sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Trabalha-se pouco no Ribatejo

As opiniões fortes de António Fonseca Ferreira.

A morte de António Fonseca Ferreira, antigo presidente da CCDR/LVT, fez-me recuar ao tempo em que na região ribatejana ainda se investia a sério em projectos estruturantes que ajudaram a mudar o rosto de muitos concelhos ribatejanos.
Fonseca Ferreira era um político e técnico experimentado quando assumiu o cargo de presidente da CCDR/LVT. Daí que tenha servido como interlocutor privilegiado aos autarcas da maioria dos concelhos do Ribatejo; era um dirigente sempre presente e disposto a usar da palavra quando o convidavam. Tinha opinião sobre a maioria dos assuntos e nunca fugia às questões. De Vila Franca de Xira a Abrantes, acompanhei-o em muitas visitas de trabalho mas também em algumas iniciativas que marcaram um tempo; uma delas foi em Tomar na entrega dos prémios Personalidade do Ano de O MIRANTE em Fevereiro de 2012. Mas houve muitas outras em Vila Franca de Xira, Cartaxo, Almeirim, Chamusca, Entroncamento e Abrantes.
Nunca o tratei por tu mas conheci bem o seu pensamento e algumas opiniões fortes. Encontrei-o também algumas vezes a almoçar em Lisboa num restaurante onde uma refeição custa tanto como almoçar toda a semana nos restaurantes de Santarém; mas nunca almocei na sua mesa. Foi na altura desses almoços de trabalho que descobri o segredo da resposta a uma pergunta que um dia fiz a um ourives da rua do Ouro, em Lisboa; por que é que um anel com 30 diamantes 8/8 custa sete mil euros se o valor real das pedras preciosas é de apenas 700?
Perdi o contacto com ele nestes últimos anos; sei que andava por aí a comandar uma empresa de consultoria e que mantinha contactos privilegiados na região, mas não tenho notícias de grandes afectividades com os novos e velhos políticos e autarcas da região. Nem tão pouco ao nível dos negócios. A vida é mesmo assim. Com os políticos mas também com os jornalistas que perdem o emprego. Se um jornalista de repente deixar de ter um espaço onde escrever bem pode espernear que ninguém lhe liga importância por mais que ele afie o aparo da caneta e seja muito bom a contar histórias.
Um dia destes ouvi este tesourinho a um dirigente da administração central que intervém na nossa região: “os autarcas estão adormecidos; muito do dinheiro dos fundos comunitários não é utilizado porque não há projectos, ou seja, trabalha-se pouco no Ribatejo; há muita gente inexperiente nas autarquias que não sabe de que terra é”.
Não ouvi de boca calada e desafiei o dito cujo a repetir alto e bom som o que tinha acabado de dizer meio entre dentes. Chamou-me maluco e brindou-me com muitos sorrisos e provas de confiança para não o obrigar a fazer aquilo para o qual ele diz que não está fadado.
Na apresentação do livro “Gestão Estratégica de Cidades e Regiões”, que ajudei a apresentar na nossa região em 2005, no qual relata a experiência de muitos anos de vida e de trabalho como responsável pelo planeamento estratégico de muitas cidades do país, António Fonseca Ferreira não deixou de falar do seu estado de perplexidade por continuarmos a desperdiçar e a estragar um território tão rico que nos calhou em legado. Fica aqui a lembrança do trabalho do político e do gestor que marcou uma época. JAE

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Um ano novo com uma pulseira verde

Crónica sobre os primeiros dias de 2019 e a sensação de viver uma nova experiência no sangue.

