O executivo de João Leite está a surpreender tudo e todos. Depois do falhanço na conquista do aeroporto, eis que pode ter saído a lotaria a um território que se livrou da poluição dos aviões para conquistar outros projectos mais amigos do ambiente e igualmente prometedores para o ataque à desertificação do interior.
A campanha falhada do aeroporto internacional de Lisboa para Santarém deixou marcas. Sei isso desde há muito tempo e pude confirmá-lo nestes últimos dias depois da sessão de apresentação pública de um projecto para um parque temático dedicado ao futebol. Amigos e meia dúzia de conhecidos trocaram mensagens comigo perguntando qual a minha opinião sobre o projecto, e se eu acredito que pode ir em frente. Não é normal receber tantas mensagens, mas compreendo que os números divulgados façam desconfiar todos os que ainda não esqueceram a derrota do aeroporto.
É claro que estamos a escrever sobre realidades bem diferentes; um parque temático ao nível do que se anunciou agora para Santarém existe por todo o mundo. Só em Espanha há vários, e alguns muito frequentados por portugueses. Eu próprio já visitei alguns quando tinha vagar para ser pai e os meus filhos ainda precisavam de mim para se divertirem. No caso do parque temático Viva Mundo, tudo leva a crer que o projecto só ficará pelo caminho se houver alguma pandemia. Há muito tempo que não se juntava uma plateia tão ilustre na velha cidade onde viveu e morreu Pedro Álvares Cabral. Não só as personalidades da cidade como gente ligada aos negócios, nomeadamente a este tipo de actividade económica. Quem esteve na apresentação, como foi o meu caso, não ficou com dúvidas; o projecto é aparentemente muito sério, envolve gente com dinheiro e é orientado por quem não está habituado a fazer má figura.
João Leite, o anfitrião, tem vivido um ano de mandato que ultrapassa a milhas tudo aquilo que eram os grandes momentos dos últimos trinta anos vividos em comunidade na cidade a que Almeida Garret chamou “um livro de pedra”.
Não lhe fazemos favor nenhum escrevendo que será o político deste século na gestão da autarquia escalabitana. O número de figuras públicas que reuniu no Convento de S. Francisco faz acreditar que tem a cidade e o concelho com ele.
Até hoje, depois de Ladislau Teles Botas e José Miguel Noras, a capital do distrito tem vivido mais do foguetório que do bodo da festa. João Leite está a fazer aquilo que todos acham que tinha que ser feito, mas ninguém até agora teve músculo e cérebro para fazer. O aeroporto nos terrenos do Campo de Tiro de Benavente pode ter sido uma bênção para Santarém e para todo o Ribatejo. Veremos se há males que vêm por bem, e se nos livraram da poluição dos aviões para nos ajudarem a manter um território com projectos alternativos amigos do ambiente, e nem por isso menos importantes no ataque à desertificação do interior do território.
Ainda a tempo: respondi a todas as mensagens que me enviaram que acredito no projecto que está a ser anunciado para Santarém, embora à boca pequena tenha ouvido Carlos Carreiras admitir que se não se correr contra o tempo muita coisa pode correr mal e obrigar a esforços redobrados com as devidas consequências. Mas sinais de pessimismo foi coisa que não vi ou ouvi em nenhum dos protagonistas deste evento. JAE.
Sem comentários:
Enviar um comentário