quinta-feira, 24 de junho de 2021

O rio Tejo e o desprezo pelas riquezas naturais

 

Na passada semana voltou a morrer gente no Tejo junto a Santarém e Alhandra. Desta vez calhou a dois rapazes de 15 anos. Ninguém percebe, ninguém nunca vai perceber, como é possível Santarém ter o Tejo a seus pés e não ter meia dúzia de praias fluviais que também regularizassem as suas margens, da Ribeira de Santarém até às Caneiras.

No último fim-de-semana percorri uma boa parte do país para me divertir no rio Paiva a praticar canoagem e a saltar para o rio do cimo das rochas. Arouca é uma vila e um concelho que devia servir de exemplo a todas as vilas e aldeias do país. Apesar da pobreza de maior parte do território, das longas distâncias entre povoados, das estradas estreitas, da distância que separa o concelho de Arouca ao Terreiro do Paço, em Lisboa, a vila é um mimo comparado com aquilo que conhecemos por esse país fora, incluindo muitas vilas da região ribatejana.


Na passada semana voltou a morrer gente no Tejo junto a Santarém e Alhandra. Desta vez calhou a dois rapazes de 15 anos. Ninguém percebe, ninguém nunca vai perceber, como é possível Santarém ter o Tejo a seus pés e não ter meia dúzia de praias fluviais que também regularizassem as suas margens, da Ribeira de Santarém até às Caneiras. Há dinheiro para construir grandes complexos aquáticos e não há dinheiro para gastar no Tejo que é o complexo aquático mais extraordinário que podemos ter à porta da nossa casa, e ao qual também podemos chamar nosso, e onde podemos ser igualmente utentes e guardiões.

O problema não é só em Santarém como todos sabemos. Estamos de cu virado para o rio como se o Tejo fosse a cloaca da Humanidade, o esgoto das fábricas e das pecuárias. A cada dia que passa, devido à luta de alguns, o rio está cada vez mais vivo e presente na nossa vida, nem que seja por aquilo que vamos perdendo e que dantes o rio nos dava sem pedir nada em troca. Aprendi a nadar no Tejo, a mergulhar do cimo dos salgueiros; a usar a corrente do rio para tirar partido das disputas a nadar; tive medo muitas vezes quando me desafiavam para nadar de uma margem até à outra e aprendi a não ter vergonha de me recusar a pôr a vida em risco. Tudo isto foi há muito mais de meio século quando o rio estava muito menos assoreado, muito menos poluído e levava muito mais água no pino do Verão.

Não percebo como é que os autarcas e as autarquias continuam de costas viradas para o rio se o Tejo é o principal responsável pelo pão e pelo vinho que vai à nossa mesa; como é que o Governo não estabelece regras para que o rio tenha uma entidade, ou duas, ou três, que mande e imponha regras na preservação das marachas, das margens, da exploração dos areeiros, enfim, como é que é possível, como acontece na Chamusca, um areeiro tomar de assalto o Porto do Carvão que devia ser um lugar privilegiado para acampar ou gozar o privilégio de termos o rio quase à porta de casa.

Numa altura em que se fala que Lisboa vai ter em 2022, no Parque das Nacões, uma piscina natural, sustentável e totalmente “amiga do ambiente”, com 230 metros quadrados e água tratada do rio Tejo, com capacidade para cerca de 800 a 1100 pessoas, fica a dúvida: os nossos autarcas andam a dormir ou é mesmo verdade que Lisboa é Portugal e o resto é paisagem? Um dia vamos todos viver para Lisboa e deixamos a maioria das aldeias e as cidades do interior só para oficinas, fábricas e escritórios? JAE.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

No CNEMA está tudo na mesma

 

A água era o tema da Feira da Agricultura, que se realizou de 9 a 13 de Junho, mas da água do Tejo e dos problemas do rio nada se falou, embora nos bastidores todos se interrogassem sobre o problema. No dia da inauguração da Feira a PROTEJO esteve no Terreiro do Paço a entregar um memorando onde apresenta alternativas à construção de mais açudes e barragens no rio Tejo.

