Anda por aí um zumbido que pegou moda na caneta dos nossos melhores cronistas: nem Sócrates nem Passos Coelho têm estatuto de grandes líderes. É verdade. Parece verdade. Mas para pôr um pequeno país na ordem todos os líderes políticos têm que ser geniais (ou generais)? Apetece-me concluir que a crítica nos jornais se banalizou com algumas raras excepções que não me canso de citar como é o caso de Miguel Sousa Tavares e de Baptista-Bastos só para dar dois dos melhores exemplos.
Quem manda no Governo são os grandes grupos económicos; quem manda na nossa pobre economia e política de saúde e educação são os lobbys das grandes associações. Quem está à frente dos lugares de maior decisão dessas instituições são, na grande maioria dos casos, homens de direita, gente retrógrada, comprometidos com as ideias mais conservadoras, nostálgicos da velha ordem, que lutam contra tudo que cheira a direitos humanos, distribuição de riqueza, reforma do Estado e por aí fora.
Não vejo ninguém a esmiuçar as direcções das grandes associações patronais e sindicatos, e a apontar o dedo aos cérebros que, conjuntamente com os governantes, sustentam esta espécie de república dos corvos.
Conheço dezenas de empresas que precisam de trabalhadores e no entanto o país é notícia porque o desemprego já passou os onze por cento da população activa. Alguém percebe este circo? Quem é que não sabe que a grande maioria dos licenciados que aguardam uma oportunidade no mundo do trabalho não sabe escrever uma carta de apresentação para enviarem juntamente com um curriculum-vitae para se candidatarem a um emprego? E quem é que é capaz de denunciar o escândalo e mandar outra vez os jovens para as universidades nem que seja para se redimirem do tempo em que andaram por lá a passear os livros debaixo do braço?
Quem é que já ouviu falar de um senhor chamado Joaquim Rosa do Céu que é presidente de uma Região de Turismo? Quem é que sabe do que é que ele se esconde para não vir a público defender-se da suspeita (enfim, como lhe chamar?) de que se reformou a correr aos 57 anos para apanhar ainda mais à pressa um lugar de administrador de uma entidade pública que qualquer reformado ilustre gostaria de presidir sem ganhar um cêntimo? E o que é que faz esta gente que não seja gastar o orçamento público e passear comendo e bebendo à nossa conta?
Já lá vai o tempo em que os escritores, os jornalistas e os artistas em geral tinham a força que têm hoje os camionistas quando resolvem encostar os carros à beira da estrada. Só assim se explica que os encontremos sempre nos mesmos lugares, a baterem sempre nos mesmos ceguinhos, como os idiotas de que falava Aristóteles, que ficam em casa e se recusam a intervir nos assuntos e responsabilidades da sua pequena cidade.
quarta-feira, 16 de março de 2011
quarta-feira, 9 de março de 2011
As obras completas
Ao passar junto a um contentor de lixo vi um sem-abrigo agachado e debruçado com a cabeça enfiada em dois sacos de plástico. São livros, disse de mim para mim. Aproximei-me com o jornal do dia na mão e deixei-me ficar durante cerca de dez minutos a observar a azáfama do homem velho e barbudo de volta dos dois sacos. Tentando não dar nas vistas observei os seus movimentos depois de ter a certeza que as suas costas não tinham olhos nem ele queria que tivessem. Eram dois sacos cheios de livros antigos que ele ia vendo um a um mostrando-me ao mesmo tempo as capas e os critérios da sua escolha.
