quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

O ano de 2026 promete ser bom para O MIRANTE

O ano de 2026 promete ser bom para o projecto editorial de O MIRANTE. Estamos a negociar parcerias ao nível comercial e editorial com quem é melhor do que nós no mercado. Não vamos abandonar nada do que são os nossos princípios, mas vamos continuar a aumentar a consistência do nosso projecto, a independência editorial, a conquista de mercado, ou seja, de leitores e anunciantes.

O tempo de Natal e Ano Novo convida à reflexão mas também é um desafio para baixarmos os braços e entregarmo-nos nas mãos do Espírito Santo, seja lá isso o que for. Para mim é não trabalhar, esquecer-me dos textos que tenho atrasados, das reportagens que não consegui realizar, das pesquisas que tenho pendentes para notícias que podem ajudar a mudar o nosso pequeno mundo, mas que demoram a fazer, encontram muitas barreiras pelo caminho porque põem em causa o sossego de muito boa gente.

Ainda bem que há Natal todos os anos, e que um dia o Natal acaba-se naturalmente para cada um de nós, embora continue para os que ficam e ganham raízes. "Viver sempre também cansa", embora seja difícil de reconhecer, e ainda mais de aceitar, que o diga em cinzas o autor da frase, o escritor José Gomes Ferreira (1900-1985), que conheci ainda muito jovem, e que foi a primeira figura do jornalismo e da literatura a dar-me palavras de incentivo.

Não tenho a certeza que vá continuar a escrever em 2026 ao ritmo que escrevi nos últimos anos. Jornalismo é uma profissão de desgaste rápido e temos que saber parar a tempo e horas, embora eu não me queixe porque sempre soube, e tive a sorte, de fazer outras coisas ao mesmo tempo, embora sempre por minha conta e nunca ao serviço de outrem. 

A independência, o sentido de missão que cada um de nós acha que tem, não é uma coisa que tenha nascido connosco, vai-se construindo com a vida, vai sendo adquirida à medida que fazemos as nossas conquistas, limamos os nossos defeitos, afiamos as arestas às nossas virtudes, lemos os livros, adquirimos conhecimentos e disso fazemos um ser humano que um dia tem duas dezenas de meses, como é hoje o caso da Titá, e noutros casos tem quase um século como é o meu caso.

O ano de 2026 promete ser bom para o projecto editorial de O MIRANTE. Estamos a negociar parcerias ao nível comercial e editorial com quem é melhor do que nós no mercado. Não vamos abandonar nada do que são os nossos princípios, mas vamos continuar a aumentar a consistência do nosso projecto, a independência editorial, a conquista de mercado, ou seja, de leitores e anunciantes.

Não vamos conseguir, nem que o Espírito Santo estivesse sempre ao nosso serviço e do nosso lado, agradar a gregos e a troianos, mas essa também nunca foi a nossa missão. Hoje somos a referência pela positiva, amanhã somos pela negativa, mas nunca deixamos de ser a referência, e esse é o nosso objectivo, sabendo que trabalhamos sempre com o mesmo sentido de missão, que é servir a comunidade e não dar descanso àqueles que se acham Donos Disto Tudo, e julgam que vivem numa redoma.

Feliz Ano Novo principalmente para os que me lêem, mas também para aqueles que fingem que não sabem ler. JAE.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

A política de cada dia nos dai hoje

O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, visitou o distrito de Santarém com uma agenda no mínimo pouco ambiciosa. Para isso também colaboraram os políticos locais que não deram conhecimento público dos problemas da região, a confiar naquilo que vimos e ouvimos ao longo da visita.

A época de Natal e Ano Novo não justifica a falta de trabalho dos políticos locais e regionais que receberam a honrosa visita de José Pedro Aguiar-Branco, o presidente da Assembleia da República que cumpre um segundo mandato depois da queda do primeiro governo de Luís Montenegro. Que saibamos os deputados não estão obrigados a amordaçarem-se em situações em que é necessário mostrarem que estão vivos, que conhecem os seus deveres. Daí que tenhamos estranhado passarem um dia em visita à região sem dizerem, ao menos por escrito para trabalho de jornalista, que conhecem os problemas da região, desde a falta de investimento público até à ignorância pura e dura dos nossos problemas mais primários, como a desertificação, falta de investimento nas comunicações por estrada e ferrovia, apoio à habitação, investimento na floresta e no desassoreamento do Rio Tejo, apoio na consolidação das suas margens, apoio no combate à poluição dos rios Almonda, Nabão e Sorraia, entre outros, apoio às Misericórdias que se substituem ao Governo para aceitarem os idosos em condições muitas vezes difíceis de suportar, enfim, quem conhece o Convento sabe o que se passa cá dentro.

