quinta-feira, 22 de julho de 2021

Constância; Vila Pobre e mal governada

 

A chaminé poluidora do Caima, se fosse generosa, podia e devia ser a grande solução para o futuro da Casa Memória de Camões, se os milhões do negócio da fábrica dessem uma esmola para um projecto cultural que é de dimensão mundial, a confiar naqueles que entregaram ao poeta a honra de dar nome ao Dia de Portugal.

O caso do roubo das armas de Tancos está quase resolvido nos tribunais. O Ministério Público, que acusou o ministro Azeredo Lopes, agora já pede a sua absolvição. Os militares envolvidos, pelo que se leu na comunicação social, parecem vestir a farda de um país em auto-gestão, onde a autoridade e o respeito pela Constituição se podem tratar entre uma refeição e uma visita à Grécia para uma feira de armamento (este mês o ministro da tutela esteve em Atenas numa feira de armamento mas a comunicação social não escreveu uma linha sobre o assunto. Terá ido comprar as armas que ficaram em falta nos paióis de Tancos ou foi comprar os submarinos em falta depois do escândalo do tempo do Governo de Passos Coelho?)
O que não me sai da cabeça foram os telefonemas dos jornalistas de Lisboa para a redacção de O MIRANTE a tentarem que os orientássemos no caminho da charneca para encontrarem o local exacto onde as armas foram encontradas. Mal eles sabem que o lugar escolhido foi bem perto da povoação do Pinheiro Grande, na margem do ribeiro que corre ao lado da aldeia, onde qualquer um de nós podia ter tropeçado se nos aventurássemos para aquelas bandas para puxarmos pelo pulmão e pelas pernas.

O Google, a Amazon e o Facebook facturam cerca de 80% por cento da publicidade mundial. A imprensa tradicional está a morrer por falta de mercado publicitário e aos patrões da comunicação social não resta outra alternativa senão despedir, despedir, e trabalhar com a mão-de-obra mais barata que se encontra no mercado desde que sejam pessoas que saibam alinhavar uma notícia. Jornalistas sem medo, com amor pela profissão para fazerem o caminho das pedras, antes de aprenderem os segredos da profissão e as manhas dos influenciadores, são cada vez mais raros. Em poucos anos o jornalismo e os jornalistas que resistem ao poder do dinheiro, das mordomias e dos convites dos políticos para assessores, ficou reduzido a umas poucas centenas de profissionais. Não exagero. Os jornalistas do futuro vão ser os grandes heróis das sociedades modernas. Basta ver quantos escrevem hoje contra os interesses instalados e não têm medo dos analfabetos que dirigem associações empresariais, institutos públicos, associações controladas pelos políticos e tudo o resto que está explicado nas políticas de corrupção que a queda do BES arrastou para a lama em que vivemos.

O maior símbolo da vila de Constância é a chaminé da fábrica do Caima. Sei do que falo. Já senti o que é viver por ali com aquele cheiro permanente a vomitado. A direcção da Casa Memória de Camões, associação que atravessa grandes dificuldades, fez com que Constância ganhasse uma nova chaminé poluidora graças às divisões no seio da associação e às respostas que o presidente da direcção resolveu dar a quem o acusa de má gestão. Falta pouco, aparentemente, para que se perca pelo caminho a Obra de meio século de Manuela de Azevedo. Falta pouco, insisto, para que a luta, o empenho e os sonhos de Manuela de Azevedo se tornem coisa inglória. Curiosamente, a chaminé poluidora do Caima, se fosse generosa, podia e devia ser a grande solução para o futuro da Casa Memória de Camões, se os milhões do negócio da fábrica dessem uma esmola para um projecto cultural que é de dimensão mundial, a confiar naqueles que entregaram ao poeta a honra de dar nome ao Dia de Portugal.
Independentemente de quem governa a associação ou, neste caso, de quem a desgoverna, Constância merecia ter melhores políticos e dirigentes associativos; merecia acima de tudo ter gente que soubesse reindinvicar para a vila coisa melhor que chamar-lhe Vila Poema quando na verdade é Vila Pobre e mal governada. JAE.

quinta-feira, 15 de julho de 2021

A Justiça para ricos e a Justiça para pobres

 

Se os advogados Paulo Saragoça da Matta e Manuel Magalhães e Silva fossem advogados das vítimas do surto de legionella, que abalou o concelho de Vila Franca de Xira há quase sete anos, alguém acredita que um tribunal português produzia uma decisão em que o valor de uma vida são 22 mil e quinhentos euros?

