Se há concelho do Ribatejo que não está em crise de população e habitacional é Vila Franca de Xira. No entanto, vem aí uma proposta para implementar o estacionamento pago em urbanizações onde nada foi planeado. Os moradores podem ter um calvário pela frente.
O concelho de Abrantes é conhecido por ser um bastião socialista, e em certos mandatos por erros de gestão que vão ficar na História. O caso mais grave foi o negócio com o “Barão Vermelho” que devia ser estudado nas universidades e, acima de tudo, nas formações que os partidos fazem com as juventudes partidárias. O que se passou em Abrantes, no tempo de Nelson Carvalho, não lembrava ao diabo, e dessas políticas irresponsáveis, que não foram devidamente penalizadas, nem são ainda hoje, é que nasceu e cresceu esta onda de revolta que alimenta o partido Chega. Veremos se os partidos tradicionais têm capacidade para se renovarem e impedirem este crescimento do Chega que, embora tenha alguns dirigentes bem-intencionados, e competentes, é no geral um ninho de ressabiados que saíram dos partidos tradicionais, de onde foram corridos.
Fui a Abrantes para dar o exemplo da política da cidade para a questão do estacionamento. Das cidades com Centro Histórico importante, Abrantes parece-me
a que tem a política mais acertada na questão do estacionamento. Trago o assunto a este espaço porque há quase uma guerra civil em Vila Franca de Xira sobre a possibilidade de o concelho se tornar um inferno para os moradores. A autarquia prepara-se para implementar parquímetros em zonas super urbanizadas, onde não foram construídos silos para estacionamento automóvel e onde os moradores, para poderem fazer a sua vida, têm mesmo que usar carro próprio.
Não é normal que num concelho onde a habitação cresce em altura a um ritmo frenético, como acontece na Quinta da Piedade, por exemplo, a gestão não se faça também ao nível do estacionamento. Se vierem só os parquímetros, como parece inevitável, e não surgirem os silos e bolsas de estacionamento a preços simbólicos para residentes, vai haver muita gente a sentir-se enganada e a perguntar para que servem os gabinetes de planeamento das autarquias, e que interesses é que defendem os técnicos ao serviço de algumas câmaras municipais. É um assunto que merece uma discussão ampla e urgente. E não estamos só a falar da Póvoa de Santa Iria, os erros do passado estendem-se a Alverca e outras localidades do concelho onde o betão cresceu muito e não houve planeamento.
Vejamos também o caso de Santarém. O parque de estacionamento que surgiu das obras no Jardim da Liberdade foi uma negociata que hoje, passados 20 anos, está no seguinte ponto: quem for jantar a um restaurante da cidade e se descuidar para lá das 22 horas, já não consegue recuperar o carro senão no outro dia pela manhã. Ora isto faz algum sentido? Faz. Pelas piores razões. Mas não sou eu que vou explicar.
Na Chamusca fez-se recentemente uma reabilitação urbana que deixa muito a desejar, mas a vila é pequena e os erros ali são como os erros graves dos médicos: a terra fá-los desaparecer e esquecer com o tempo. No Cartaxo já não é assim; a regeneração urbana feita há mais de duas décadas deixou marcas profundas na cidade, e ainda hoje se pagam caros alguns erros dessas opções. O parque de estacionamento no centro da cidade esteve duas décadas sem poder ser tarifado por não cumprir algumas imposições legais necessárias. O que se está a passar com a circular urbana dá pano para mangas.
Volto a Vila Franca de Xira: se não houver bom senso admito que a guerra civil possa ser feita com armas de papelão e balas de papel, mas há muitas razões para pensar que o número de pessoas que vão sofrer este constrangimento pode reflectir-se nos votos das próximas eleições. JAE .