Quem julgou que a pandemia ia servir de lição aos homens que dirigem o Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (vulgo CNEMA) está muito enganado. O actual presidente, Eduardo Oliveira e Sousa, tal como o anterior, João Machado, são verbos de encher na agenda de Luís Mira que é quem realmente dá ordens e impõe a política desastrosa na governação daquele espaço único na cidade e na região. A cerimónia de inauguração da última edição da Feira da Agricultura foi a mesma pobreza de sempre, muito abaixo do nível da inauguração das festas do Colete Encarnado, em Vila Franca de Xira, das festas de Maio na Azambuja, muito longe do empenho e interesses das entidades que organizam a centenária Feira de São Martinho, na Golegã.

O tema da água, que justificou em boa parte os quatro dias de feira em pandemia, foi tratado pela organização como as pecuárias tratam alguns afluentes do Tejo. No dia em que os dirigentes do CNEMA anunciavam aquilo que depois não discutiram o movimento PrOTEJO, representado por Paulo Constantino, apresentava em Lisboa trabalho que a direcção do CNEMA, que manda na CAP, deixou por fazer de forma vergonhosa e sem respeito por aqueles que lutam no terreno por soluções que salvem o Tejo e a agricultura da região.

É triste ver esta gente de fato e gravata a brincar com o fogo nas nossas barbas. Não dá para explicar aos leitores, principalmente aos escalabitanos, o que se diz e murmura nas costas destes fidalgos que organizam a Feira da Agricultura nas últimas duas décadas. Hoje, mais do que nunca, são alvo de chacota da maioria das forças vivas da região e, nalguns casos, alvos de expressões que os apelidam de “irresponsáveis” e “vendidos”. Em jeito de balanço, já que de ano para ano a organização da feira tem batido no fundo ao nível da organização, mas também da modernização do certame, diria que finalmente já pouca gente tem vergonha em admitir à boca pequena que a administração do CNEMA é uma farsa e uma injustiça para a Feira do Ribatejo e para as suas tradições.

A presença de dois ministros, Siza Vieira e Maria do Céu Antunes, duas sombras de António Costa, contrastaram com os stands vazios do banco Santander e da Caixa Geral de Depósitos, que devem ter pago o espaço mas não meteram lá os pés. A presença na inauguração de três autarcas da região, diz bem do interesse da Feira para as autarquias e da ligação do CNEMA à região. Sei que o papel onde este texto vai ser publicado já não serve sequer para embrulhar sardinhas, muito menos para os senhores importantes do Governo e da CAP limparem o rabinho. Mas não é por isso que as palavras se hão-de perder pelo caminho e a carta não chega a Garcia.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve na Feira da Agicultura numa iniciativa para duas dezenas de convidados e meteu o dedo na ferida, mas a comunicação social não estava por perto. Diz ele que “dantes todos tínhamos uma terra para onde voltar quando nos fartávamos da cidade. Agora não. Portugal é a área metropolitana de Lisboa e do Porto e o resto é paisagem. As pessoas deixaram de pertencer ao mundo rural e nem querem saber dessa realidade; e isso reflecte-se no nosso quotidiano; para a grande maioria o mundo gira à volta do que se passa em Lisboa e no Porto”. Palavras sábias (aqui resumidas) que ninguém partilhou e só alguns perceberam o verdadeiro significado. JAE.

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Parques de negócios embruxados e a Nersant com aposta ganha em Santarém

 

Numa altura em que a NERSANT organiza a 32ª edição da Feira Empresarial recordamos que o Centro de Inovação Empresarial tem instaladas cerca de seis dezenas de empresas onde a Câmara de Santarém já investiu mais de meio milhão de euros.