Dez minutos é muito tempo para quem está no meio de uma rua a observar e a ser observado. Quando vi três ou quatro títulos que me interessavam no monte que julguei ser o da sua escolha tomei a decisão de abortar o trabalho dele e pensei: ofereço-lhe uma nota de vinte euros e tomo o seu lugar. Fiz uma tentativa para ele reparar em mim e não resultou. O homem não era um leitor esclarecido e muito menos alguém habituado a negociar com alfarrabistas. De certo que não vai aceitar o meu dinheiro e perco a oportunidade de ficar com os seus restos que, com alguma sorte, serão melhores do que as suas escolhas, pensei melhor. Bem o pensei e mais depressa o fiz. Afastei-me do contentor e fui ao meu destino que era uma farmácia do outro lado da rua. Com um olho no burro e outro no cigano só tive que esperar cerca de mais dez minutos para tomar o seu lugar. Nos sacos já meio vazios estavam ainda muitos dos livros que eu tinha cobiçado nas suas mãos nomeadamente livros de poesia e ensaio. Acabei por levar para o carro oito títulos e ainda lá deixei cerca de duas dezenas. Mais importante que os livros que lá ficaram, foi a vergonha que eu lá deixei quando, sob o olhar atento de alguns transeuntes, tomei o lugar do sem-abrigo. Sei quantas pessoas me olharam e quantas sorriram nas minhas costas mas não desisti de levar debaixo do braço, melhor dizendo, no colo, os livros que alguém despejou em dois sacos junto a um contentor do lixo.
Na semana passada andava no campo a abrir covas para plantar árvores de fruto. Depois do trabalho feito (abrir as covas e enfiar lá dentro uma forquilha de esterco) fui arranjar a terra de volta das árvores plantadas o ano passado por esta altura. Havia por lá uma meia dúzia de árvores que pareciam mortas. Há muito tempo que percebia que estavam mortas mas faltava-me ter a certeza e reconhecer o fracasso (o meu, que as plantei, e o da terra que não foi capaz de as fazer vingar). Telefonei a um amigo que vive da agricultura e no meio de uma conversa que tinha servido de pretexto para o telefonema perguntei-lhe como resolvia o meu problema. Ó Joaquim, com uma navalha faz um pequeno corte na árvore; se estiver verde é porque está viva; se estiver cinzenta então a árvore está morta, explicou, assim sem mais palavras.
Tão fácil não é? E acabei eu de ler a Obra Completa do Carlos de Oliveira e não sabia esta coisa tão simples de usar uma navalha que não seja só para cortar o pão.
Dez minutos é muito tempo para quem está no meio de uma rua a observar e a ser observado. Quando vi três ou quatro títulos que me interessavam no monte que julguei ser o da sua escolha tomei a decisão de abortar o trabalho dele e pensei: ofereço-lhe uma nota de vinte euros e tomo o seu lugar. Fiz uma tentativa para ele reparar em mim e não resultou. O homem não era um leitor esclarecido e muito menos alguém habituado a negociar com alfarrabistas. De certo que não vai aceitar o meu dinheiro e perco a oportunidade de ficar com os seus restos que, com alguma sorte, serão melhores do que as suas escolhas, pensei melhor. Bem o pensei e mais depressa o fiz. Afastei-me do contentor e fui ao meu destino que era uma farmácia do outro lado da rua. Com um olho no burro e outro no cigano só tive que esperar cerca de mais dez minutos para tomar o seu lugar. Nos sacos já meio vazios estavam ainda muitos dos livros que eu tinha cobiçado nas suas mãos nomeadamente livros de poesia e ensaio. Acabei por levar para o carro oito títulos e ainda lá deixei cerca de duas dezenas. Mais importante que os livros que lá ficaram, foi a vergonha que eu lá deixei quando, sob o olhar atento de alguns transeuntes, tomei o lugar do sem-abrigo. Sei quantas pessoas me olharam e quantas sorriram nas minhas costas mas não desisti de levar debaixo do braço, melhor dizendo, no colo, os livros que alguém despejou em dois sacos junto a um contentor do lixo.
Na semana passada andava no campo a abrir covas para plantar árvores de fruto. Depois do trabalho feito (abrir as covas e enfiar lá dentro uma forquilha de esterco) fui arranjar a terra de volta das árvores plantadas o ano passado por esta altura. Havia por lá uma meia dúzia de árvores que pareciam mortas. Há muito tempo que percebia que estavam mortas mas faltava-me ter a certeza e reconhecer o fracasso (o meu, que as plantei, e o da terra que não foi capaz de as fazer vingar). Telefonei a um amigo que vive da agricultura e no meio de uma conversa que tinha servido de pretexto para o telefonema perguntei-lhe como resolvia o meu problema. Ó Joaquim, com uma navalha faz um pequeno corte na árvore; se estiver verde é porque está viva; se estiver cinzenta então a árvore está morta, explicou, assim sem mais palavras.
