quarta-feira, 29 de maio de 2019

Deus, a Igreja e as mãos do diabo

Um padre ralha do cima do altar contra a pobreza e o Estado corrupto, mas depois reza umas missas pelos que morreram nos últimos dias e recebe os euros com as mãos do Diabo que foge aos impostos.

Na passada semana fui ver numa igreja património nacional um espectáculo de teatro. Como não consegui comprar bilhetes na internet fui mais cedo e comprei bilhete na entrada da igreja. O salvo conduto em troca de 15 euros foi um programa do espectáculo. Nem bilhetes nem factura e muito menos conversa já que a fila era grande e a bilheteira era improvisada.
A representação foi gira mas o espectáculo foi fraco. A igreja estava a abarrotar, o que quer dizer que a ideia da companhia de teatro foi boa e lucrativa.
O que não percebo é como nas igrejas tudo é permitido. Não há grupo de teatro neste país que não seja obrigado a ter uma bilheteira organizada. Vamos ver um espectáculo a uma igreja e a caixa registadora é uma caixa de papelão sem fundo.
Mas há mais: a Igreja em Portugal é um Estado à parte. Em quase tudo. Os padres das nossas freguesias são verdadeiros chefes de finanças. A troco de euros confessam, baptizam, casam, encomendam as nossas almas moribundas, rezam missas, enfim, a Igreja só não tem uma verdadeira Casa da Moeda para explorar os serviços que presta à comunidade. De resto é um negócio como não há outro no mundo; pelo que recebem dos baptizados, os padres passam uma factura numa folha de couve; pelo que recebem dos casamentos passam uma factura num papel pardo de jornal; pelo que recebem de todos os trabalhos religiosos os padres funcionam, pelo que sei como qualquer organização secreta que não é obrigada a cumprir a regras de um Estado de direito onde a grande maioria dos serviços paga IVA, e a grande maioria das empresas e dos portugueses que trabalham pagam impostos, sem poderem chiar quanto mais miar. Não sei nada do regime das caixas de esmolas mas gostava de saber porque imagino, só para dar um exemplo, quantos fios de ouro é que o Santuário de Fátima manda derreter para transformar o metal em “cacau”; tudo isto em nome do Senhor e da Senhora.
Não é novidade para ninguém que vivemos num mundo desigual; os grandes tubarões do nosso regime democrático almoçam todo os dias com os nossos ministros e os seus assessores. Alguns deles já foram governantes. Outros desempenham profissões como advogado ou consultor de empresas e são deputados na casa da Democracia como se vivêssemos ainda no tempo do Marquês de Pombal. O nosso Joe Berardo vai inaugurar mais dois museus pagos com dinheiro da Comunidade Europeia, para valorizar as suas colecções de arte. E no entanto tem empresas insolventes e nada é dele. José Sócrates passa pela vergonha de ter dado milhares de computadores às crianças portuguesas e o grande computador da sua vida de governante era o motorista João Perna.
Voltando à Igreja: não tenho nada contra os padres nem a organização religiosa. E admito que posso estar a tomar a nuvem por Juno em alguns casos. Mas tenho contra a sociedade injusta em que vivemos. Não aceito que um padre esteja do cimo do altar a mandar umas bocas contra a pobreza, e os políticos corruptos, e a seguir reze umas missas pelos que morreram nos últimos dias e depois receba os euros com as mãos do diabo que foge aos impostos. JAE

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Sobre uma fotografia de Sophia de Mello Breyner Andresen


No próximo domingo somos todos Europa. Oportunidade para recordar uma foto de Sophia numa conferência única em Santarém de que resta pouca memória.

Anda por aí um burburinho por causa de uma biografia de Sophia assinada pela jornalista Isabel Nery. É a biografia ideal para quem conhece e gosta da poesia de Sophia mas que nunca se interessou pela sua vidinha. Dizem as criticas que estão lá todos os episódios que meio mundo do meio literário sabe de ginjeira e já enjoa.
Por mim vou ler como quem lê um romance porque o que me interessa em Sophia é a sua Obra escrita mas também tudo o que dela posso descortinar sobre a longa vida de viajante e admiradora dos prazeres da vida e dos seus mistérios. Por exemplo; os textos sobre o Nu na antiguidade clássica e a sua paixão pela Grécia, que nunca visitei e é o país sobre o qual mais li ao longo da minha vida com destaque para o livro “O Colosso de Maroussi” de Henry Miller.
Escrevo sobre Sophia porque esta semana voltei a encontrar uma foto de um encontro em Santarém em que compareceram meia dúzia de gatos pingados onde eu me incluía. Não encontrei o texto no jornal nem me lembro em que data foi mas sei que já escrevi algures sobre o assunto. 
Lembro-me da sua voz serena a falar e depois a declamar poesia. O que guardo mais dela foi a distância respeitosa que guardei depois de a ouvir; fui incapaz de lhe roubar duas palavras depois da conferência. A verdade é que deixei passar a grande oportunidade de lhe perguntar se era verdade que ela detestava que um dia a biografassem e contassem a sua vida como quem conta um conto e acrescenta-lhe um ponto.