Passei o dia de ano novo com uma pulseira verde num serviço de atendimento permanente de um hospital privado. Saí de lá com uma nova experiência no sangue: uma dose de morfina que me transportou gradativamente para outro mundo; pela primeira vez soube o que era voar nas asas dos anjos azuis. Não sei ainda se o azar da doença vai valer pela experiência mas tenho fé que sim.
Nos últimos dias tive tempo para escrever uma crónica por hora, para ler os livros todos que não li nos últimos anos, para reescrever os textos esquecidos no disco do computador e nos cadernos perdidos lá de casa, mas limitei-me a usar o telemóvel, a ler alguns (poucos) jornais, a visitar uma livraria da avenida de Roma, a comer, a dormir e a caminhar para os médicos.
Entretanto constipei-me. Mal pude usar a mota em que gosto de me transportar. Troquei a ida regular ao cinema por uma série na televisão chamada House of Cards e garanto que foi a única ficção que me prendeu à realidade nos últimos oito dias.
Tive mais tempo para acompanhar o correio dos leitores de O MIRANTE e para perceber a dinâmica das mensagens no Facebook que chegam a solicitarem trabalhos editoriais, entre outros. Mas nada disso teve qualquer importância na minha vida. Desde o alvor do dia de ano novo que o trabalho deixou de ter qualquer prioridade no meu dia-a-dia. Recebi mensagens pessoais sobre cursos de dança, fotos misteriosas no meio do Tejo, e viagens pelo mundo, bem mais interessantes que todo o correio de trabalho diário que normalmente me entusiasma e faz andar a mil à hora de manhã à noite.
Tenho um bom amigo a passar por um período de doença complicada e pensei nele a toda a hora; e nunca me lembrei se o António Palmeiro, João Calhaz, Marco Rodrigues, Mário Cotovio, o Alberto Bastos ou a Joana estavam a precisar de ajuda, ou sequer se alguma vez voltam a precisar da minha ajuda para puxarem pela carroça.
Estar doente, mesmo que seja só com uma dor nas costas que apanha a cabra da perna, é pior que ser obrigado a comer todos os dias nos restaurantes de Santarém que carregam nos temperos; bem pior que trabalhar de sol a sol pressionado pelo tempo e o stress; muito pior que não ter descanso sequer ao fim-de-semana e passar a vida a trabalhar para os outros mesmo que já tenhamos idade e estatuto para não fazermos ponta de corno.
Nestes primeiros dias de ano novo não abri livros novos, excepto os que visitei na livraria, mas tive oportunidade de passar os olhos pelo Samarcanda, do Amin Maalouf, um livro que li em 2018 e que deixou marcas. Estive quase para o oferecer no dia 5 de Janeiro como prenda de anos, mas agarrei-me às páginas sublinhadas como se fossem uma prova da minha existência.
É o único acto egoísta de que me lembro e arrependo desde que o ano novo deitou as antenas de fora. É nesse livro que se diz que “as palavras, boas ou más, são como flechas: quando se disparam várias há sempre uma que atingirá o alvo”.  JAE

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Sobre jornais e jornalistas: uma reflexão a partir de uma redacção de um jornal de província