Tão fácil não é? E acabei eu de ler a Obra Completa do Carlos de Oliveira e não sabia esta coisa tão simples de usar uma navalha que não seja só para cortar o pão.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Uma vida perfeita
Sou obrigado a comer em restaurantes durante quase toda a semana de trabalho. Confesso que me sinto muito melhor em casa, à minha mesa, a comer um petisco que num restaurante a devorar o melhor manjar. Mas quem é que tem uma vida perfeita?
Na passada semana sentei-me à mesa pela primeira vez num restaurante a poucos metros do meu local de trabalho e fiquei surpreendido com a qualidade da comida. O restaurante tem uma clientela reduzida pelo que posso observar. Espreito quase todos os dias lá para dentro e pergunto-me certas coisas que agora não interessam para esta crónica. O assunto vem à baila porque eu já teria experimentado uma visita muito mais cedo se os donos do restaurante fizessem aquilo que eu chamo o marketing de vizinhança. Não tenho dúvidas que, logo a seguir à publicidade nos jornais, é a melhor forma de vender.
Um dos melhores restaurantes do Ribatejo mudou recentemente do Carregado para Arruda dos Vinhos e chama-se Kottada. Já lá fui algumas vezes em almoços de trabalho e posso confirmar a excelência do serviço e da comida. O seu proprietário, Fernando Arguelles, faz exactamente aquilo que eu mais aprecio num empresário destes tempos; sabendo que não é fácil telefonar a todos os amigos e conhecidos, aproveita a comunicação social para chegar aos seus clientes. O anúncio que tem sido publicado no nosso jornal não é nada comum e mostra o empenho e o prazer de alguém que sabe que não basta ter bons cozinheiros e excelentes chefes de mesa para manter um bom restaurante.
A meio da passada semana fui almoçar a um restaurante de Lisboa com um amigo dos jornais e da televisão.
É um daqueles restaurantes onde os ministros e ex-ministros ocupam noventa por cento das mesas. Quase no fim do almoço, já com a nossa conversa em dia, o meu amigo perguntou-me baixinho se eu estava a seguir a conversa de três marmanjos que estavam atrás dele. Eu disse que não e ele contou-me que os tipos tinham passado o almoço a formar o próximo governo do país. Ficou completo agora, disse-me ele com um sorriso, íamos já na sobremesa.
Escusado será dizer que a estrela da companhia era um ex-ministro que eu há 20 anos já ouvia ressonar no meio daquelas sessões muito chatas nos congressos da imprensa.
Ah! Falta escrever que comi uma posta de peixe grelhada. À mesa sou o mais perfeito dos cobardes; com uma ementa picassiana pela frente acabei por me render ao prato mais clássico.
Esta crónica é dedicada aos senhores Rui, Cândido e Aníbal, que nos últimos tempos me servem o almoço num restaurante do centro da cidade de Santarém, e conseguem, umas vezes com a comida e outras vezes com o atendimento, fazer passar a sensação de que almoço na minha casa.
Na passada semana sentei-me à mesa pela primeira vez num restaurante a poucos metros do meu local de trabalho e fiquei surpreendido com a qualidade da comida. O restaurante tem uma clientela reduzida pelo que posso observar. Espreito quase todos os dias lá para dentro e pergunto-me certas coisas que agora não interessam para esta crónica. O assunto vem à baila porque eu já teria experimentado uma visita muito mais cedo se os donos do restaurante fizessem aquilo que eu chamo o marketing de vizinhança. Não tenho dúvidas que, logo a seguir à publicidade nos jornais, é a melhor forma de vender.
Um dos melhores restaurantes do Ribatejo mudou recentemente do Carregado para Arruda dos Vinhos e chama-se Kottada. Já lá fui algumas vezes em almoços de trabalho e posso confirmar a excelência do serviço e da comida. O seu proprietário, Fernando Arguelles, faz exactamente aquilo que eu mais aprecio num empresário destes tempos; sabendo que não é fácil telefonar a todos os amigos e conhecidos, aproveita a comunicação social para chegar aos seus clientes. O anúncio que tem sido publicado no nosso jornal não é nada comum e mostra o empenho e o prazer de alguém que sabe que não basta ter bons cozinheiros e excelentes chefes de mesa para manter um bom restaurante.