A NERSANT foi, e ainda é, apesar da crise, a associação mais representativa da região independentemente do papel importante das associações mais pequenas de cada concelho ou sub-região. A história da associação tem 32 anos e fez-se durante a sua fundação a partir de Torres Novas onde se instalou por falta de condições políticas e associativas em Santarém. Nos últimos anos, principalmente no reinado de Ricardo Gonçalves, a NERSANT criou o mais importante pólo de empresas da região graças ao investimento da Câmara de Santarém e do seu executivo, onde não falta o cunho pessoal do presidente da câmara, que quis trazer para Santarém a associação dos empresários. Provavelmente o apoio aos empresários dá menos votos que o apoio a clubes desportivos e colectividades recreativas. E o apoio da Câmara de Santarém ao pólo tecnológico da NERSANT alimentava muitas associações em freguesias onde a actividade lúdica, e a cultura local, bem precisam de um maior empurrão dos subsídios da câmara. Mas é com as empresas que se faz a economia de um país; é com mais empresários instalados na cidade e na região que se cria emprego, gera riqueza, que se combate a desertificação do interior, incentivam os jovens a fixarem-se na sua terra e região de origem, com todas as vantagens que conhecemos mas temos subestimado. As filas para a vacinação no concelho de Sintra, o concelho mais populoso do país, são um bom exemplo comparado com o que acontece, por exemplo, em Almeirim, onde não há filas e mais de metade da população já está vacinada.

Os parques de negócios da região não deram ainda o resultado que se esperava na atracção de grandes empresas, que não sejam as de distribuição. O parque de negócios do Vale do Tejo (Valleypark), situado no concelho do Cartaxo e Santarém, continua embruxado. O parque de negócios de Rio Maior (Depomor) tem uma situação financeira muito complicada e o de Torres Novas (Geriparque) está na mesma situação embora a autarquia esteja a negociar com os principais accionistas mas sem resultados até ao momento. Faz sentido por isso que a Câmara de Santarém apoie a NERSANT na expansão destes ninhos de empresas assim como faz sentido que as câmaras de Torres Novas e Ourém sigam o mesmo exemplo. É certo que o obituário de empresas com apenas um e dois anos de actividade é muito grande e, às vezes, parece que toda a gente nasceu para empresário e as facilidades concedidas originam muitas vezes verdadeiros falhanços empresariais. Mas a actividade também tem os seus bandidos, mais as suas falhas sísmicas, que vão da falta de jeitinho até à falta de vergonha.

Numa altura em que a NERSANT organiza em Santarém a sua 32ª edição da Feira Empresarial, recordo que o Centro de Inovação Empresarial de Santarém tem instaladas cerca de seis dezenas de empresas; só a Câmara de Santarém, para além da cedência do edifício, já lá investiu mais de meio milhão de euros. JAE.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

A realidade em “Odmira” mas também em Santarém

 

Em “Odmira” não se viu a nossa querida ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes. Viu-se, e leu-se, os dirigentes da CAP a berrarem contra o Governo e a tentarem à sua maneira separarem o trigo do joio com declarações que parecem de dirigentes da Bielorrússia

Esta semana mandei substituir os pneus de uma das minhas motas. Só fiz 18 mil quilómetros em cinco anos o que é uma ninharia para dois pneus que parecem de um carro de corrida. Há episódios da nossa vida que nos servem às mil maravilhas para o nosso trabalho. Por mais que tenhamos uma boa mota para cavalgarmos a estrada.... se não tivermos tempo os pneus ficam podres antes de ficarem sem rasto. Acho muito sinceramente que é isso que está a acontecer ao país. António Costa desapareceu do Governo e dos grandes projectos do seu mandato. A reforma administrativa vai continuar por fazer; os condes e os marqueses que mandam nos ministérios vão continuar a mandar; os Gameiros desta vida vão continuar a sua aventura de caciques do regime e, quem sabe, um dia acabem ministros ou presidentes de um grande clube desportivo, o que para eles tanto faz a confiar no exemplo de Luís Filipe Vieira que é um homem acima da lei como sempre foi Pinto da Costa.

Em “Odmira”, para citar Santana Maia Leonardo em artigo de opinião neste jornal, não se viu a nossa querida ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes. Viu-se, e leu-se, os dirigentes da CAP a berrarem contra o Governo e a tentarem à sua maneira separarem o trigo do joio com declarações que parecem de dirigentes da Bielorrússia: “quem dá emprego não tem que saber onde dormem os seus empregados”; mais ainda; “alguns trabalhadores dormem em contentores onde apetece passar férias”; declarações irresponsáveis, de gente sem vergonha, que fala segundo manuais maoistas, que fogem à realidade que se passa em “Odmira” mas também em Santarém.