As palavras do Presidente da República sobre o apoio aos jornais, proferidas nos últimos tempos de forma sempre cautelosa, tornaram ainda mais pública e notória a crise da imprensa e do jornalismo em Portugal.
Marcelo Rebelo de Sousa foi durante muito tempo director do Expresso e colaborador de vários jornais, rádios e televisões. Percebe o drama que se vive no seio das empresas e na vida de cada jornalista.
Portugal ainda não é um caixote do lixo de jornais mas para lá caminha. A maioria dos jornais de referência já tem tiragens absurdas para publicações que empregam dezenas de profissionais e se propõem contribuírem com notícias e opiniões para a vida democrática do país.
A falta de publicidade, mãe de todas as independências editoriais, deixou em palpos-de-aranha todas as administrações. Os chefes estão habituados a trabalhar com jornalistas mas ignoram, e até parece que desprezam, os departamentos comerciais. Ninguém olha para um jornal e vê um produto de promoção de empresas e serviços. Muitas empresas que contactamos para investirem em publicidade dizem aos nossos colegas que não podem gastar dinheiro e que temos obrigação de dar notícias sobre elas porque são assinantes.
Felizmente não é uma opinião maioritária. Ao nível da organização dos jornais poucos têm um sector comercial preparado para fazer o jornal sobreviver com as receitas da publicidade. A grande maioria depende ora de um grupo de distribuição, ora de um patrão da indústria, quando não é o caso de dependerem de investidores literalmente interessados no uso e fruto das notícias. A maioria dos patrões parece sintonizada com os empresários que se acham donos disto tudo.
Deixo aqui meia dúzia de linhas sobre assuntos da imprensa que não posso desenvolver agora mas que demonstram a fraqueza do sistema.
1) A única associação de classe dos patrões dos jornais quase que desapareceu. 2) Os jornalistas que vão saindo das empresas não querem voltar à profissão tal é a desconfiança. 3) As universidades continuam a formar jornalistas que nunca saem das salas de aula durante os anos do curso. 4) Os jornais de maior referência em Portugal continuam a ter uma agenda comum o que empobrece o jornalismo e a democracia. 5) Um assalto sofisticado a um banco, na Chamusca, só é notícia em O MIRANTE; se for uma porta arrombada de uma residência em Lisboa pode sair na primeira página ou ser abertura de telejornal. 6) Os membros do Governo não precisam ter mérito na governação para serem notícia diariamente e para falarem ao país: os jornais parece que existem em função do governo e dos deputados com prejuízo das notícias e das reportagens sobre o país real. JAE

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Viajar para viver e aprender

Um dia destes viajei pela primeira vez num cruzeiro pelo mar das Caraíbas. Embarquei numa cidade americana e depois visitei a Jamaica e o Haiti mas só rente às sobrancelhas. Os cruzeiros são viagens de sonho de que nunca se acorda. Avisaram-me antes que ia ficar surpreendido com o número de pessoas idosas que ia encontrar a trabalhar principalmente nas zonas de embarque. E assim foi. Dezenas de idosos, coxos e marrecos, impecavelmente fardados, solícitos, cheios de genica, com uma disposição de quem está a começar a vida profissional.
Demorei mais do que devia a observá-los e a rememorar outros tempos e outras pessoas que ainda me são queridas e que recordo com saudade. E também olhei por mim abaixo. E revi-me em alguns gestos, em algumas rugas, em algumas corcundas, em muitas mãos delicadas mas com os dedos tortos, nas pernas arqueadas mas também na falta de cabelo e nas covas dos olhos.
Ia preparado para a realidade porque numa conversa com amigos alguém disse que na grande América do Norte as reformas não são como na Europa. As pessoas têm que trabalhar até ao fim da vida e das posses. Não há reformas chorudas aos quarenta e cinco anos como aconteceu em Portugal. Nem aos sessenta e quatro como acontece agora. Lá trabalha-se até ao fim da vida e com um sorriso no rosto. Depois do que vi não tenho dúvidas: eu quero morrer a trabalhar como eles nem que seja a vender gelados numa praia.

Quantas igrejas tem o céu?
Porque não ataca o tubarão as impávidas sereias? 
É verdade que a esperança se deve regar com orvalho? 
As lágrimas que não se choram esperam em pequenos lagos? 
Partilho versos de Pablo Neruda, do Livro das Perguntas, porque sempre que se aproxima um ano novo o poeta chileno traz-me boas recordações. Desejo um Feliz Ano Novo a todos os leitores desta coluna. JAE

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Livros para oferecer no Natal