A meio da passada semana fui almoçar a um restaurante de Lisboa com um amigo dos jornais e da televisão.
É um daqueles restaurantes onde os ministros e ex-ministros ocupam noventa por cento das mesas. Quase no fim do almoço, já com a nossa conversa em dia, o meu amigo perguntou-me baixinho se eu estava a seguir a conversa de três marmanjos que estavam atrás dele. Eu disse que não e ele contou-me que os tipos tinham passado o almoço a formar o próximo governo do país. Ficou completo agora, disse-me ele com um sorriso, íamos já na sobremesa.
Escusado será dizer que a estrela da companhia era um ex-ministro que eu há 20 anos já ouvia ressonar no meio daquelas sessões muito chatas nos congressos da imprensa.
Ah! Falta escrever que comi uma posta de peixe grelhada. À mesa sou o mais perfeito dos cobardes; com uma ementa picassiana pela frente acabei por me render ao prato mais clássico.
Esta crónica é dedicada aos senhores Rui, Cândido e Aníbal, que nos últimos tempos me servem o almoço num restaurante do centro da cidade de Santarém, e conseguem, umas vezes com a comida e outras vezes com o atendimento, fazer passar a sensação de que almoço na minha casa.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Doutor em polémicas na ESGTS
“Não alimento a linha editorial do vosso jornal” disse-nos por escrito há cerca de ano e meio o director da Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém, Jorge Faria, sempre metido em zaragatas na instituição que dirige há quase cinco anos.
Jorge Faria foi, até agora, o mais polémico dos dirigentes que passou pelas várias escolas do Instituto Politécnico de Santarém (IPS). Não há memória de alguém que tenha perdido umas eleições para a presidência do IPS e que, depois, por gozar de uma situação privilegiada, tente fazer gato-sapato daquele para quem perdeu as eleições como é o caso de Jorge Justino.
As notícias que ultimamente têm vindo a público dão conta de uma guerrilha interna na ESGTS que não é digna de uma escola pública que forma “cérebros” para o mercado de trabalho. Jorge Faria sabe que vive num país onde não se pedem contas aos gestores públicos; tudo leva a crer que está bem protegido politicamente por dirigentes nacionais do Partido Socialista; ainda por cima tem sorte porque o homem com quem disputou as eleições não tem coragem para lhe “acertar o passo”; Assim, como se vivêssemos no reino da Dinamarca, Jorge Faria começa uma guerra e, antes que ela acabe, inicia outra que é para não perder a embalagem.
Segundo se sabe, grande parte dos docentes da ESGTS está de costas viradas para este doutor em polémicas e em estratégias para descredibilizar a instituição. A verdade é que ele tem os docentes controlados pelos apertados regulamentos. Quem se manifestar corre o risco de perder o emprego. E o que não falta é gente por aí a querer dar aulas numa instituição como aquela que Jorge Faria comanda. Só os docentes que não têm nada a perder lhe fazem frente. São poucos mas chegam para lhe moer o juízo, e para garantir que, enquanto os dirigentes nacionais dos partidos não puderem sacar da arma para impor os seus homens, as forças vivas da região continuam com uma palavra a dizer.
Não sei nem quero saber quem elegeu este doutor em polémicas para presidente de uma Escola que sempre teve uma boa imagem e conquistou alunos de todo o país. Como cidadão acho estranho que esta personagem use a espada e a faca, a forquilha e o bastão, para bater em tudo o que mexe à sua volta e não lhe rende finezas.
Toda a gente com quem já falei sobre este caso fenomenal diz que Jorge Faria tem os dias contados. Não só pela arrogância com que dirige a Escola como pela desfaçatez e pelos números de circo que vai ensaiando para levar a água ao seu moinho. Com ou sem os dias contados, a verdade é que Jorge Faria ainda tem quase quatro anos pela frente para fazer um MBA em polémicas. E a credibilidade da ESGTS e do próprio IPS pode estar em causa com os riscos que todos conhecemos.
Jorge Justino, conhecido pela sua bonomia, parece que resolveu puxar dos galões depois de perceber que a opinião pública já “goza” com a situação. Afinal a ESGTS e o IPS não são duas lojinhas da esquina; são parte de uma instituição nacional que se prepara para viver uma das maiores crises ao nível financeiro e de recursos humanos.
