quinta-feira, 27 de março de 2025

Os aviões da TAP, Pedro Nuno Santos e o PSD na região ribatejana

Não sou do PSD, nunca me filiei num partido, mas não acho que os social-democratas têm sarna, assim como não acho que os comunistas comem criancinhas, embora esteja provado que se comem uns aos outros pela forma como vão desaparecendo do mapa eleitoral a cada eleição.


Os aviões da TAP são o melhor e o pior da minha vida de viajante. Nunca fui tão bem tratado em viagens longas como nos aviões da TAP, mas também nunca me senti tão maltratado como viajante por uma tripulação da TAP que me queria deixar no destino por overbooking, quando o meu check-in tinha sido feito a tempo e horas.

Um dia destes viajei para África num avião meio vazio. Fui dos últimos a entrar e assim que percebi que o corredor era todo meu disse à assistente de bordo, que me vigiava no assento de emergência, muito para lá do meio do avião, que fosse à sua vida que eu ia à minha. “Mas esta é a minha vida”, respondeu-me com um sorriso sem nada que fizesse prever que eu não ia sentar-me numa cadeira da metade do avião que ia quase vazio. E assim foi. Sai do meu lugar de mansinho e fui para onde se viajava com o conforto e o sossego da primeira classe.

Escrevi e li todo o caminho e lembrei-me do tempo em que se fumava nos aviões. E como alguns críticos que ainda hoje respeito escreveram cobras e lagartos sobre tão escandalosa proibição. Hoje a proibição de fumar num avião parece até piada tendo em conta que se alguém acendesse um cigarro era imediatamente excomungado. Mas nem sempre foi assim. Houve quem resistisse à proibição. Estou velho como o caraças. Lembro-me de algumas viagens com editores e escritores, todos reunidos nos últimos bancos do avião a fazermos tertúlia e a fumarmos (eu só fumava o cigarro dos outros e era o mais distante possível porque enjoava). Como é que daqui a meio século os meus netos vão aceitar que o avô gostava de fumar à noite, antes de dormir, embora soubesse que o tabaco prejudicava o sono? Não sei nem quero saber. O vício de fumar, ainda que só à noite e altas horas, alimenta um prazer solitário que só quem pratica saberá explicar.


Os aviões da TAP são uma das razões para não gostar do actual líder do PS, Pedro Nuno Santos, que assinou um cheque de meio milhão de euros para indemnizar uma ex-administradora da TAP que foi posta na rua, e teve o descaramento de dizer que não se lembrava depois de ter sido confrontado com a mentira em que escondia a sua responsabilidade como ministro com a tutela da companhia. É ele que está a iniciar uma campanha eleitoral para mais umas eleições legislativas em que alimenta a fé do seu partido ganhar e nomeá-lo primeiro-ministro.  Esta mentirinha da indemnização de meio milhão de euros só tem 4 anos. Foi ontem. Mas parece obra de um liliputiano dos tempos modernos, que agora não saberei explicar de forma a ser compreendido.

Pedro Nuno Santos ganhou o PS depois de António Costa ter sido traído por um chefe de gabinete que tinha quase 80 mil euros em notas no seu gabinete, que diz ser o valor de trabalho que prestou a terceiros. Alguém acredita verdadeiramente nos políticos enquanto não ficar claro que não podem cuspir para o ar porque é certo que o cuspo lhes cai em cima? Não sou do PSD, nunca me filiei num partido, mas não acho que os social democratas têm sarna, assim como não acho que os comunistas comem criancinhas, embora esteja provado que se comem uns aos outros pela forma como vão desaparecendo do mapa eleitoral a cada eleição. Também não acho que os socialistas que governaram o país sejam tão esquecidos como Pedro Nuno Santos. Mas o tempo dirá o que vale este discípulo de António Costa com quem teve a briga do aeroporto que vai ficar na história de Portugal, não por causa da indemnização, mas pelas razões que o levaram a anunciar o aeroporto no Montijo e, no dia a seguir, a sofrer a desfeita do primeiro-ministro que lhe retirou a autoridade sobre o assunto.


Como estamos a escrever sobre gente da política e dos negócios não acabo sem deixar uma nota para o facto do PSD se preparar para apresentar nas próximas eleições legislativas, como cabeça-de-lista no distrito de Santarém, o impagável João Moura, o homem que melhor sabe explicar como é que se pratica o ofício de secar tudo à volta para ele ser o bombeiro de serviço. Muito mal vai a região de Santarém quando o partido do poder, que quer voltar ao poder, tem um político destes como grande referência. Só temos duas hipóteses para conseguirmos sobreviver no meio de tanta mediocridade: continuamos a acreditar que ninguém vive para sempre debaixo de uma moita, ou continuamos a acreditar que o quartão tanta vez vai à fonte que um dia parte-se pelo caminho. Há uma terceira hipótese, mas essa fica para os camaradas do PSD nos contarem quando falarem da importância política do partido na região ribatejana e na defesa do nosso território. JAE .

quinta-feira, 20 de março de 2025

Gastar cera com defuntos, o PS e o PSD, e o exemplo da Chamusca que é um concelho em extinção

O crescimento do CHEGA que recruta políticos para candidatos a deputados como se recrutam trabalhadores para a vindima, não serve de lição aos líderes dos partidos tradicionais que falham todas as promessas.


É gastar cera com defuntos escrever sobre o facto do PSD na região ribatejana ser um partido fantasma quando chega a hora de concorrer às autárquicas? Há bons exemplos, mas na generalidade sobressaem os maus.