Em “Odmira” como em Santarém isto só acaba quando António Costa começar a exercer o poder e mandar fiscalizar no terreno os empresários agrícolas e os outros que eles contratam para os trabalhadores terem uma cama nem que seja numa capoeira.

Em Portugal não há fiscalização para nada, nem sequer para uma área onde todos nós estamos entregues aos desígnios da sorte. Alguém se lembra dos abusos fitossanitários nas várias culturas de produtos agrícolas que semanas depois chegam aos supermercados? Quem é que confia em agricultores que produzem com mão-de-obra escrava? Eu não. Sei que um frango produz-se em cativeiro durante 28 dias e vejo como as plantas e os frutos crescem e amadurecem de um dia para o outro como se tivessem a mão de Deus a ajudá-los. Só quem não vive neste mundo e não se questiona é que confia nesta gente. Quem é que fiscaliza as suiniculturas que começam a ocupar o território ribatejano e que vêm na sua grande maioria da zona Oeste?

Em Portugal não há fiscalização, mas, pior que isso, não há consciência cívica. Os Gameiros desta vida tomam conta do país que António Costa governa mais os seus camaradas socialistas rendidos aos dourados das paredes dos seus gabinetes de trabalho. JAE.

quinta-feira, 27 de maio de 2021

A vergonha de ser investigado; em Ourém e na Chamusca

 

A PJ esteve na Câmara de Ourém e da Chamusca. Foram muitas as vozes que se levantaram contra as notícias de O MIRANTE que terão contribuído para a visita dos inspectores quando todas as nossas notícias se devem ao trabalho, às vezes fastidioso, de ouvir, entender, perscrutar e escrutinar o que se diz e ouve nas reuniões públicas das autarquias.

Em Ourém, como na Chamusca, há muita conversa de café e de rua que vai do insulto às mais fantasiosas cenas dos filmes de Tarantino ou de Hitchcock. A visita da PJ às autarquias gera uma desconfiança nos políticos de proximidade que é um caso sério na nossa democracia. Estas alturas são sempre boas para a luta política mais fraticida que é a de lidar com o boato. O caso de Fátima (Ourém) parece estar relacionado com as pedreiras que são empresas que facturam milhões.

Os autarcas estão sob fogo da investigação, aparentemente assustados com o que se está a passar, mas brincando com o assunto ao culparem a comunicação social atribuindo às notícias as razões dos seus problemas com as autoridades. Não lhes passa pela cabeça que a função da comunicação social é escrever e noticiar; que a PJ não trabalha em cima da agenda das redacções dos jornais e, muito menos, de jornais que se limitam a investigar a informação, que é pública, e que se conquista nas barbas dos autarcas em reuniões de câmara ou em actos públicos das autarquias. O que é triste nesta gente é esconderem-se como se fossem culpados ou já se sentissem condenados. Em vez de darem o corpo às balas e aproveitarem a comunicação social para fazerem o contraditório, mostrando que estão a fazer o seu trabalho e que as investigações não passam de fumo sem fogo, acobardam-se, escondem-se e ainda atribuem culpas aos jornalistas. Só gente impreparada e ignorante pode acusar um jornal de ser culpado de uma investigação da PJ sobre notícias que saíram de reuniões de câmara. Como é evidente estas acusações não são só estúpidas e maldosas; têm também como objectivo esconder o desconforto pelo escrutínio a que estão sujeitos sempre que têm na sala um jornalista que não dorme em serviço.