Jorge Faria foi, até agora, o mais polémico dos dirigentes que passou pelas várias escolas do Instituto Politécnico de Santarém (IPS). Não há memória de alguém que tenha perdido umas eleições para a presidência do IPS e que, depois, por gozar de uma situação privilegiada, tente fazer gato-sapato daquele para quem perdeu as eleições como é o caso de Jorge Justino.
As notícias que ultimamente têm vindo a público dão conta de uma guerrilha interna na ESGTS que não é digna de uma escola pública que forma “cérebros” para o mercado de trabalho. Jorge Faria sabe que vive num país onde não se pedem contas aos gestores públicos; tudo leva a crer que está bem protegido politicamente por dirigentes nacionais do Partido Socialista; ainda por cima tem sorte porque o homem com quem disputou as eleições não tem coragem para lhe “acertar o passo”; Assim, como se vivêssemos no reino da Dinamarca, Jorge Faria começa uma guerra e, antes que ela acabe, inicia outra que é para não perder a embalagem.
Segundo se sabe, grande parte dos docentes da ESGTS está de costas viradas para este doutor em polémicas e em estratégias para descredibilizar a instituição. A verdade é que ele tem os docentes controlados pelos apertados regulamentos. Quem se manifestar corre o risco de perder o emprego. E o que não falta é gente por aí a querer dar aulas numa instituição como aquela que Jorge Faria comanda. Só os docentes que não têm nada a perder lhe fazem frente. São poucos mas chegam para lhe moer o juízo, e para garantir que, enquanto os dirigentes nacionais dos partidos não puderem sacar da arma para impor os seus homens, as forças vivas da região continuam com uma palavra a dizer.
Não sei nem quero saber quem elegeu este doutor em polémicas para presidente de uma Escola que sempre teve uma boa imagem e conquistou alunos de todo o país. Como cidadão acho estranho que esta personagem use a espada e a faca, a forquilha e o bastão, para bater em tudo o que mexe à sua volta e não lhe rende finezas.
Toda a gente com quem já falei sobre este caso fenomenal diz que Jorge Faria tem os dias contados. Não só pela arrogância com que dirige a Escola como pela desfaçatez e pelos números de circo que vai ensaiando para levar a água ao seu moinho. Com ou sem os dias contados, a verdade é que Jorge Faria ainda tem quase quatro anos pela frente para fazer um MBA em polémicas. E a credibilidade da ESGTS e do próprio IPS pode estar em causa com os riscos que todos conhecemos.
Jorge Justino, conhecido pela sua bonomia, parece que resolveu puxar dos galões depois de perceber que a opinião pública já “goza” com a situação. Afinal a ESGTS e o IPS não são duas lojinhas da esquina; são parte de uma instituição nacional que se prepara para viver uma das maiores crises ao nível financeiro e de recursos humanos.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Uma enciclopédia do quotidiano
No dia em que este jornal vai para as bancas, e chega à maioria dos seus leitores, realizamos na Chamusca a entrega dos prémios Personalidade do Ano de 2010. Recupero para esta crónica uma parte do texto que escrevi e li na entrega dos prémios do ano passado.
Valorizar o mérito devia ser em qualquer lugar do mundo uma coisa normal. Infelizmente não é porque também rareia o mérito na maior parte das instituições que tinham a obrigação de serem os primeiros a dar o exemplo na defesa de certos valores como a justiça, o reconhecimento profissional, cultural e tantos outros.
O MIRANTE com as suas três edições diferenciadas, um diário online e uma editora de livros, ainda é um projecto empresarial pequeno para uma região tão grande e tão rica como a nossa. Mas o caminho que temos vindo a fazer é único não só na região como no país.
É do conhecimento geral que o jornalismo de proximidade é o mais rico em termos de informação e formação mas também é o mais caro do mundo. E nós, dependendo única e exclusivamente da economia de mercado, independentes de qualquer poder político ou empresarial, temos vindo, contra ventos e marés, a impor um projecto de comunicação social que, por fazer a diferença, nos deixa orgulhosos.