Nem por isso as direcções dos partidos a nível nacional pedem contas aos líderes regionais e locais. Com a desmobilização dos cidadãos, que estão cada vez mais descontentes com a vida política, os políticos locais e regionais, salvo as excepções, comportam-se como caciques e estão-se marimbando para os resultados pois sabem que nas altas esferas dos partidos discutem-se prebendas, marcas de carros, nomes de gajas e de gajos, e contam-se algumas piadas brejeiras que cortam a direito e gozam com quem se põe a jeito, independentemente de ser do partido A ou B.

Está por nascer o jornal ou a televisão, de âmbito nacional, que faça o escrutínio dos políticos e da vida em sociedade que não seja à volta das elites da capital. A maior parte dos colunistas são amigos dos governantes ou dos ex-governantes, mas apesar das diferenças de opinião todos têm acesso à mesma garrafeira, à mesma panela, às mesmas irmandades. É por isso que a regionalização é o maior fantasma no seio dos partidos, nas reuniões das associações de empresários, nos meios intelectuais onde se discutem lugares e posições na administração pública, em todos os lugares onde toca o alarme só de se falar numa possível descentralização de poderes que esvazie os poderes dos mangas de alpaca de Lisboa.

O crescimento do CHEGA que recruta políticos para candidatos a deputados como se recrutam trabalhadores para a vindima, não serve de lição aos líderes dos partidos tradicionais que falham todas as promessas da reforma da Justiça, do Serviço Nacional de Saúde, da escola e creches para todos, da habitação social e o mais que todos sabemos.

Pedro Nuno Santos é o líder do PS que há três anos na qualidade de ministro de António Costa, o seu líder no PS e no Governo,  anunciou um novo aeroporto no Montijo que António Costa desfez no dia a seguir. Foi o governante que mais mentiu sobre a realidade da TAP e da CP, duas empresas que consumiram e consomem mais do orçamento público que quase todos os portugueses reformados.

Dizem as primeiras sondagens que na Carregueira, concelho da Chamusca, onde a CDU perdeu a câmara da Chamusca para o PS ao fim de mais de quase 40 anos de poder, dizem os números que os partidos tradicionais têm os dias contados. Não admira. O estranho é que seja só na Carregueira porque a abertura dos políticos do concelho para fazerem ali aquilo que mais ninguém quis noutra parte do território teve como paga o esquecimento eterno. Os investimentos prometidos estão por cumprir e mesmo que os políticos locais não saibam valer as suas reivindicações, o povo sabe fazer justiça pelas suas próprias mãos, neste caso usando o voto. Não resultou o castigo à CDU dando a vitória ao PS e a Paulo Queimado e Cláudia Moreira. Foi pior a emenda que o soneto. Falta saber se ainda vamos a tempo de ver o governo a cumprir as promessas que estão por cumprir, incluindo o raio de uma ponte que depois de fechada nos dois sentidos tem um tabuleiro onde qualquer dia se podem semear batatas. JAE.

quinta-feira, 6 de março de 2025

A luta de galos entre os mesmos de sempre na casa da democracia

Uma crónica a propósito da reedição de O PROCESSO e a recordação de três frases, roubadas à memória, que espelham os tempos que vivemos.


O empresário José Manuel Roque, que faleceu recentemente, era um homem de poucas confianças, mas tinha uma atitude perante a vida que não era de vacilar. Éramos amigos, mas não tanto. A nossa diferença de idades, o nosso trabalho e o percurso de vida não permitiam grandes tertúlias. Curiosamente, a última vez que veio em meu socorro para me defender num julgamento em que estava a ser apertado por gente que queria fugir com o rabo à seringa, o seu depoimento sobre mim não foi validado pelo juiz que acabou a condenar-me. Mas o mesmo se passou com o presidente da câmara de Santarém da altura, Ricardo Gonçalves, que embora fosse testemunha importante dos motivos que levaram ao julgamento, foi igualmente desconsiderado pelo juiz e também as suas declarações foram dispensadas na hora do juiz decidir.

Cito José Manuel Roque porque desde que o conheci, até morrer recentemente, sempre lhe ouvi esta frase forte, mas que ele não perdoava cada vez que analisava a situação política do país: “Portugal é um bordel em autogestão”.

Outro episódio que ficou na memória foi o que resultou de uma entrevista que realizei em parceria com o Alberto Bastos, em Março de 1992, com Rui Sommer de Andrade,  que confessou que Portugal lhe ficava apertadinho nas cavas. A mais recente, que também não vou esquecer, é a frase de Mira Amaral que, numa entrevista ao jornal SOL, disse que qualquer dia um tipo só pode ir para o governo se tiver acabado de nascer.

Todas estas frases se ajustam ao momento político que vivemos, que não é mais que uma luta de galos entre os mesmos de sempre, que enchem a casa da democracia como dantes se enchiam os circos em Roma. E é de lá que alimentam toda a informação que chega a todas as televisões e jornais do regime que monopolizam a informação que chega à generalidade do povo português.

 

O caso MIRANTEGATE

Acaba de sair para as bancas a segunda edição de O PROCESSO, um livro que conta a tentativa de silenciamento da actividade de O MIRANTE.  Orlando Raimundo, o autor, junta-lhe um prefácio a que dá o título de “O caso Mirantegate paradigma da liberdade” onde reconhece que este caso “foi, por ventura, o mais grave atentado à Liberdade de Imprensa do pós 25 de Abril, adiantando ainda que “nunca antes na atribulada História da sonolenta e amadorística Imprensa Regional Portuguesa nada de semelhante tinha acontecido”. António Valdemar, o decano dos jornalistas portugueses, assina na quarta capa do livro um elogio a Orlando Raimundo, que considera um jornalista “consagrado ainda antes do 25 de Abril” e “um dos grandes repórteres da sua geração que derivou para a investigação histórica de figuras e acontecimento polémicos do nosso tempo”.