Os votos de pesar do executivo de Vila Franca de Xira, que foram notícia esta semana, deram-me pretexto para informar que, na Chamusca, Fernando Vidal já se reformou; e recordar Lourdes Conde e Lourdes Silva, que foram igualmente figuras importantes dos serviços da autarquia.
A notícia das mortes recentes de gente ilustre do concelho de Vila Franca de Xira originou um lamento público da autarquia que já foi notícia na edição online e volta a ser nesta edição impressa. Entre eles está um voto de pesar pelo desaparecimento de Vítor Manuel Jesus, de 67 anos, trabalhador dos SMAS de Vila Franca de Xira, falecido recentemente. Foi por esse gesto de reconhecimento que surgiu a ideia para esta crónica.
Começa a ser hábito em alguns concelhos os políticos residentes nos Paços do Concelho desprezarem os munícipes contratando seguranças não para acudirem a desacatos ou informarem sobre serviços da instituição, mas apenas para impedirem a entrada no edifício se o cidadão quiser apenas espreitar, por exemplo, o salão nobre da Câmara Municipal. Nada contra a existência de segurança, visceralmente contra a sua presença intimidatória que faz dos Paços do Concelho um edifício onde se escondem centenas de funcionários, políticos e administrativos que mais não são que os nossos representantes pagos, em muitos casos mal pagos, mas mesmo assim sustentados com o dinheiro do povo e eleitos com os votos desses mesmos contribuintes e munícipes.
Devia ser norma uma visita pública guiada ao edifício, pelo menos uma vez por ano, para não esquecermos que o Poder Local é uma das maiores conquistas da Revolução do 25 de Abril de 1974. Os Paços do Concelho são também a casa dos munícipes, onde não se entra apenas para pagar impostos, mas também para respirar, ou respirar cada vez melhor, o cheirinho a cravos da democracia.
Tive notícia, recentemente, da ida para a reforma de Fernando Vidal, um quadro da Câmara da Chamusca, o mais antigo dos trabalhadores da autarquia. Sempre me lembro do Fernando Vidal como o homem que abria e fechava as portas do município, às vezes pela noite dentro, o funcionário em que toda a gente confiava a gestão, mas se fosse preciso também a carteira. A sua saída não mereceu uma palavrinha do anterior executivo. Os mais de cinquenta anos que Fernando Vidal dedicou ao trabalho e organização dos serviços da autarquia acabaram no dia em que ficou em casa já com o estatuto de reformado. Como não tenho memória curta, e sou do tempo em que entrávamos nos Paços do Concelho da Chamusca de botins, a cantar a Internacional ou a dar vivas à democracia, nunca esqueci os dias da morte de Lourdes Conde e Lourdes Silva, duas funcionárias de topo da autarquia, tal como Fernando Vidal, que mereceram igual silêncio dos políticos em exercício nas datas em que faleceram. Conheci bem as duas figuras, com quem Fernando Vidal deve ter aprendido muito, e posso testemunhar o empenho, a dedicação, a facilidade que qualquer chamusquense tinha para as abordar na rua, na loja ou na farmácia, e lhes pedir uma informação. JAE.
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