Só quem tem a oportunidade de folhear as três edições de O MIRANTE é que pode perceber o nosso esforço em publicarmos matéria editorial que se aproxime o mais possível dos interesses das comunidades de leitores que vão de Abrantes a Vila Franca de Xira. Com o volume de informação que estamos a produzir nesta altura, se a concentrássemos apenas numa edição, teríamos o maior jornal do mundo.
Não é, no entanto, a quantidade de informação que nos interessa levar aos leitores. É a informação diferenciada tendo em conta o público a quem nos dirigimos. Por isso é que, só para dar um exemplo, a edição do Vale do Tejo já tem uma redacção a trabalhar em exclusivo as matérias que interessam aos leitores da zona sul da nossa área de influência.
Quem conquista todas as semanas cerca de duzentos mil leitores, e tem cerca de cinco mil a visitarem diariamente o seu sítio diário, tem um bom pretexto e uma boa razão para organizar uma iniciativa como esta, que pretende premiar o trabalho, a dedicação e o amor a uma região cujos valores e tradições gostamos de partilhar.
Apesar de sermos o país da Europa com menos jornais de referência somos também o país onde os denominados jornais de divulgação nacional pouca importância dão ao que se passa para além das áreas urbanas de Lisboa e Porto; jornais e televisões, e rádios, incapazes de reflectirem o palpitar da vida quotidiana das gentes das cidades e das aldeias da província.
O MIRANTE é um jornal único no panorama da imprensa regional. Pela sua história, pela sua originalidade, pela sua evolução. E não desistimos de conquistar leitores que sintam que têm semanalmente nas suas mãos uma verdadeira enciclopédia do quotidiano.
Elegendo as Personalidades do Ano, promovendo o reconhecimento público de pessoas e instituições da nossa área de influência, cumprimos a missão mais fácil das nossas vidas enquanto profissionais da comunicação social.
Valorizar o mérito devia ser em qualquer lugar do mundo uma coisa normal. Infelizmente não é porque também rareia o mérito na maior parte das instituições que tinham a obrigação de serem os primeiros a dar o exemplo na defesa de certos valores como a justiça, o reconhecimento profissional, cultural e tantos outros.
O MIRANTE com as suas três edições diferenciadas, um diário online e uma editora de livros, ainda é um projecto empresarial pequeno para uma região tão grande e tão rica como a nossa. Mas o caminho que temos vindo a fazer é único não só na região como no país.
É do conhecimento geral que o jornalismo de proximidade é o mais rico em termos de informação e formação mas também é o mais caro do mundo. E nós, dependendo única e exclusivamente da economia de mercado, independentes de qualquer poder político ou empresarial, temos vindo, contra ventos e marés, a impor um projecto de comunicação social que, por fazer a diferença, nos deixa orgulhosos.
Só quem tem a oportunidade de folhear as três edições de O MIRANTE é que pode perceber o nosso esforço em publicarmos matéria editorial que se aproxime o mais possível dos interesses das comunidades de leitores que vão de Abrantes a Vila Franca de Xira. Com o volume de informação que estamos a produzir nesta altura, se a concentrássemos apenas numa edição, teríamos o maior jornal do mundo.
Não é, no entanto, a quantidade de informação que nos interessa levar aos leitores. É a informação diferenciada tendo em conta o público a quem nos dirigimos. Por isso é que, só para dar um exemplo, a edição do Vale do Tejo já tem uma redacção a trabalhar em exclusivo as matérias que interessam aos leitores da zona sul da nossa área de influência.
Quem conquista todas as semanas cerca de duzentos mil leitores, e tem cerca de cinco mil a visitarem diariamente o seu sítio diário, tem um bom pretexto e uma boa razão para organizar uma iniciativa como esta, que pretende premiar o trabalho, a dedicação e o amor a uma região cujos valores e tradições gostamos de partilhar.
Apesar de sermos o país da Europa com menos jornais de referência somos também o país onde os denominados jornais de divulgação nacional pouca importância dão ao que se passa para além das áreas urbanas de Lisboa e Porto; jornais e televisões, e rádios, incapazes de reflectirem o palpitar da vida quotidiana das gentes das cidades e das aldeias da província.
O MIRANTE é um jornal único no panorama da imprensa regional. Pela sua história, pela sua originalidade, pela sua evolução. E não desistimos de conquistar leitores que sintam que têm semanalmente nas suas mãos uma verdadeira enciclopédia do quotidiano.