Sophia é uma das mais ilustres mulheres do nosso país de Abril. Recordo-a com foto na semana em que vamos votar para as eleições europeias. Ela era uma europeísta de coração e sabia, tal como quase todos nós, que a Europa é a União de todas as vontades e virtudes democráticas. A Europa não é só poder e dinheiro. Não é só uma União em construção, com ou sem o Reino Unido; não é só uma questão de territórios e estatísticas; é uma forma de consolidarmos um território mais vasto com pessoas que respeitam os mesmos valores  da tolerância, do pluralismo, justiça, solidariedade e dos direitos humanos.
É pela Europa que viajam livremente e diariamente milhares de jovens de comboio em programas à medida dos seus ideais de vida. É na Europa que muitos milhares de estudantes de todos os países frequentam o programa Erasmus. As eleições do próximo domingo dão-nos a oportunidade de fazer ouvir a nossa voz na defesa daquilo em que acreditamos. Votar é influenciar o nosso destino comum. Domingo somos todos Europa. Para podermos viajar sem fronteiras mas também para termos a liberdade de escolher o melhor lugar do mundo para vivermos e trabalharmos e nunca mais nos sentirmos orgulhosamente sós. JAE

quinta-feira, 16 de maio de 2019

As lideranças políticas e o exemplo que vem de baixo

Por mim estou satisfeito com a evolução da democracia; tal como já escreveu, e continua a escrever, a Procuradora Maria José Morgado, há duas décadas o que aconteceu a Armando Vara era impensável.


Escrever num jornal é muito mais que escrever opiniões. Os tipos que têm um espaço para escrever, como eu tenho, podem prestar um mau serviço à comunidade se não fizerem mais nada que dar ao dedo na onda do que está na moda criticar.
Dou um exemplo; a corrupção na política que tem minado a democracia em todo o mundo. Este último exemplo com José Berardo é de bradar aos céus; mas o caminho está a fazer-se. Por mim estou satisfeito com a evolução da democracia; tal como já escreveu, e continua a escrever, a Procuradora Maria José Morgado, há duas décadas o que aconteceu a Armando Vara era impensável. E o mesmo a José Sócrates, só para citar dois exemplos; mas há mais casos e muito significativos: há duas décadas nem que a burra tossisse Ricardo Salgado caía do pedestal. E caiu com grande estrondo. E estamos todos a pagar a ousadia do ataque aos crimes económicos mas fica o exemplo que há-de dar frutos.
Portugal tem vindo, pouco a pouco, a cimentar as suas instituições e o seu regime democrático. Há muito por fazer, todos sabemos, mas a missão é de todos, e os principais deputados do regime são as pessoas que todos os dias exercem os seus direitos de cidadania. Pedro Passos Coelho e António Costa, os dois últimos chefes de Governo, são figuras que inspiram pela sua força política, carácter e capacidade de liderança. Mas a nível político e partidário eles não são o exemplo para uma ralé que domina nas lideranças locais e regionais. Basta tomar como exemplo o distrito de Santarém onde as figuras de proa dos partidos políticos são pessoas pouco comprometidas com o serviço público e os interesses da comunidade. Culpa nossa, como é evidente, que não reivindicamos e nos demitimos do dever de criticar ou colaborar e entregamos o poder a quem faz da política profissão e negócio.
Quem se der ao trabalho de ler as mensagens trocadas entre governantes e responsáveis da GALP, que andaram a oferecer bilhetes para os jogos de futebol do mundial de França, percebe como a democracia portuguesa ainda é uma criança, precisa da vigilância cívica de todos os portugas que sabem festejar a vitória da selecção portuguesa mas, também, sabem rir-se do selecionador, que diz que recebeu a certa altura do campeonato uma mensagem de Nossa Senhora de Fátima. Como se os deuses tivessem alguma coisa a ver com os resultados dos jogos dentro do campo e a justeza dos resultados finais.
Dizer que o país é uma merda por causa do que aconteceu e está a acontecer com José Berardo é justo. Mas não pode ser essa a nossa postura. Berardo acabou de chamar azêmolas aos políticos da geração de José Sócrates que entregaram o país aos especuladores, e acharam que o efeito Berlusconi em Itália era possível em Portugal, para serem, também eles, donos disto tudo. Enganaram-se e vão pagar caro, se não acontecerem reviravoltas nesta evolução conturbada da democracia e do sistema judicial. JAE

