igualmente ilustre político da terra, João Sequeira, que é pessoa de confiança de António Costa e que já tem lugar garantido na Assembleia da República na próxima legislatura. É um dos mais jovens e promissores políticos da região. Para além de ser figura de relevo no Largo do Rato, onde é cumprimentado por senhor doutor por todos os funcionários do PS, é adorado em Rio Maior pelas pessoas mais velhas que o viram nascer e crescer e acham que, por ser filho de Silvino Sequeira, ainda vai alcançar um lugar honroso num qualquer governo do PS. Que se saiba, em toda a sua vida, nunca fez mais nada que política e jogos políticos. Tem um curso universitário, goza da boa fama de ser bom filho, usa roupa e óculos de marca e, segundo se diz, é tão vaidoso e convencido que um dia que chegue à idade do pai vai apagá-lo da História sem ele próprio dar por isso
Como toda a gente sabe a Feira da Cebola de Rio Maior deve o seu êxito aos produtores que vêm das Caldas da Rainha e arredores. Quem sabe os riomaiorenses não tenham em João Sequeira um mágico que transforme as salinas em campos de boa terra para plantar cebolas. Na política, e com esta notável geração de políticos, tudo é possível para bem das terras do interior. JAE
A presença discreta, que fiz questão de manter enquanto durou a maior parte da visita, deu para perceber que a maioria dos políticos, em maior número nesta cerimónia, só se aproximam para confraternizar e eventualmente cumprimentar aqueles que os procuram na cabeça do pelotão. Vão todos de fato e gravata, a cabeça entre os ombros, e quando não estão sozinhos a olhar para o chão ou para o membro do Governo convidado, procuram um camarada de partido a quem podem sempre roubar uma conversa ou apoiar as mãos nos ombros.
O facto de caminhar na cauda do pelotão permitiu-me ouvir algumas conversas de deputados e candidatos a deputados nas próximas eleições a espalharem charme junto de alguns expositores. Uma delas, a doutora Idália Serrão, uma das cebolas da política, estava tão embevecida na conversa com três expositores que a julguei a mais feliz dos mortais. No momento de passar por ela, e já depois de ter observado os cumprimentos e a aparente familiaridade, ouvi a apresentação formal. “Sou deputada da Assembleia da República. Estou aqui como convidada”. Nem queria acreditar que a doutora deputada tinha arriscado meter-se com três produtores de cebola de mãos calejadas e aparência simples contrastando com o seu habitual porte altivo e a sua figura muito conhecida da televisão como emplastro atrás dos lideres do PS, ao jeito de um homem do norte que é mais conhecido que o Pinto da Costa. Vi ainda alguns políticos aos pares a tirarem ‘selfies’ e a fotografarem a cerimónia com o telemóvel, provavelmente, para alimentarem a sua página do facebook.
Puxei por este texto para contar finalmente, e para rematar, que o convidado que mais me despertou a atenção foi o filho de Silvino Sequeira, antigo presidente da Câmara de Rio Maior, pai de um igualmente ilustre político da terra, João Sequeira, que é pessoa de confiança de António Costa e que já tem lugar garantido na Assembleia da República na próxima legislatura. É um dos mais jovens e promissores políticos da região. Para além de ser figura de relevo no Largo do Rato, onde é cumprimentado por senhor doutor por todos os funcionários do PS, é adorado em Rio Maior pelas pessoas mais velhas que o viram nascer e crescer e acham que, por ser filho de Silvino Sequeira, ainda vai alcançar um lugar honroso num qualquer governo do PS. Que se saiba, em toda a sua vida, nunca fez mais nada que política e jogos políticos. Tem um curso universitário, goza da boa fama de ser bom filho, usa roupa e óculos de marca e, segundo se diz, é tão vaidoso e convencido que um dia que chegue à idade do pai vai apagá-lo da História sem ele próprio dar por isso
Como toda a gente sabe a Feira da Cebola de Rio Maior deve o seu êxito aos produtores que vêm das Caldas da Rainha e arredores. Quem sabe os riomaiorenses não tenham em João Sequeira um mágico que transforme as salinas em campos de boa terra para plantar cebolas. Na política, e com esta notável geração de políticos, tudo é possível para bem das terras do interior. JAE