Elegendo as Personalidades do Ano, promovendo o reconhecimento público de pessoas e instituições da nossa área de influência, cumprimos a missão mais fácil das nossas vidas enquanto profissionais da comunicação social.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Ser Ribatejano
Esta coisa de sentir orgulho em ser ribatejano já não se usa. Para mim continua a ser um sentimento que vale a pena. É estranho, por vezes, associar o Ribatejo aos costumes e tradições de gente tão diversa e diferente como é o povo de Alverca ou de Ourém, de Coruche ou de Tomar, Rio Maior ou Chamusca. Mas é esta grandeza que eu entendo que deve ser motivo de orgulho e razão suficiente para não perdermos as referências.
Nos últimos anos, principalmente depois da revolução de Abril, as diferenças entre o Ribatejo interior e o outro, o mais rico e abastado, tem vindo a acentuar-se. No interior ainda há um povo agarrado às suas raízes, vigilante, colaborador e solidário, bairrista quanto baste para manter o clube de futebol, o grupo de teatro, o rancho folclórico, entre outras associações. Ao contrário, no Ribatejo mais próximo das vias rápidas, onde o território é mais habitado e o povo aparenta ter melhores condições de vida, parece que estamos todos acomodados à espera que a solução para os nossos problemas caia do céu.
Se o Instituto Politécnico de Santarém um dia tiver uma constipação, o que não é de todo improvável, alguém já pensou o que vai ser da cidade? Se o Instituto Politécnico de Tomar um dia viver uma verdadeira crise de alunos alguém já fez as contas ao rombo económico que leva a princesa das nossas cidades?
Quem é que ainda tem memória das fábricas da Chamusca, de Tomar e Azambuja; das cooperativas de Almeirim, Santarém e Cartaxo que davam emprego a meio mundo? Quem é que ainda se lembra do número de famílias que salvavam o ano cultivando uma dezena de hectares de terra? Quantas famílias não construíram as sua casas de raiz sem recorrerem ao crédito bancário usando apenas o dinheiro ganho na apanha de cogumelos, do tomate, da azeitona, do que ganhavam na altura da colheita dos pomares e da venda directa dos produtos que eles próprios cultivavam?
Se em termos de território nacional somos um país “pedricula” na região do Ribatejo só encontramos pedra na charneca e no leito do rio Tejo. No resto, que é a grande maioria do território, só encontramos terra da boa que produz o melhor milho, trigo, arroz, vinho e por aí fora que a lista é bem grande e variada.
Não vejo ninguém, a começar nos políticos do Governo e a acabar nos dirigentes das grandes associações e sindicatos, a mobilizarem-se para que possamos sair da falência em que estamos metidos. Nos governos locais cada um defende a sua dama e o grande objectivo é sobreviver. Nas associações, por mais que custe reconhecer, estão instalados de um lado os lobistas ricos que vivem à grande dos orçamentos milionários para a formação, e do outro os empedernidos sindicalistas que continuam a acreditar que um dia vamos derrubar a sociedade capitalista e, então sim, finalmente seremos todos filhos da mesma cepa e farinha do mesmo saco.
Nos últimos anos, principalmente depois da revolução de Abril, as diferenças entre o Ribatejo interior e o outro, o mais rico e abastado, tem vindo a acentuar-se. No interior ainda há um povo agarrado às suas raízes, vigilante, colaborador e solidário, bairrista quanto baste para manter o clube de futebol, o grupo de teatro, o rancho folclórico, entre outras associações. Ao contrário, no Ribatejo mais próximo das vias rápidas, onde o território é mais habitado e o povo aparenta ter melhores condições de vida, parece que estamos todos acomodados à espera que a solução para os nossos problemas caia do céu.
Se o Instituto Politécnico de Santarém um dia tiver uma constipação, o que não é de todo improvável, alguém já pensou o que vai ser da cidade? Se o Instituto Politécnico de Tomar um dia viver uma verdadeira crise de alunos alguém já fez as contas ao rombo económico que leva a princesa das nossas cidades?
