Quem é dono de uma casa na Golegã tem um património valorizado, em alguns casos, três ou quatro vezes superior a quem tem o mesmo património nos concelhos da Chamusca, Alpiarça ou Entroncamento, só para dar três exemplos de proximidade.
A vila da Golegã é um exemplo na recuperação e conservação do seu parque habitacional. Na Golegã não há ruínas e se houver será por pouco tempo devido à procura de casas. Os mandatos de José Veiga Maltez podem ter sido polémicos em alguns aspectos, mas no essencial foi o presidente de câmara da região das últimas décadas que, à escala do seu concelho, melhor serviu os interesses dos seus munícipes. Quem é dono de uma casa na Golegã tem um património valorizado, em alguns casos, três ou quatro vezes superior a quem tem o mesmo património nos concelhos da Chamusca, Alpiarça ou Entroncamento, só para dar três exemplos de proximidade. Tudo indica que a vida política de José Veiga Maltez já passou à história, mas o trabalho agora premiado com a elevação da Feira de S. Martinho a Património Cultural Imaterial da Humanidade tem o seu dedo, digo, tem os dedos todos das suas mãos. Merece por isso que o actual presidente da câmara, António Camilo, lhe tire o chapéu e lhe agradeça publicamente tudo o que fez até hoje pela sua terra. Políticas à parte, o mérito não se guarda nos sótãos, nem se entrega aos índios que, entretanto, chegam e ocupam o território como se o passado pudesse ser apagado com uma borracha.
Não escrevo de cor sobre o assunto nem trago aqui este texto por razões pessoais ou sequer tendo em conta tudo o que (não) sei sobre a vida política na Golegã, ou as relações pessoais e políticas que sempre dividem opiniões. Escrevo sobre o assunto porque José Veiga Maltez deu provas durante mais três décadas que era um diplomata no trato, um democrata nas relações, acima de tudo um Senhor na forma como sempre respeitou o trabalho dos jornalistas. Durante os seus mandatos, José Veiga Maltez nunca deixou de atender as chamadas dos profissionais de O MIRANTE, ou menosprezou o nosso trabalho, mesmo em muitas situações em que o jornal foi crítico sobre algumas das suas decisões. Nas eleições de 11 de Outubro de 2009, a proliferação de múltiplas candidaturas na Golegã dividiu os votos da oposição, o que permitiu que o Partido Socialista (PS), liderado por José Veiga Maltez, conquistasse a totalidade dos cinco mandatos em disputa e formasse o único executivo municipal do país constituído exclusivamente por membros do mesmo partido. Se isto não é prestígio e currículo então o mundo está virado ao contrário.
Em tempos de guerra, de manifestações que prometem grandes mudanças, de alterações no espectro político que nos deixam de boca aberta, fica aqui o testemunho sobre um médico que se fez político e que, embora já não esteja ao leme da sua autarquia, marca diariamente a vida cultural e sócio-económica do concelho onde nasceu e ainda vive para satisfação de todos o que não esquecem o seu trabalho e a força do seu carácter. JAE.