O caso de Ourém é aparentemente muito mais grave que o da Chamusca. As pedreiras são negócios de muitos milhões, que geram muita desconfiança na população, muitas acusações nos bastidores, muita conversa fiada que certamente também serve para criar atrito e lançar farpas sobre alguma classe política que se sente acima da lei. Em Ourém as pedreiras são grandes negócios, que geram grandes riquezas, que causam grandes invejas mas também grandes proveitos. O caso da Chamusca, onde aparentemente há apenas incompetência e ignorância na forma de gerir a autarquia, a história é bem diferente, até pelos valores envolvidos. Mas não deixa de ser um caso sério, que tira o sono aos autarcas, tão habituados a viverem no melhor dos mundos, sem terem que prestar contas que não seja aos seus camaradas e opositores políticos mal informados e também mal preparados. Desgraçadamente, todos eles também mal assessorados pelos dirigentes dos partidos que representam. Na grande maioria dos casos há vereadores da oposição a discutirem assuntos relacionados com a vida da autarquia com o mesmo espanto que um burro olha para um palácio.

Todos sabemos que o Estado português tem falhado sistematicamente no combate à corrupção. Somos levados a crer que as investigações da PJ nas autarquias são, na grande maioria dos casos, acções de fiscalização que visam detectar, prevenir e combater o crime. Vamos acreditar que há um país antes e depois de Sócrates e do caso BES. E que ser investigado não é vergonha se cada um tiver respostas para dar sobre a sua honorabilidade sem medo da sua própria sombra quando sai à rua. JAE.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

O exemplo de Alcobertas na semana em que os caravanistas foram notícia

 

O código da estrada tem em vigor desde Janeiro a proibição de os auto-caravanistas pararem ou permanecerem em lugares que não estejam licenciados para o efeito. Uma medida considerada inconstitucional e ao arrepio de tudo o que se faz no resto da Europa. Alcobertas acabou de dar o exemplo ao iniciar a construção de um parque para auto-caravanas.

A freguesia de Alcobertas, no concelho de Rio Maior, fica tão distante do litoral como da A1; Para fazer a promoção da vila e atrair turistas, o presidente da junta vai construir um parque de caravanismo. Ceia da Silva, presidente da CCDR do Alentejo, saiu de Évora e percorreu 185 quilómetros para estar presente no aniversário da vila e no acto simbólico do lançamento da primeira pedra do futuro parque de caravanismo.
Esta semana rebentou a polémica que está consagrada no novo código da estrada desde Janeiro quando entrou em vigor. Segundo as alterações está proibido o aparcamento e pernoita de autocaravanas fora dos locais autorizados. Quem fez as alterações ao código da Estrada só pode ser filho do Governador do Banco de Portugal, de banqueiro ou dirigente nacional do PSD ou do PS que são, regra geral, as pessoas mais distantes da realidade do país em que vivemos e que podem gozar com a malta toda que ninguém os leva presos.

O auto-caravanismo é uma das actividades com bastante impacto na economia local, nomeadamente no comércio de proximidade, produtores locais e regionais, assim como constituiu um tipo de turismo que dá preferência, regra geral, a territórios de baixa densidade, destinos ligados à Natureza e ao ar livre, assim como promove a viagem em família e em pequenos grupos com impactos muito menores em termos ambientais que o denominado turismo de massas que é o mais predominante no nosso país. O Caravanismo é ainda, regra geral, uma actividade que permite férias para além da época de Verão, o que só traz vantagens num país como Portugal cuja população concentra a grande maioria dos dias de férias nos meses de Junho a Agosto.

Trago Alcobertas a esta crónica porque o distrito de Santarém é um dos que bem podia investir mais neste tipo de equipamento para que a lei do código da estrada não seja uma afronta a quem opta por um turismo mais sustentável e foge aos padrões dos turistas que, ou viajam para Ibiza ou vão em rebanho para o Algarve consumir e gastar as economias que não fizeram, mas que o cartão de crédito permite e os bancos incentivam, apesar de tudo o que sabemos quanto a juros altíssimos e condições leoninas que levam as famílias à falência.