Quem é que ainda tem memória das fábricas da Chamusca, de Tomar e Azambuja; das cooperativas de Almeirim, Santarém e Cartaxo que davam emprego a meio mundo? Quem é que ainda se lembra do número de famílias que salvavam o ano cultivando uma dezena de hectares de terra? Quantas famílias não construíram as sua casas de raiz sem recorrerem ao crédito bancário usando apenas o dinheiro ganho na apanha de cogumelos, do tomate, da azeitona, do que ganhavam na altura da colheita dos pomares e da venda directa dos produtos que eles próprios cultivavam?
Se em termos de território nacional somos um país “pedricula” na região do Ribatejo só encontramos pedra na charneca e no leito do rio Tejo. No resto, que é a grande maioria do território, só encontramos terra da boa que produz o melhor milho, trigo, arroz, vinho e por aí fora que a lista é bem grande e variada.
Não vejo ninguém, a começar nos políticos do Governo e a acabar nos dirigentes das grandes associações e sindicatos, a mobilizarem-se para que possamos sair da falência em que estamos metidos. Nos governos locais cada um defende a sua dama e o grande objectivo é sobreviver. Nas associações, por mais que custe reconhecer, estão instalados de um lado os lobistas ricos que vivem à grande dos orçamentos milionários para a formação, e do outro os empedernidos sindicalistas que continuam a acreditar que um dia vamos derrubar a sociedade capitalista e, então sim, finalmente seremos todos filhos da mesma cepa e farinha do mesmo saco.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Apagar Santarém do mapa
Acho espectacular a forma como as pessoas e as instituições de Santarém aceitam o fecho da ponte D. Luís para obras sem aviso prévio e sem uma explicação para as notícias que correm por aí. Tudo isto pouco tempo depois da ponte ter fechado para obras urgentes e ter condicionado durante tantos meses a vida de milhares de pessoas.
Quem vai à cidade almoçar, lanchar ou simplesmente fazer compras, se não for cego, surdo e mudo sabe que a cidade definha e que os seus agentes económicos vivem um drama, um verdadeiro drama, que pode ser fatal para muitos.
Santarém é uma cidade construída num planalto, literalmente ultrapassada nas últimas dezenas de anos por outras cidades vizinhas em termos de investimento económico e de lazer.
Roubar um cidadão a esta cidade, dificultando o acesso, como por exemplo se faz agora com o fecho da Ponte D. Luís, mesmo que sejam cidadãos que apenas consumam um café por dia, é tão dramático como roubar a Lisboa um cidadão que viaje para a cidade para frequentar apenas a sala de cinema ou de teatro. Sem cinema e sem teatros Lisboa não existiria como a conhecemos. Sem cafés, restaurantes e pequenos negócios que façam circular pessoas na cidade, à falta de cinemas, teatros e outros meios de chamar pessoas, Santarém será um cemitério de casas na encosta a muito curto prazo. Ficarão os jardins das Portas do Sol para turista ver e os edifícios municipais para visitas guiadas aos retratos dos agentes da cidade que hão-de apagar Santarém do mapa se Deus os continuar a proteger de cidadãos mais interventivos e comerciantes mais reivindicativos.
Dificultar o acesso à cidade às pessoas que sobem ao planalto apenas para consumirem uma bica é tão perigoso para o futuro da urbe como continuarem a ignorar o desenvolvimento e a recuperação do centro histórico.
Acabo como comecei: acho espectacular que a cidade de Santarém grite e gema e estrebuche e ninguém lhe acuda. Eu vejo, e ouço e apalpo, e não acredito que esta gente que aqui vive e sobrevive aceite sem um grito de revolta que lhe roubem o cliente da bica quanto mais o cliente da loja de roupa, do supermercado ou do quiosque dos jornais.
Já escrevi o suficiente para mostrar a minha indignação sobre a forma como os políticos do concelho deixaram instalar, à custa de interesses por esclarecer, dezenas de espaços comerciais gigantes nas imediações da cidade. Mas este mal não é só dos políticos de Santarém. Os lóbis dos grandes distribuidores são mais fortes que os governos das nações. E aqui não há nada a fazer a não ser protestar até à exaustão.
O que me espanta é não ver nascer uma associação de pessoas que grite mais alto na defesa dos interesses dos comerciantes e dos habitantes da Tapada, da Ribeira e da cidade de Santarém. Aparentemente somos todos filhos de um Deus menor.
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