quinta-feira, 11 de junho de 2020

Chamar racista a Luís de Sousa é tão leviano como chamar oportunista a um deputado

O presidente da Câmara de Azambuja foi notícia no Parlamento por ter identificado a comunidade cigana como vítima do surto que afectou um bairro social da vila. António Costa criticou e André Ventura e Catarina Martins tiraram proveito político, cada um à sua boa maneira.


O presidente da Câmara de Azambuja, Luís de Sousa, está a meio do seu último mandato com o maior desafio da sua presidência; ajudar a gerir e controlar a pandemia do coronavírus no seu concelho onde, até agora, o drama atingiu proporções que assustam as autoridades.
Depois do fecho da Avipronto, por ordem das autoridades, que entretanto se tornou também um caso de justiça, e do toque a rebate nas instalações da Sonae, eis que uma comunidade de um bairro social da Azambuja gerou forte contestação e medo na vila, levando o presidente da câmara a pedir um cordão sanitário para impedir mais focos de infecção.
Luís de Sousa identificou a comunidade como sendo de origem cigana e foi um regabofe no Parlamento com André Ventura a perguntar ao primeiro-ministro, em jeito de desafio, se sabia dos problemas do PS com os ciganos; “não passo a concordar consigo quando discordo dos meus autarcas. E quando eles dizem as mesmas coisas que o senhor diz discordo na mesma sem problemas”, disse António Costa, ouvindo de André Ventura a provocação do dia: “quem sabe o seu autarca não será o próximo candidato do Chega à Câmara da Azambuja”.
Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, também se atirou a Luís de Sousa com o pretexto, errado, de que o autarca tinha pedido um cordão sanitário só porque os infectados eram ciganos. Nenhuma diferença entre André Ventura, que é racista para ganhar eleitorado, e Catarina Martins, que é anti-racista exactamente com o mesmo objectivo de conquistar votos às populações que vivem num mundo à parte e sabem de todos os problemas sociais pela televisão ou pelo Instagram.
No meio deste combate ideológico salva-se a acção política de Luís de Sousa que, com serenidade e sabedoria, como é seu timbre, assumiu as suas declarações com a clareza e frontalidade de um autarca de proximidade que está habituado a tratar os ciganos por tu e a identificá-los um a um, pelo nome próprio.
Chamar racista a Luís de Sousa, ou pôr em causa a sua forma de chamar os bois pelos nomes, gerindo o seu território em situação de pandemia, é a mesma coisa que dizermos que os deputados da Assembleia da República são todos uns figurantes e oportunistas, com a diferença de que ganham quase três mil euros por mês, quando passam a maior parte do tempo de trabalho a coçar a micose. É verdade que ganham bem, mas também é verdade que, mal ou bem, são eles que garantem o funcionamento da democracia em que vivemos desde o dia 25 de Abril de 1974.
Luís de Sousa deve orgulhar-se do seu trabalho e do facto de gerir um concelho que tem uma das maiores áreas logísticas do país, com mais de duas centenas de empresas, que dão trabalho a cerca de nove mil pessoas.

Na mesma altura em que o Parlamento discutia esta questão a Câmara Municipal de Santarém, em colaboração com diversas entidades, despejava habitações no centro histórico da cidade, que tinham sido ocupadas ilegalmente, e cujos habitantes punham em causa a saúde pública. Fica aqui a informação, sem comentários, mas em cima do acontecimento, para darmos conta que nem sempre a Assembleia da República é o lugar onde se passam as coisas mais importantes que acontecem no país. JAE.

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