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Deus descalço e em tronco nu
Mas que lindo mês de Agosto. O Entroncamento é a
terra do homem fenómeno José Canelo, campeão do mundo de atletismo em
maiores de 90 anos. Mas é em Coruche que duas ribeiras em território do
Couço (a ribeira de Sor e a ribeira de Raia) dão corpo e vida ao Rio
Sorraia que na segunda-feira, feriado municipal, recebeu um barco para
visitas guiadas à vila. Quem não acredita que veja o vídeo de O MIRANTE
TV publicado no sítio diário. É curioso como um rio que nasce de duas
ribeiras, aqui à nossa porta, tem tanta influência na vida de uma terra e
representa um investimento sempre em actualização. Há muitos outros que
têm o Tejo ao fim da rua onde moram e, ou fazem dele retrete, ou
ancoradouro para barcos, quando não é o caso de o ignorarem simplesmente
para proveito das indústrias que de vez em quando pintam a sua água da
cor do petróleo. E não falamos mais, por agora, de açudes que servem
como armadilhas para os peixes, obra de políticos que ainda hoje são
considerados como se tivessem sido autarcas modelo, quando não passaram
de simples fanfarrões na utilização dos dinheiros públicos em tempos de
vacas gordas.
Mas que lindo mês de Agosto. Luís Ferreira, o homem de Cem Soldos que põe de pé o Festival Bons Sons, merece que o apontemos como exemplo. Ao contrário do que é habitual em iniciativas culturais o Bons Sons não vive do favor dos políticos nem do dinheiro do orçamento público. Tem patrocinadores e paga-se com o dinheiro das entradas. Os políticos festeiros da nossa região deviam seguir o exemplo.
Em Dornes, ou na praia fluvial da aldeia do Mato ou em Constância, na confluência do Zêzere com o Tejo, a natureza é espectacular e é um privilégio viver nesta região do Ribatejo. No entanto estamos entregues a meia dúzia de políticos fraquinhos como decisores que vivem em “tocas e gaiolas” e só sabem promover-se a eles próprios. Dou o exemplo do Dr. Pombeiro que, enquanto presidente da Câmara da Barquinha, o melhor que fez foi dar o nome ao cais principal da vila, e agora é secretário executivo da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, um cargo que, para nossa maior desgraça, lhe dá ainda mais importância que o de presidente da Câmara da Barquinha.
Mas que lindo mês de Agosto. O rio Sorraia, que nasce de duas ribeiras em território do Couço, faz milagres em Coruche. No site “Viver o Tejo” da NERSANT há muito mais informação sobre lugares da nossa região onde Deus ainda anda descalço e em tronco nu.
Mas que lindo mês de Agosto era o princípio de uma frase chorada sobre o que é viver num país em que toda a gente se lamenta com falta de dinheiro e de trabalho mas assim que a pulga aperta vai a banhos para o Algarve e para a linha do Estoril. Mas também era sobre os campos do Ribatejo, onde nesta altura já se faz a vindima, ainda se apanha o tomate e o milho é o rei da paisagem. JAE
Mas que lindo mês de Agosto. Luís Ferreira, o homem de Cem Soldos que põe de pé o Festival Bons Sons, merece que o apontemos como exemplo. Ao contrário do que é habitual em iniciativas culturais o Bons Sons não vive do favor dos políticos nem do dinheiro do orçamento público. Tem patrocinadores e paga-se com o dinheiro das entradas. Os políticos festeiros da nossa região deviam seguir o exemplo.
Em Dornes, ou na praia fluvial da aldeia do Mato ou em Constância, na confluência do Zêzere com o Tejo, a natureza é espectacular e é um privilégio viver nesta região do Ribatejo. No entanto estamos entregues a meia dúzia de políticos fraquinhos como decisores que vivem em “tocas e gaiolas” e só sabem promover-se a eles próprios. Dou o exemplo do Dr. Pombeiro que, enquanto presidente da Câmara da Barquinha, o melhor que fez foi dar o nome ao cais principal da vila, e agora é secretário executivo da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, um cargo que, para nossa maior desgraça, lhe dá ainda mais importância que o de presidente da Câmara da Barquinha.