Estranho estranho é ter uma comitiva tão larga a visitar a região e não se ter ouvido um ai ou um ui, no mínimo terem feito chegar à nossa mão um documento escrito a informar a comunicação social que José Pedro Aguiar-Branco não veio só cumprir calendário de presidente da Assembleia da República, veio também ouvir a voz dos ribatejanos, que não vivendo no pior dos mundos têm problemas urgentes no seu território que precisam de ser resolvidos. Temos a segunda maior figura do Estado português numa visita à região ribatejana e não tivemos um único político a pôr a boca no trombone, como se pede nestes tempos de viragem à direita, exactamente por tudo aquilo que tem sido a governação, ano após ano, dos mesmos de sempre.

É uma pena que os nossos políticos de proximidade contribuam com o seu silêncio para a situação a que chegamos, em que um tipo que tem a coragem de mandar trabalhar os ciganos consegue eleger numas eleições legislativas 50 deputados, alguns deles aparentemente sem saberem ler nem escrever, e fazer do seu partido o segundo da nossa democracia parlamentar. É mau demais viver e trabalhar a pensar que um dia destes o partido de um homem só vai vencer umas eleições legislativas e mandar para a coisa da mãe todos os políticos emancipados dos partidos fundadores da nossa democracia, conquistada com cravos nos canos das espingardas pelos militares como Salgueiro Maia e Correia Bernardo, entre muitos outros.

Este texto não é um grito de desespero ou uma tentativa de minorar a actividade de políticos no poder ou na oposição. É simplesmente a opinião de um cidadão que não se rende, não se entrega, sabe que tem que falar em nome de muitos que não têm voz, e que se tivessem uma tribuna como nós temos também não se calariam. JAE.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Uma História de Natal que remete para o dia 25 de Abril

Quem é que não conhece a diferença entre cinema, documentário e jornalismo de reportagem? Falta pôr ao serviço da democracia portuguesa, para que o povo português não continue a ser apenas o único mau da fita, séries sobre os responsáveis pelo facto de Oliveira Salazar estar cada vez mais na moda, ou seja, haver cada vez mais gente com saudades do Pai Natal.


Tenho visto nos canais alternativos de televisão várias séries sobre corrupção na Europa dos últimos vinte anos. A que acabei de ver conta uma história de subfacturamento para que grandes falsários, feitos com os donos dos bancos, roubassem ao Estado dinamarquês milhões de euros. Há pouco tempo vi uma série francesa que contava a mesma história, mas de outra maneira. Na maioria dos casos são sempre jogadas de mestres que descobrem como roubar o Estado, usando os impostos e a devolução do IVA como artimanha para a gatunice. O mesmo se passa com algumas personalidades públicas que foram apanhadas nestes últimos anos em escândalos financeiros de vulto. As Netflixes desta vida fazem séries que nos ajudam a perceber o mundo em que vivemos e descobrem e desmascaram, entre ficção e realidade, quem nos governa e quem nos trama minando os regimes democráticos com os mesmos objectivos dos ditadores africanos, russos ou latinos. 

A indústria do cinema e da televisão em Portugal tem dinheiro para nos contar muitas histórias idênticas, que desde o 25 de Abril de 1974 minaram a democracia e atrasaram e atrasam o crescimento do país, mas, aparentemente, as produtoras de cinema e televisão ainda não têm liberdade para trabalhar. Não vejo outra razão para que não tenhamos já em televisão as vidas romanceadas dos trafulhas do regime, dos psicopatas que ganharam eleições graças a máquinas que outros psicopatas montaram e que funcionam na perfeição como funcionaram na altura.

Só nas últimas décadas tivemos um primeiro-ministro que se financiava com envelopes de dinheiro entregues pelo motorista, um administrador de um banco que foi preso, ou está preso por causa de um processo que envolve robalos e ferro velho, vários banqueiros que caíram do cavalo abaixo, um deles morto em fuga numa prisão num país distante, e o outro ainda vivo mas gravemente doente para mal dos seus pecados. Na retaguarda destes poderosos estão políticos e empresários considerados impolutos, intocáveis, ainda hoje sem sombra de pecado.