O autor desta crónica espera todos os anos pelas listas dos melhores filmes e dos melhores livros do ano como uma criança aguarda pelas prendas do Pai Natal; Desta vez atrevo-me também a sugerir livros que me marcaram e que eu acho que todos devem ter em conta na hora de se prendarem a si próprios ou às pessoa dos seus afectos.
Memórias de Adriano e A Obra ao Negro de Marguerite Yourcenar. O primeiro é um texto maravilhoso sobre o conhecido Imperador; o livro aborda todos os aspectos da vida humana, não deixando de fora nem o sono. O segundo é uma biografia de um herói do século XVI atraído pelo hermetismo e a ciência. Dois livros para que um Homem se descubra a si próprio e nunca mais se perca na vida.
A Louca da Casa de Rosa Montero. É já um clássico embora tenha sido editado há uma dúzia de anos. Se o leitor não engrenar na leitura é porque está cansado; durma uma noite tranquila e volte no dia seguinte para se redimir.
As Idades de Lulu de Almudenas Grandes. É um livro que recomendo a quem acha que a literatura erótica é toda ao nível da E.L. James ou do grande Henry Miller.
O Mundo de Ontem de Stefan Zweig. Uma autobiografia de um dos maiores escritores e biógrafos da literatura mundial que viveu e morreu no Brasil. Quem o ler nunca mais vê o mundo da mesma forma.
Memorial do Convento de José Saramago. O melhor livro do autor de Pequenas Memórias; Cuidado com as aparências: não há bons livros fáceis de ler. Se não conseguir entusiasmar-se à primeira leitura experimente uma segunda ou uma terceira vez. O esforço vale a pena.
À Beira do Corpo de Walmir Ayala. Um romance fascinante que se lê em dois dias e que conquistou ao longo das últimas cinco décadas várias gerações de leitores.
Um Homem Querendo Vender Sua Morte de Eliezer Moreira. Um romance premiado de autor brasileiro que tem um personagem chamado Antônio Finaflor, filho natural – obviamente imaginário – de certo empresário português da indústria de fumo estabelecido em São Félix, na Bahia.
“Um Deus passeando pela brisa da tarde” de Mário de Carvalho. Um livro para quem acha que um dia também vai ser escritor. Uma viagem à língua portuguesa com uma mestria incomparável na língua de Camões.
E como o espaço não dá para mais: toda a poesia de Ruy Belo, Jorge de Sena e Sofhia; As Canções de Bilitis de Pierre Louys;  Walden ou a vida na floresta de Henry David Thoureau. JAE

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

A Caixa Agrícola da Chamusca de outros tempos


A Caixa da Chamusca já não é o que era dantes. Vasco Cid e companhia isolaram a instituição do mundo financeiro, o que também é perigoso para a actividade. 

A Caixa de Crédito Agrícola da Chamusca era o banco dos chamusquenses. Uma instituição de proximidade que gerava confiança e atraia clientes. Regra geral a casa estava sempre cheia e fazia a diferença na comparação com as dependências de outros bancos.
A gestão dos últimos vinte anos, protagonizada por Vasco Cid, que para além de ser presidente do Conselho de Administração era também director executivo, deitou tudo a perder. Depois de muitas guerras internas, entre membros de famílias da região que sempre mandaram na Caixa, Vasco Cid levou a melhor e foi dono e senhor nos últimos anos. Até há pouco tempo quando foi obrigado a atirar a toalha ao chão por razões de saúde.
Vasco Cid é um dirigente de outros tempos que não fez sequer a tropa do associativismo. É um gestor feito à pressa, cheio de maus vícios, com um temperamento autoritário, um verdadeiro autocrata de serviço. Tem nesta altura 75 anos e reformou-se recentemente. A Caixa ganhou um novo protagonista chamado Carlos Amaral Netto, um gestor de profissão com 34 anos. Só lá está por solidariedade entre famílias que sempre geriram a Caixa mas, pelo que se conhece dele, é um homem destes tempos e uma pessoa com carácter.
A Caixa é que já não é o que era dantes. Vasco Cid e companhia isolaram a instituição do mundo financeiro, o que também é perigoso para a actividade. Mas quem mais ficou a perder foram os clientes. O roubo dos cofres, onde cerca de uma dezena de clientes guardavam as suas grandes e pequenas fortunas, é um duro golpe na confiança de uma instituição que dificilmente não será penalizada no futuro.
Nota: Este texto é dedicado a Francisco Mascarenhas, na foto com Vasco Cid e Fernando Amaral Netto, um antigo dirigente associativo da Chamusca, que também foi durante muitos anos figura marcante na gestão da Caixa. Era um homem de respeito, que não ganhava dinheiro com o seu trabalho associativo, que ajudava toda a gente que o procurava; deve-se a ele uma boa parte do crédito que a Caixa Agrícola da Chamusca teve junto da população do concelho. JAE