Mas que lindo mês de Agosto. O rio Sorraia, que nasce de duas ribeiras em território do Couço, faz milagres em Coruche. No site “Viver o Tejo” da NERSANT há muito mais informação sobre lugares da nossa região onde Deus ainda anda descalço e em tronco nu.
Mas que lindo mês de Agosto era o princípio de uma frase chorada sobre o que é viver num país em que toda a gente se lamenta com falta de dinheiro e de trabalho mas assim que a pulga aperta vai a banhos para o Algarve e para a linha do Estoril. Mas também era sobre os campos do Ribatejo, onde nesta altura já se faz a vindima, ainda se apanha o tomate e o milho é o rei da paisagem. JAE
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
“Poesia-me”
"Poesia-me”. A palavra está escrita num mural algures numa cidade que já esqueci o nome. Ainda hoje me sirvo dela. “Não estamos aqui para viver vidas úteis....mas belas”. Esta frase foi roubada de um livro e está escrita na minha testa para a ler quando me vejo ao espelho. Regra geral estou “aqui” quase sempre a fazer o contrário daquilo que os mestres ensinam; “O livro é um mudo que fala; um surdo que responde; um cego que guia; um morto que vive”. Palavras do Padre António Vieira que é autor do Sermão a Santa Iria de Santarém “na opinião do mundo, uma das virgens loucas que por isso excedeu singular e unicamente a todas as virgens prudentes”. A Obra está a ser reeditada mas o Sermão está na internet disponível para todos os que gostam de ler o mais sábio de todos os padres portugueses que foi condenado em 1667 pela Inquisição e privado de pregar em público, além de ser obrigado a passar cinco anos em degredo, em Roma. Um doloroso castigo pois os sermões transformaram Vieira, citando Fernando Pessoa, no “imperador da língua portuguesa”. A punição deu origem a uma amizade epistolar com Cristina Vasa, ex-rainha da Suécia, que foi morar em Roma depois de abdicar do trono. As cartas, muito eróticas, foram recentemente publicadas em livro, no Brasil, e são uma inspiração para qualquer cristão que se preze, vista batina ou calças de ganga.
O relatório diário da Mariana em Agosto é uma desilusão. Gosto de chegar ao fim do dia e ler os recados dos leitores zangados com a má distribuição do jornal, o recado do leitor azedo com a notícia que saiu incompleta, o telefonema anónimo a denunciar algo errado, as ordens dos leitores que muitas vezes entendem, e bem, que nós somos fraca-roupa e que, muitas vezes, ficamos nas covas. Em Agosto pára tudo. Até os telefonemas dos leitores a protestarem ou a sugerirem notícias. Vivemos num país que, como no tempo das vacas gordas, vai de férias em Agosto. Apesar de ter caído o Carmo e a Trindade com a prisão de José Sócrates e Ricardo Salgado, e de Mário Soares, o Papa da nossa democracia, ser visita assídua dos dois, Portugal vai de férias em Agosto e não discute o preço do hotel nem da diária. O Padre António Vieira gostaria certamente de alterar alguns dos seus sermões caso fosse Santo ao ponto de nos fazer uma visita a cada século. JAE
O relatório diário da Mariana em Agosto é uma desilusão. Gosto de chegar ao fim do dia e ler os recados dos leitores zangados com a má distribuição do jornal, o recado do leitor azedo com a notícia que saiu incompleta, o telefonema anónimo a denunciar algo errado, as ordens dos leitores que muitas vezes entendem, e bem, que nós somos fraca-roupa e que, muitas vezes, ficamos nas covas. Em Agosto pára tudo. Até os telefonemas dos leitores a protestarem ou a sugerirem notícias. Vivemos num país que, como no tempo das vacas gordas, vai de férias em Agosto. Apesar de ter caído o Carmo e a Trindade com a prisão de José Sócrates e Ricardo Salgado, e de Mário Soares, o Papa da nossa democracia, ser visita assídua dos dois, Portugal vai de férias em Agosto e não discute o preço do hotel nem da diária. O Padre António Vieira gostaria certamente de alterar alguns dos seus sermões caso fosse Santo ao ponto de nos fazer uma visita a cada século. JAE
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Os amigos e os horizontes largos
Uma empresa local ou regional, como é o caso da empresa editora de O MIRANTE, precisa de uma gestão global. Por isso há muitos anos que viajo pelo mundo sempre com um pretexto para visitar uma gráfica, uma feira do livro, um congresso de editores, uma redacção de um jornal ou de uma televisão, muitas vezes só para participar em congressos.