O povo, que somos nós todos, que fomos vítimas directa e indirectamente destes políticos e gestores, que com as suas artimanhas atrasaram tudo o que são políticas públicas de saúde, maternidade, combate a doenças crónicas, habitação, protecção na velhice, formação, etc, etc, não temos o prazer de os ver ficcionados nas séries de televisão, porque alguém ainda tem receio da Máfia que se instalou e ainda funciona. Não quero ser injusto com algumas reportagens escritas e televisivas que já levantaram muitos véus, mas quem é que não conhece a diferença entre cinema, documentário e jornalismo de reportagem? Falta pôr ao serviço da democracia portuguesa, para que o povo português não continue a ser apenas o único mau da fita, séries sobre os responsáveis pelo facto de Oliveira Salazar estar cada vez mais na moda, ou seja, haver cada vez mais gente com saudades do Pai Natal. Não é que o Pai Natal não tenha o direito à vida, mas por favor escrevam e filmem a vida dos sacanas que roubam o Estado com políticas mafiosas a pretexto de projectos para comboios de alta velocidade, aeroportos, companhias aéreas, centrais solares, venda de barragens e entrega do controle da energia eléctrica,  entre tantas e tantas malfeitorias de que o país tem sido vítima, e vai continuar a ser pelo andar da carruagem. JAE.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Natal e Ano Novo é tempo de ficar em casa

Com chuva ou com sol os tempos festivos são os melhores para ficar em casa e fugir dos problemas que, regra geral, surgem quando caminhamos todos, em tempos festivos, para os mesmos destinos de férias.  

Chegou o tempo de ficar em casa. Evitar aeroportos, cidades cheias de turistas, filas para os restaurantes, entradas para os museus esgotadas, estradas entupidas de carros, falta de estacionamentos, preços inflacionados na grande maioria dos produtos, a melhor altura para nos impingirem gato por lebre sem que, com o barulho das luzes, tenhamos olhos para ver. Sim, o Natal e o Ano Novo são as datas preferidas para viajar, e por isso os acidentes nas estradas triplicam, as urgências dos hospitais podem demorar um dia para acudirem a um doente em perigo de vida, as autoridades andam mais assanhadas e perdoam menos os incautos, e para nossa desgraça até os ladrões duplicam o horário de trabalho, e encontram com muito mais facilidade os distraídos da vida que saem da sua zona de conforto, mas, mal saem, já se esqueceram dos perigos que correm.

É verdade que o Natal e os festejos do Ano Novo só acontecem uma vez por ano no calendário. Mas a festa pode muito bem ser feita depois ou até por antecipação. Não é de hoje a canção de Paulo de Carvalho, com poema de Ary dos Santos, que canta que "o  Natal é em Dezembro mas em Maio pode ser, Natal é em Setembro, é quando um homem quiser". O problema é que a poesia e a música não fazem escola na vida da maioria de nós. No máximo serve para darmos largas à alegria, nestas alturas de euforia colectiva, e até esquecemos os políticos mentirosos, que usam magia para parecerem seres de outro mundo, e nós sabendo que eles aprendem quase todos nos mesmos manuais.

A última capa do jornal Folha Nacional, órgão oficial do partido Chega, é falsa; foi alterada para revoltar ainda mais quem é contra os emigrantes e quer transmitir a ideia de que todos eles vivem à conta do Estado. É um ataque à democracia de um partido político que tem meia centena de deputados na Assembleia da República. É crime manipular fotos de capa de um jornal, que é órgão oficial de um partido, para passar uma mensagem que é literalmente falsa. Não tenho mais palavras para condenar este tipo de esperteza dos dirigentes do Chega. E não falo nem escrevo mais sobre o Natal, a não ser para dar conta de uma frase que, há muitos e muitos anos, li por baixo do desenho de um presépio num mural de uma cidade onde gostava de viver: "este ano não comas o teu presépio", num apelo que para mim faz cada vez mais sentido, e na altura só me comoveu pela beleza do desenho e pelo apelo original que, agora, já é possível encontrar na net com a ajuda da inteligência artificial. JAE.