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

O Elogio da Maria da Luz Rosinha

Boa altura para elogiar a deputada Maria da Luz Rosinha, ex-presidente da câmara da Vila Franca de Xira, que não vendeu a alma ao diabo e preferiu estar do lado do povo do que do primeiro-ministro.

A guerra das touradas está a dar água pela barba aos políticos. Ninguém esperava que a primeira grande divisão no partido do poder ( PS) se devesse à tauromaquia que é uma actividade cultural em vias de extinção.
A divisão, ao meio, dos deputados do Partido Socialista representa um duro golpe na auto-estima de António Costa que, recentemente, viu a sua ministra da cultura, Graça Fonseca, tomar o partido dos portugueses civilizados contra os bárbaros que ainda gostam de touradas e largadas de toiros.
Boa altura para elogiar a deputada Maria da Luz Rosinha, ex-presidente da câmara da Vila Franca de Xira, que, apesar de ser uma pessoa que está deputada a convite de António Costa, e ser uma figura de proa do Partido Socialista, não vendeu a alma ao diabo e preferiu estar do lado do povo do que do lado do primeiro-ministro.
Rosinha é das pessoas da política que eu posso dizer que me marcou como jornalista. Ganhei algumas guerras importantes contra ela no exercício do meu trabalho, mas perdi outras tantas. As que ganhei foram todas à custa do tempo e do mérito do trabalho das pessoas que fazem, ou fizeram, parte da equipa de O MIRANTE. As que perdi foram todas em razão do interesse dos leitores do jornal e, em particular, dos de Vila Franca de Xira.
Quando chegámos ao concelho, sem explicações e sem sentirmos necessidade de as darmos, só faltou chamarem-nos Tarzan. Uns diziam que íamos para lavar dinheiro; outros que tínhamos um projecto político por trás do projecto editorial. Só não inventaram sobre nós aquilo que o diabo já inventou.
Maria da Luz Rosinha fez o seu papel e esperou para ver. Quando percebeu que nós éramos um projecto editorial editado e governado por jornalistas, abriu o livro e começou a relação pessoal e profissional de respeito mútuo que ainda hoje se mantém.
Fomo-nos conhecendo devagar, devagarinho, com episódios pelo meio que são antológicos e que só provam a riqueza do nosso trabalho e o privilégio de editarmos um jornal, que, não sendo de cobertura nacional tem a mesma importância, devido à relevância da região ribatejana e dos seus protagonistas.
Uma vez encontrámo-nos, por acaso, em Paris, dentro do Museu do Louvre, com a mesma naturalidade com que nos encontramos muitas vezes no Museu do Neorealismo, em Vila Franca de Xira, ou nas festas do Colete Encarnado, ou até nas mil ruas do concelho onde acontecem coisas que justificam a nossa presença.
A posição de Maria da Luz Rosinha no apoio às touradas, que considero cada vez mais uma actividade em extinção e uma luta perdida a médio prazo, por culpa dos empresários manhosos que tomaram conta da actividade, merece um elogio por ser um apoio corajoso e contra a corrente. Também sou aficionado e não gosto de ver e ouvir os políticos do Terreiro do Paço, em Lisboa, que nasceram como nós atrás de uma moita, armarem-se em príncipes dos bons costumes, e esquecerem aquela máxima de que quando um homem assume uma função pública deve considerar-se propriedade do público. JAE