As novas medidas têm sido contestadas pela Associação Autocaravanista de Portugal e pela Federação Portuguesa de Autocaravanismo por serem consideradas restritivas e discriminatórias. “A isenção pela qual se deve pautar a acção estatal é violada de forma grosseira”, diz uma petição enviada ao presidente da Assembleia da República, que contesta ainda o facto de não existir uma situação análoga à portuguesa em toda a Europa, o que mais uma vez confirma a fraca tendência dos legisladores portugueses para aprenderem com os melhores do mundo na defesa das mais amplas liberdades e direitos de cidadania. JAE.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Estamos todos entregues à bicharada mas não há razão para desistirmos

O Estado e os organismos do Estado continuam a comportar-se como donos disto tudo fazendo gato sapato das pequenas empresas e dos empresários que dão corpo ao pequeno país onde vivemos. Um desabafo que não é sobre esterco mas sim sobre a capacidade de sobrevivência num país de gente ruim.


Há autarcas que são verdadeiros bichos do mato; escondem-se na sua toca durante o dia, saem da toca o mínimo possível, de forma a cumprirem as suas necessidades mais básicas, e só à noite, quando todos os gatos são pardos, mostram a sua verdadeira natureza. Quem diz autarcas diz outros dirigentes políticos e associativos que têm responsabilidades na gestão da coisa pública.

Uma notícia mais desfavorável, ou um texto de opinião mais amargo, ou irónico, é o fim do mundo para certa gente que faz do trabalho de serviço público um projecto pessoal e intransmissível. Jornalismo e profissão de jornalista é coisa que não cabe na cabeça de certa gente que está cega por ter tanto poder e tanto dinheiro para gerir e que governa e gere mal e porcamente como se diz na gíria. Jornalismo que faça o escrutínio dos poderes deles, e dos seus camaradas, que tome partido, que dê opinião, que contribua para o esclarecimento e o debate, pode ser considerado perseguição, terrorismo, manifestação de ódio, entre outros mimos. Tal como nos tempos da outra senhora, de que alguns já não se lembram, outros nem sequer sabem avaliar, quem não está do nosso lado é contra nós. Pois que se danem mais as suas certezas, azias, incapacidades e falta de cultura geral para entenderem a sociedade em que vivemos e o direito à informação livre. 

João Galamba, um dos meninos do Partido Socialista, chamou esterco à informação produzida na RTP pela jornalista Sandra Felgueiras no programa Sexta às Nove. António Costa tinha dito dias antes que os políticos não devem, nem podem, manifestar ódio pelos jornalistas e pelo seu trabalho. O aviso caiu em saco roto. Estes meninos da política, que ainda comem com os dentes de leite, só vão aprender com o passar do tempo, quando chegar a hora de arrastarem o rabo pelo chão, lhes faltar o poleiro e tiverem que dobrar a espinha.

A administração de O MIRANTE dirigiu uma queixa à Provedora de Justiça relativamente aos incumprimentos do Estado na publicação de anúncios referentes à utilização dos Fundos Europeus Estruturais e de Investimento. O  decreto lei 137/2014, que criou um novo modelo de governação dos fundos europeus estruturais, no Artigo 80.º, capítulo dedicado à publicidade, obriga a que «todas as operações aprovadas sejam objecto de publicitação, alternadamente, num dos dois jornais locais ou regionais de maior circulação do concelho ou dos concelhos onde a operação é executada, bem como num jornal de âmbito nacional”. 

A resposta da Provedora de Justiça já chegou; as quatro páginas do ofício fogem do essencial da queixa como os ladrões fogem da polícia. No último parágrafo da missiva sente-se que do outro lado há alguém que não ignora o mundo em que vivemos, embora esteja de partida para outra galáxia; diz a missiva que doravante vai ser promovida, sem excecções, a publicitação pelos canais adequados de todos os apoios financeiros atribuídos, com o objectivo de assegurar a necessária e cada vez mais desejável transparência na gestão, concessão e fiscalização de fundos públicos, etc, etc. Tudo como se as leis do Estado tivessem sido apagadas nos últimos anos e só agora submergissem do longo mergulho no mar das mentiras. Este é o país e os governantes que temos. Pela nossa parte vamos continuar a trabalhar, serenos mas firmes. De peito aberto e sem medo de usar as palavras. JAE.