Se falarmos da vida política local, o descontentamento da população não é inferior ao das grandes urbes. É nos territórios mais desfavorecidos que André Ventura colhe mais votos e mais simpatias. A sua força política nunca se traduzirá em poder nos próximos anos porque André Ventura é um homem sozinho.
Os resultados para as eleições presidenciais em Salvaterra de Magos, e em muitas cidades, vilas e aldeias do Alentejo, são a prova provada de que André Ventura não é o líder da direita em Portugal e muito menos o líder de qualquer ideia ou ideologia política. André Ventura colhe os frutos de 50 anos de governo dos partidos tradicionais, que em meio século raramente se entenderam para implementar medidas de governo que acabem com a corrupção, a desigualdade, a falta de apoio social e os privilégios políticos que minam a democracia. Em resumo: a grande maioria dos políticos das novas gerações não aprenderam nada com as democracias mais avançadas dos países mais desenvolvidos, e uma boa maioria dos simpatizantes do CHEGA sempre votaram nos partidos de esquerda, de que Salvaterra de Magos é apenas um bom exemplo. O título de líder da direita em Portugal é só mais uma das suas habilidades, que não são poucas, que já mudaram e vão continuar a mudar a forma de fazer política à portuguesa.
Se falarmos da vida política local, o descontentamento da população não é inferior ao das grandes urbes. É nos territórios mais desfavorecidos que André Ventura colhe mais votos e mais simpatias. A sua força política nunca se traduzirá em poder nos próximos anos porque André Ventura é um homem sozinho. No máximo manterá o apoio parlamentar até que a maioria dos seus deputados se deixem manipular pelo sistema que eles próprios criticam. Veja-se o caso da Câmara de Lisboa, onde uma vereadora do Chega acaba de se aliar a Carlos Moedas, dando-lhe tranquilidade para a governação.
Não me esqueço que escrevi aqui que Carlos Moedas perdia as eleições para a Câmara de Lisboa com a queda do elevador da Glória, um desastre que correu mundo e que foi rapidamente esquecido. Há provas das deficiências na manutenção do elevador, muitas dúvidas sobre quase tudo, mas as 16 mortes e as duas dezenas de feridos não foram suficientes para que os lisboetas castigassem nas urnas o líder da câmara responsável pela empresa municipal Carris. Um dia Carlos Moedas não vai ser conhecido por ter sido presidente da Câmara de Lisboa, mas por não se ter responsabilizado pela manutenção de um equipamento que era uma das maiores atracções turísticas de Lisboa que foi alvo de uma tragédia que chocou o mundo.
Há cerca de dois meses O MIRANTE publicou uma entrevista com um candidato do PSD à Câmara da Chamusca que fez acusações graves a Rui Martinho, que também era candidato por um grupo independente. O tempo passou e as acusações que deveriam ter merecido uma posição pública do agora vereador foram ignoradas. Rui Martinho é da família do PSD, e só se desvinculou porque não o quiseram como líder à câmara. Vai daí usou todos os argumentos que lhe pudessem dar uma vitória, já que o PS estava fragilizado pela gestão de dois morcões que saíram da política com o rabo pelo chão, embora o novo candidato do PS fosse um jovem quadro sem provas dadas. Convencido que tinha a vitória no papo, Martinho usou todas as artimanhas que tinha à mão para comprar o apoio daquele que lhe poderia tirar o tapete, como aliás veio a acontecer. Repito: as acusações de Tiago Prestes deveriam fazer corar de vergonha o vereador Rui Martinho, e depois de serem públicas não lhe restava outra hipótese que pedir a renúncia e dar o lugar ao quem se segue na lista. Debalde. Se Tiago Prestes tivesse carregado mais na linguagem, tivesse espaço para contar mais como Rui Martinho passou a fronteira da decência, certamente que as consequências seriam as mesmas; Rui Martinho ia continuar como até aqui a especializar-se em actualizar a sua página social no facebook, onde prova quase diariamente a sua miséria humana, a misógenia, certamente convencido de que o facto da Chamusca ser conhecida como “terra de gente fusca” lhe dá o poder da invisibilidade, que lhe permite ser por uma vez um político atilado e, por outro, um sócia de André Ventura. JAE.