Algumas vezes os interesses imediatos na resolução de certos assuntos estão muito longe dos limites geográficos da nossa área de trabalho. Foi o que aconteceu recentemente: Precisava de falar urgentemente com um professor da Universidade de Coimbra. Depois de várias tentativas sem êxito telefonei ao meu amigo Américo Oliveira que vive em Coimbra e contei-lhe o que precisava. Desligou o telefone e meteu-se a caminho da Universidade. Foi ao departamento onde o Professor trabalha, conseguiu entrar no seu gabinete e ligou o seu telemóvel proporcionando uma conversa que acendeu a luz ao fundo do túnel.
Estou a escrever este texto ainda cansado da viagem mas com a sensação de dever cumprido. Além disso hoje descobri uma terapia espantosa que vou começar a trocar pelos mergulhos na piscina. O assunto que me levou a Coimbra ficou tratado a meio da manhã. O resto do dia foi para revisitar a cidade e os livreiros. A ideia é repetir a façanha todas as semanas visitando outros lugares, de preferência sem trabalho pelo meio.
O meu amigo Américo Oliveira, que ainda teve tempo para beber um café comigo e levar-me ao seu livreiro preferido, não valorizou muito a ajuda que me deu e achou que não tinha feito nada do outro mundo. É uma sorte ter bons amigos que têm os horizontes largos e sem neblinas. JAE
Algumas vezes os interesses imediatos na resolução de certos assuntos estão muito longe dos limites geográficos da nossa área de trabalho. Foi o que aconteceu recentemente: Precisava de falar urgentemente com um professor da Universidade de Coimbra. Depois de várias tentativas sem êxito telefonei ao meu amigo Américo Oliveira que vive em Coimbra e contei-lhe o que precisava. Desligou o telefone e meteu-se a caminho da Universidade. Foi ao departamento onde o Professor trabalha, conseguiu entrar no seu gabinete e ligou o seu telemóvel proporcionando uma conversa que acendeu a luz ao fundo do túnel.
Estou a escrever este texto ainda cansado da viagem mas com a sensação de dever cumprido. Além disso hoje descobri uma terapia espantosa que vou começar a trocar pelos mergulhos na piscina. O assunto que me levou a Coimbra ficou tratado a meio da manhã. O resto do dia foi para revisitar a cidade e os livreiros. A ideia é repetir a façanha todas as semanas visitando outros lugares, de preferência sem trabalho pelo meio.
O meu amigo Américo Oliveira, que ainda teve tempo para beber um café comigo e levar-me ao seu livreiro preferido, não valorizou muito a ajuda que me deu e achou que não tinha feito nada do outro mundo. É uma sorte ter bons amigos que têm os horizontes largos e sem neblinas. JAE
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Os jornalistas ao ataque
Ao longo destes últimos anos reuni com vários membros do Governo, sempre na minha qualidade de director deste jornal, aproveitando também o estatuto que fui ganhando por pertencer durante muitos anos aos órgãos sociais dos movimentos associativos do sector. Desde Arons de Carvalho até Augusto Santos Silva e Miguel Relvas não posso dizer que o meu trabalho alguma vez tenha dado frutos. Em todos os casos encontrei os membros do Governo tão ignorantes sobre os problemas da comunicação social local e regional como ignorantes deveriam ser sobre os problemas dos direitos humanos no Quénia.
