quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O meu nome é Joaquim


Foi uma semana de muito trabalho cá para o rapaz. Ficaram por editar, para sempre, duas belas crónicas escritas na areia para que sobrasse espaço para este rascunho. Suei as estopinhas para endireitar alguns textos que estão algures paginados nesta edição. Perdi a paciência com um daqueles jovens kamaradas de trabalho que tinha a voz sempre mais alta que a minha e achava que não havia limites para a falta de respeito. Outro kamarada mais cá da idade do rapaz escreveu-me cheio de boas intenções e eu senti-me a aprender a somar dois e dois como quando entrei para a escola do Manuel Barroso. Estou a ficar velho e azedo para perceber a linguagem dos mais novos e para esperar pelos da minha idade que ficaram pelo caminho. Mais uns anitos e serei o perfeito relógio de repetição. Vou ter que cuidar da máquina. Ou eu não me chame Joaquim.
Esta semana recebi resposta a uma crónica publicada há uns meses. Alguém do outro lado do Atlântico andava a pesquisar na net e deu conta da minha vontade de ler o Toiro Azul e O Menino da Mata e o seu Cão Piloto. Os textos já chegaram em PDF. Já os li e reli. É tudo um pouco diferente daquilo que o meu avô me contou. Mas está lá em letra de forma toda a fantasia dos contos para crianças.
E até a criança que eu fui renasceu por breves instantes.
Daqui por umas semanas há-de sair nestas páginas uma entrevista com um dos homens que eu sempre quis entrevistar e nunca tinha conseguido. Fui para o nosso encontro com a sensação que ia ser a entrevista mais difícil da minha vida de jornalista. Afinal foi muito mais fácil que um dia de trabalho normal numa redacção com uma dúzia de gatos. A vida é uma caixinha de surpresas. O problema é resolver as questões da vidinha. A maldita vidinha que nos obriga, a seguir a uma agressão a murro, a dar-mos ainda a outra face à bofetada.
Agora vou de férias. Hei-de regressar pois vou viajar na TAP e o destino é já ali do outro lado da fronteira. Nunca viajei para tão perto com um programa para tanto tempo. Deixei um recado no telemóvel e na caixa de email para os meus amigos. Se precisarem de mim e quiserem ir à minha procura ainda é mais fácil encontrarem-me numa cave a ouvir jazz do que num bordel ou num convento a tratar do juízo com os olhos pregados no tecto (ou na cruz).

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