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Políticos com força na verga

Em tempo de eleições não se percebe como é que em Santarém não se berra contra o Governo por manter fechada uma estrada nacional que nos faz falta.



Nos últimos tempos tenho andado todos os dias a ver a morte nos olhos de um familiar que visito na cama de um hospital. A sensação é terrível por causa do sofrimento; o piso da unidade hospitalar onde estão muitos outros doentes nas mesmas condições é o espelho da nossa futura desgraça. É preciso sermos muito fortes, ou muito ignorantes, para aceitarmos sem condições o caminho para a falência física e mental. Não há como reclamar quando se está muito doente num hospital, seja ele público ou privado, mas é claro que morremos muito mais lentamente e com muito mais sofrimento onde o serviço é pago só pelo Estado.

Falo do assunto porque sou a favor de um Serviço Nacional de Saúde (SNS), como a maioria dos portugueses, mas também defendo com unhas e dentes a iniciativa privada e, neste caso, as parcerias com o Estado que se forem bem negociadas trazem muitas vantagens para os cidadãos e para os cofres do Estado. O Bloco de Esquerda e o PCP continuam a ver na iniciativa privada a raiz de todos os nossos problemas, quando são os empresários e as empresas que sustentam a nossa Economia, neste e noutros sectores, gerando trabalho e riqueza.

Sempre me considerei um homem de esquerda mas tenho que reconhecer que, nos dias de hoje, os partidos de direita defendem mais e com melhores argumentos a sociedade livre e democrática pela qual luto e lutarei até morrer. O Bloco, o PCP e uma certa ala do PS, querem legislar a todas as horas para que as leis coincidam com os comportamentos humanos. Para eles nós temos que ser máquinas, não podemos viver das emoções, temos que viver conformados, fiéis aos mandamentos de um Estado tutelar que nos pode esmagar a qualquer momento. A política anti Europa é o maior exemplo da mesquinhez de que vivem os partidos de esquerda em quem já votei e com quem me identifico, apesar de tudo, em algumas políticas; mas nas próximas eleições vou votar em quem luta pelo SNS mas também em quem acredita e acha que vale a pena viver integrado numa União Europeia.

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Não consigo perceber a passividade dos autarcas de Santarém depois de gastarem milhões na recuperação das barreiras da cidade. A EN 114 continua fechada prejudicando a cidade e milhares de pessoas que vivem e trabalham na região. Já lá vão cinco anos. Todos sabemos que o problema que impede a reabertura da estrada é de acção; murro na mesa, manifestação popular ou convocação das televisões e dos jornais para ridicularizar os serviços comandados por gente afecta ao Governo que vive das dificuldades que criam ao país e aos cidadãos.
Em tempo de eleições, como é o caso, chamar os bois pelos nomes tem o dobro do efeito na opinião pública, e faz a rapaziada do partido do Poder meter pernas ao caminho. Chamar incompetente ao Governo de António Costa numa altura destas, certamente que rolarão cabeças na Infraestruturas de Portugal e a estrada será reaberta. Mas onde é que andam os políticos de Santarém com força na verga? JAE

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Manual de pintura e caligrafia ribatejana

Uma viagem escrita por Florença para lembrar as tontices dos nossos autarcas e a dimensão da cabeça de alguns deles a começar na Azambuja e a acabar em Santarém.