Uma juíza do Tribunal de Loures propôs aos arguidos do caso legionella, sob pena de terem de ir a julgamento, o pagamento de uma indemnização de 22 mil e quinhentos euros a familiares de uma vítima mortal do surto de legionella, que atingiu 375 pessoas e provocou 12 vítimas mortais. Sejamos francos e directos: se os familiares desta vítima tivessem como advogados Paulo Saragoça da Matta (que nesta altura defende o milionário Joe Berardo) ou Manuel Magalhães e Silva (ilustre advogado que defende Luís Filipe Vieira) algum juiz de um tribunal português tinha coragem para decidir que a vida de uma pessoa só vale 22 mil e quinhentos euros? Não. É claro que não. Até a terra tremia e a água do Tejo chegava ao Castelo de São Jorge em Lisboa.

Uma boa parte dos juízes são homens como nós e sofrem do problema da sociedade portuguesa que continua prisioneira de valores muito antigos herdados do salazarismo. Portugal continua a ser um país de pobres onde algumas famílias muito ricas impõem a ordem económica e a justiça. Quem não concordar comigo que se ponha no lugar desta família a quem é proposto receber 22 mil e quinhentos euros de indemnização pela morte do seu familiar. Se a juíza que me lê achar que eu não soube dos seus recados, dirigidos aos jornalistas durante a leitura da decisão instrutória, que se ponha no lugar dos filhos deste pai de família; que imagine o seu próprio pai ou um dos seus filhos vítima da incúria de empresas que destruíram a vida de centenas de pessoas, causando a morte a algumas delas; e a outras lesões que vão ficar para toda a vida e que certamente causarão uma morte mais precoce.

Não é preciso ser jornalista, nem juiz, nem estudar muitos anos e em muitos livros, para aprender noções de justiça e de igualdade de direitos. Uma catástrofe como o surto de legionella, que abalou a comunidade de Vila Franca de Xira, não podia ficar praticamente sete anos nos tribunais; muito menos o Governo português podia deixar ao Deus dará tanta gente doente e desprotegida, que acabou injustiçada, ou porque não conseguiu provar que adoeceu por causa do surto ou porque aceitou ou vai aceitar valores ridículos para o que sofreram e ainda vão sofrer.

Há mil provérbios sobre a justiça. A maioria são daqueles que dizem que “a justiça não dorme” e que “a justiça tarda mas não falha”. Todos sabemos que é mentira. “Da justiça o pobre só conhece os castigos”. Só assim se explica que uma vida valha apenas 22.500 euros para um tribunal português em Julho do ano de 2021 (ler notícia desenvolvida nesta edição na página 16) JAE.

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Não há Justiça em Portugal e a prova é o que se passa no Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria

 

Portugal tem um tribunal que funciona como os tribunais dos países do terceiro mundo:não há político ou partido político que ponha o dedo na ferida; e assim vamos vivendo nesta miséria de país que tem uma justiça para ricos e outra para pobres.

O MIRANTE fez manchete de um caso que envolve a morte de uma cidadã do Sardoal que morreu num acidente de viação (notícia que recuperamos nesta edição e que vamos continuar a acompanhar). A Infraestruturas de Portugal já foi condenada duas vezes a uma indemnização. Mas a saga está para durar. O Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria, para onde vão todos os processos contra o Estado e os organismos do Estado, está protegido por um escudo invisível que o impede de funcionar como num país do primeiro mundo. Os processos ficam por lá a marinar e só uma década depois de entrarem no sistema é que chegam às mãos dos juízes que são poucos e certamente pouco motivados para o trabalho.

Há uma nova classe política emergente nos partidos como o IL, o PAN o LIVRE e o CHEGA. Uns querem acabar com as touradas, outros querem provedores para defenderem os cães e os gatos, outros querem acudir a situações literalmente populistas em que entram etnias e pedófilos. Os grandes problemas da nossa sociedade, em que se inclui o sistema de Justiça, continuam a ser ignorados pela classe política que, no essencial, se protegem uns aos outros como se fossem todos do mesmo partido. E de verdade é como se fossem ao ignorarem o regabofe que se vive nos tribunais com a falta de Juízes e de outros funcionários de Justiça.