Uma das últimas audiências foi com o antigo ministro do governo de Sócrates, Augusto Santos Silva. O ministro tinha ao seu lado a directora do Gabinete de Meios (Teresa Ribeiro) e recebeu-me numa audiência sem tempo marcado. Como levava a lição estudada falei 20 minutos sem me calar. A meia dúzia de tentativas para me interromper foram infrutíferas. A questão do preço mínimo de assinatura, o pagamento da assinatura à cabeça, o financiamento encapotado dos Correios com o Porte Pago, os critérios da atribuição do subsídio à reconversão tecnológica e a publicidade do Estado são dossiers cheios de incongruências e com uma gestão política literalmente irresponsável de tão fraquinha.
Quando acabei de expor os assuntos ao ministro ouvi com satisfação Santos Silva dar a palavra a Teresa Ribeiro para ela lhe explicar o que eram na verdade, trocados por miúdos, os assuntos que eu tinha posto em cima da mesa. Como é evidente fiquei de boca aberta; Santos Silva tinha a pasta da Comunicação Social mas não sabia nada de nada dos assuntos ligados ao sector.
Já no final da conversa que, como era previsível, não teve consequências, ouvi o senhor ministro dizer que para ele o espelho da imprensa local e regional era o jornal da sua terra, que começou a ser-lhe oferecido quando ele era professor numa determinada universidade, e que continuava a chegar embora ele já não exercesse o cargo há muitos anos.
Esta fraca gente que nos Governa de vez em quando fala verdade e o mundo parece que encolhe e ficamos, também nós, do tamanho dos liliputianos que são os seres do mundo onde vive a grande maioria dos políticos.
Trago o assunto aqui por causa de um texto que o director de informação da TVI, Sérgio Figueiredo, escreveu no Diário de Notícias, edição do dia 27 de Julho, a propósito da personalidade de Augusto Santos Silva. Faz falta mais gente com a coragem do Sérgio Figueiredo que não se compre e venda como quase sempre foi tradição nos grandes órgãos de Comunicação Social. JAE
Uma das últimas audiências foi com o antigo ministro do governo de Sócrates, Augusto Santos Silva. O ministro tinha ao seu lado a directora do Gabinete de Meios (Teresa Ribeiro) e recebeu-me numa audiência sem tempo marcado. Como levava a lição estudada falei 20 minutos sem me calar. A meia dúzia de tentativas para me interromper foram infrutíferas. A questão do preço mínimo de assinatura, o pagamento da assinatura à cabeça, o financiamento encapotado dos Correios com o Porte Pago, os critérios da atribuição do subsídio à reconversão tecnológica e a publicidade do Estado são dossiers cheios de incongruências e com uma gestão política literalmente irresponsável de tão fraquinha.
Quando acabei de expor os assuntos ao ministro ouvi com satisfação Santos Silva dar a palavra a Teresa Ribeiro para ela lhe explicar o que eram na verdade, trocados por miúdos, os assuntos que eu tinha posto em cima da mesa. Como é evidente fiquei de boca aberta; Santos Silva tinha a pasta da Comunicação Social mas não sabia nada de nada dos assuntos ligados ao sector.
Já no final da conversa que, como era previsível, não teve consequências, ouvi o senhor ministro dizer que para ele o espelho da imprensa local e regional era o jornal da sua terra, que começou a ser-lhe oferecido quando ele era professor numa determinada universidade, e que continuava a chegar embora ele já não exercesse o cargo há muitos anos.
Esta fraca gente que nos Governa de vez em quando fala verdade e o mundo parece que encolhe e ficamos, também nós, do tamanho dos liliputianos que são os seres do mundo onde vive a grande maioria dos políticos.
Trago o assunto aqui por causa de um texto que o director de informação da TVI, Sérgio Figueiredo, escreveu no Diário de Notícias, edição do dia 27 de Julho, a propósito da personalidade de Augusto Santos Silva. Faz falta mais gente com a coragem do Sérgio Figueiredo que não se compre e venda como quase sempre foi tradição nos grandes órgãos de Comunicação Social. JAE
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Um elogio ao fato-macaco
Ando à procura de mulheres para trabalhar que tenham experiência profissional como “gasolineiras”. Precisamos de gente para um ofício que exige prática em vestir o fato-macaco. A ideia que tenho é que as mulheres que trabalham ou trabalharam em postos de gasolina reúnem as aptidões que fazem delas grandes comunicadoras.