Há um mês voltei a Florença quase 25 anos depois da minha primeira vez. Marquei a viagem no dia a seguir à noite em que acabei de reler, também muitos anos depois, o livro “Manual de Pintura e Caligrafia”, de José Saramago, uma ficção que se lê como autobiografia, o meu género literário preferido (o livro fala de Florença, como é evidente, ou de outra forma não estava aqui referenciado. E tem uma frase “assassina” sobre Santarém que um dia destes trago aqui noutra crónica). Florença é a cidade mais bem cuidada do mundo; talvez a mais bem governada; talvez a mais bem frequentada; porventura a mais extraordinária de todas as cidades do mundo por razões que me dispenso de comentar e que desafio cada leitor a descobrir.
Não há alcatrão nas ruas de Florença, cuja dimensão é maior cem vezes que a vila de Azambuja; as ruas são todas empedradas, da mesma pedra que parece ter mais de quinhentos anos como têm as pedras dos palácios.
Fico com insónias quando leio as palavras dos nossos autarcas a dizerem que vão acabar com os empedrados nos centros das suas terras para facilitarem o escoamento das águas e mais o raio que os parta, já que a ignorância e o desrespeito pelos valores da cultura e da civilização, em muito do território português, é literalmente militar.
Todos os dias da minha vida nos últimos 20 anos, mando o antigo presidente da Câmara de Santarém, Rui Barreiro, para um sítio que só eu sei, porque a renovação do denominado Largo do Seminário, onde circulo com frequência, é um aborto, tal como Rui Barreiro sempre foi politicamente a gerir a cidade enquanto mandou alguma coisa.
Já escrevi noutras alturas, em que me apetecia escrever com mais pimenta, que uma grande maioria dos nossos autarcas não viaja e quando viajam não vão em trabalho. Vão e regressam com a mesma mala de cartão; voam e aterram com a mesma cara de parvos, que também é a minha, com que saem do aeroporto de Lisboa ou do Porto. Poucos, muitos poucos, neste país de Ruis Barreiros, que trabalham uma vida inteira para o Estado e mais para quem só Deus sabe, têm noção do serviço público que lhes é confiado quando os partidos políticos os escolhem para receberem os votos dos eleitores. As cabeças de muitos deles estão ao serviço dos interesses próprios e não da comunidade. São presidentes de câmara e não estão presidentes de câmara. São assim uns analfabetos políticos, como é aquele jovem da Chamusca, que se chama Paulo Queimado, que se acha muito importante, principalmente nos dias em que consegue apertar o cinto das calças sem grande esforço.
Volto à Câmara da Azambuja e ao projecto de alcatroar o coração da vila da Azambuja. Se bem conheço Luís Sousa, o actual presidente da câmara, ele não vai levar até ao fim esta ideia maluca. Não é velho o suficiente para mandar às urtigas o amor à sua terra e não acredito que esteja a querer arranjar trabalho a uma empresa que vende alcatrão só porque ela precisa de pagar as prestações do Processo Especial de Revitalização. JAE

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Uma classe de impostores


Temos os maiores impostores à frente de organismos públicos e privados que mandam na nossa vida e dispõem de nós como se fossemos peças de um jogo que eles jogam e arbitram ao mesmo tempo.

Portugal tem uma classe política que se descompõe nas televisões, o palco de todas as mentiras, mas que no essencial está unida em volta dos mesmos interesses. Devemos ser o único país da Europa que está sempre em campanha eleitoral. Os partidos enchem o espaço urbano de publicidade e provocam uma poluição que contraria todas as regras do bom senso. Os partidos chamados de esquerda, como é o caso do Partido Comunista e do Bloco, chegam a abusar de forma pornográfica.

Este fim-de-semana assisti em Lisboa a um seminário intitulado Sete Vidas Sete Debates sobre o futuro do jornalismo, e ouvi o mesmo de sempre: “A internet chegou para cumprir um sonho da humanidade mas também para acabar com o jornalismo tal como o conhecemos desde sempre”.
Os jornalistas que aceitam falar do assunto não sabem mais do que sabiam há uma década quando tudo começou a desmoronar-se. Por isso, quando se juntam é para adivinharmos qual deles tem o pior prognóstico; qual deles está mais perto de adivinhar em que braços desgraçados vamos cair.
Uma coisa dou como certa: os jornalistas do reino que nos orientam nestas opiniões continuam a funcionar como os políticos da Assembleia da República; eles só concebem o jornalismo a partir das secretárias das redacções em Lisboa, dos directos e dos dias de trabalho sem tréguas atrás dos políticos que governam a República, ainda que as novidades sejam sempre as mesmas, embora com outras roupagens.
Os jornais dão cada vez menos notícias e publicam cada vez mais opinião. Esta constatação generalizada não merece autocrítica nem discussão que ponha uma plateia em sentido. O Correio da Manhã, o mais temido de todos os jornais em Portugal, começa a ser elogiado, não porque escorre sangue das suas páginas mas porque é o único que cumpre a função de informar. Os outros reconhecem as suas limitações mas não dizem porque não publicam notícias e contentam-se com a opinião folclórica dos colunistas de serviço que, regra geral, são políticos, ex-políticos ou administradores/professores/gestores de empresas públicas.