Na quinta-feira da semana passada estava no lançamento do novo livro do jornalista João Céu e Silva e partilhei o assunto com a Joana que me disse pelo telefone que já nada era como dantes. “Encontrei um dia destes uma dessas gasolineiras que parecia um pavão e só me apeteceu enfiar-lhe a mangueira pela boca abaixo”, desabafou, ao final da tarde de uma quinta-feira, que é o dia da semana em que tudo arde e cheira a peixe.
Estive meia hora de pé a conversar com a escritora Lídia Jorge que ouviu duas histórias da minha avó Ilda e devolveu duas histórias de vida da sua mãe (As mulheres são uma bruxas; quando ficam mais velhas tornam-se bruxas por causa de saberem tanto da vida e de adivinharem quase tudo o que acontece a quem as rodeia e lhes toca o coração).
O Professor Adriano Moreira foi convidado para apresentar o livro Adeus África. A livraria estava cheia de gente a cheirar a perfume Chanel e eu tinha no nariz o cheiro a gasolina. O Professor dava lições sobre a guerra, a crueldade e o poder das armas, e eu olhava para o telemóvel que tocava, tocava, sem que pudesse atender.
A Vânia, assessora de imprensa da editora, fartou-se de elogiar O MIRANTE enquanto conversava comigo mas eu olhava para ela e só queria ver uma mulher de fato-macaco. A Tânia, que tem 32 anos e foi elogiada publicamente por tudo o que fez pelo texto e pela capa do livro, podia ser a mulher que eu procurava mas não consegui vê-la entre tanta gente que foi ao lançamento do livro.
Enquanto bebo um sumo e como um bolo de coco, para repor energias (estive de pé a tarde toda e o dia de quinta-feira passou a correr), recebo uma mensagem que dizia “amo estar contigo”. Chegou por engano. Nesse dia, alguém que me é muito próximo, esteve toda a tarde “em cima” de uma gasolineira e deixei-a escapar. JAE
Na quinta-feira da semana passada estava no lançamento do novo livro do jornalista João Céu e Silva e partilhei o assunto com a Joana que me disse pelo telefone que já nada era como dantes. “Encontrei um dia destes uma dessas gasolineiras que parecia um pavão e só me apeteceu enfiar-lhe a mangueira pela boca abaixo”, desabafou, ao final da tarde de uma quinta-feira, que é o dia da semana em que tudo arde e cheira a peixe.
Estive meia hora de pé a conversar com a escritora Lídia Jorge que ouviu duas histórias da minha avó Ilda e devolveu duas histórias de vida da sua mãe (As mulheres são uma bruxas; quando ficam mais velhas tornam-se bruxas por causa de saberem tanto da vida e de adivinharem quase tudo o que acontece a quem as rodeia e lhes toca o coração).
O Professor Adriano Moreira foi convidado para apresentar o livro Adeus África. A livraria estava cheia de gente a cheirar a perfume Chanel e eu tinha no nariz o cheiro a gasolina. O Professor dava lições sobre a guerra, a crueldade e o poder das armas, e eu olhava para o telemóvel que tocava, tocava, sem que pudesse atender.
A Vânia, assessora de imprensa da editora, fartou-se de elogiar O MIRANTE enquanto conversava comigo mas eu olhava para ela e só queria ver uma mulher de fato-macaco. A Tânia, que tem 32 anos e foi elogiada publicamente por tudo o que fez pelo texto e pela capa do livro, podia ser a mulher que eu procurava mas não consegui vê-la entre tanta gente que foi ao lançamento do livro.
Enquanto bebo um sumo e como um bolo de coco, para repor energias (estive de pé a tarde toda e o dia de quinta-feira passou a correr), recebo uma mensagem que dizia “amo estar contigo”. Chegou por engano. Nesse dia, alguém que me é muito próximo, esteve toda a tarde “em cima” de uma gasolineira e deixei-a escapar. JAE
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