“O sucesso é fruto de 10% de inspiração e 90% de transpiração”. A frase é de Thomas Edison e tem várias versões. Esta é aquela que eu gosto mais. Relembro-a para fecho desta crónica porque acho uma frase importante para modelo de vida e de trabalho; a verdade é que somos muitos a ignorar ou a inverter a máxima e o seu espírito. A maioria de nós espera tudo da inspiração e da sorte e qualquer coisinha do resultado da transpiração.
É por sermos um povo capado, incapaz de nos unirmos em órgãos de cidadania, medrosos até às canelas, que temos os maiores impostores à frente de organismos públicos e privados, que mandam na nossa vida e dispõem de nós como se fossemos peças de um jogo que eles jogam e arbitram ao mesmo tempo. JAE

quinta-feira, 28 de março de 2019

Terras sem Sombra e a Ordem dos Jornalistas

Esta semana acompanhei uma edição do Terras Sem Sombra que foi até Olivença; Registo aqui a morte de pessoas notáveis da minha terra e dou conta que defendo uma Ordem para a classe dos jornalistas


Sou a favor de uma Ordem para a classe dos jornalistas porque entendo que a auto-regulação que hoje se pratica jamais será um caminho para uma grande maioria daqueles que trabalham na profissão. Escrevo sobre o assunto porque entendo que os jornalistas portugueses deveriam ser mais cuidadosos na publicação de fotos sobre incêndios e terrorismo, entre outros actos criminosos que sacrificam vidas humanas por questões de luta política e religiosa. Todos sabemos que os crimes desta natureza são praticados por gente convencida que com os seus actos ficam para a posteridade e são exemplo a seguir. Condená-los ao anonimato era um serviço público que todos os órgãos de comunicação social tinham obrigação de prestar seguindo os velhos valores do jornalismo. 


Esta semana morreram duas figuras conhecidas da minha terra com quem conversei muitas vezes e aprendi muitas coisas. Falo da morte de Manuel José Moedas, um homem que ainda tirava o chapéu da cabeça para cumprimentar as pessoas na rua, e de Jaime Grilo, um pescador a quem ouvi contar histórias bonitas sobre a arte da pesca mas também episódios que confirmam que o leito do rio é perigoso para quem o conhece quanto mais para patos bravos que se afoitam nas suas águas.
Aproveito o espaço para lembrar a morte recente de outras pessoas importantes da minha terra que não foram notícia neste jornal mas que poderiam ter sido: Augusto Lourenço, vulgo Augusto da Bicicleta, Álvaro Agnelo, vulgo Álvaro Chané, Joaquim Arraiolos, vulgo Joaquim Burrico, Ercília Santos, vulgo Ercília dos bolos, Madalena Cardoso, vulgo Madalena do Chico Polícia, Luís Faustino, vulgo Luís Lameira, Manuel Matias, vulgo Manuel Calcanhar, Eduarda Ferreira, vulgo Eduarda Melrinho, Inácio Pestana, Domicília Barreiras e Joaquim Rafael Guita, entre muitos outros que agora não me lembro e que certamente também mereciam ser notícia no jornal da terra.


O Terras sem Sombra é um festival de cultura no Alentejo que já vai na sua 15ª edição. Tem como principal objectivo partilhar o legado cultural e natural do Alentejo, assim como dar a conhecer o que há de mais fascinante, dos centros históricos às áreas rurais, da vida selvagem às etnografias locais. A ambição da organização é projectar a região, nacional e internacionalmente, como um território de identidade ímpar que se afirma como destino de arte e natureza.
No passado fim de semana acompanhei em Olivença uma das actividades do Festival deste ano que só termina em Junho. Oportunidade para conhecer um território cheio de memórias e reencontrar o José António Falcão e a Sara grandes responsáveis pelo Festival e pelo êxito de cada iniciativa que mobiliza artistas, políticos, agentes culturais e população. JAE