A administração pública é o calcanhar de Aquiles da democracia em Portugal. Quem manda no país não é António Costa nem Marcelo Rebelo de Sousa mas o presidente do IFADAP, o presidente do Instituto de Emprego, e outros presidentes de centenas de institutos e organismos do Estado que acolhem os menos qualificados dos dirigentes partidários ou dos seus amigos.

Pedro Passos Coelho no seu tempo de primeiro-ministro criou a CRESAP, um organismo destinado a recrutar e selecionar quadros superiores para a função pública. Neste momento mais de 70% dos dirigentes passam ao lado dos critérios deste organismo. O assalto aos lugares de chefia e administração da máquina do Estado não respeita regras, não conhece princípios, não respeita valores e, acima de tudo, serve a máquina partidária antes de servir o país. É como no tempo da outra senhora; só que agora não nos mandam prender por denunciarmos os crimes de assalto ao poder. É uma vergonha que deveria ser paga com o voto em branco nas eleições: até eles perceberem que não somos parvos e que não contribuímos para este regabofe.

António Costa já mostrou que não tem nada a ver com o país e o PS de José Sócrates, mas o PS precisa de uma varredela. Depois de Cavaco Silva ter falhado redondamente a reforma da administração pública em tempo de vacas gordas; depois de termos sido governados por José Sócrates, que acha que as dívidas não são para pagar, António Costa tem a oportunidade de brilhar e fazer a reforma do Estado mesmo em tempo de pandemia. Veremos se não fica na história como Cavaco Silva II ou o ex-ministro de Sócrates, essa figura política tresloucada que governou Portugal, nasceu no seio de uma família de classe média, embora o seu comportamento seja o de quem nasceu numa família de magnatas da banca e do petróleo. JAE.

quinta-feira, 24 de junho de 2021

O rio Tejo e o desprezo pelas riquezas naturais

 

Na passada semana voltou a morrer gente no Tejo junto a Santarém e Alhandra. Desta vez calhou a dois rapazes de 15 anos. Ninguém percebe, ninguém nunca vai perceber, como é possível Santarém ter o Tejo a seus pés e não ter meia dúzia de praias fluviais que também regularizassem as suas margens, da Ribeira de Santarém até às Caneiras.

No último fim-de-semana percorri uma boa parte do país para me divertir no rio Paiva a praticar canoagem e a saltar para o rio do cimo das rochas. Arouca é uma vila e um concelho que devia servir de exemplo a todas as vilas e aldeias do país. Apesar da pobreza de maior parte do território, das longas distâncias entre povoados, das estradas estreitas, da distância que separa o concelho de Arouca ao Terreiro do Paço, em Lisboa, a vila é um mimo comparado com aquilo que conhecemos por esse país fora, incluindo muitas vilas da região ribatejana.


Na passada semana voltou a morrer gente no Tejo junto a Santarém e Alhandra. Desta vez calhou a dois rapazes de 15 anos. Ninguém percebe, ninguém nunca vai perceber, como é possível Santarém ter o Tejo a seus pés e não ter meia dúzia de praias fluviais que também regularizassem as suas margens, da Ribeira de Santarém até às Caneiras. Há dinheiro para construir grandes complexos aquáticos e não há dinheiro para gastar no Tejo que é o complexo aquático mais extraordinário que podemos ter à porta da nossa casa, e ao qual também podemos chamar nosso, e onde podemos ser igualmente utentes e guardiões.

O problema não é só em Santarém como todos sabemos. Estamos de cu virado para o rio como se o Tejo fosse a cloaca da Humanidade, o esgoto das fábricas e das pecuárias. A cada dia que passa, devido à luta de alguns, o rio está cada vez mais vivo e presente na nossa vida, nem que seja por aquilo que vamos perdendo e que dantes o rio nos dava sem pedir nada em troca. Aprendi a nadar no Tejo, a mergulhar do cimo dos salgueiros; a usar a corrente do rio para tirar partido das disputas a nadar; tive medo muitas vezes quando me desafiavam para nadar de uma margem até à outra e aprendi a não ter vergonha de me recusar a pôr a vida em risco. Tudo isto foi há muito mais de meio século quando o rio estava muito menos assoreado, muito menos poluído e levava muito mais água no pino do Verão.

Não percebo como é que os autarcas e as autarquias continuam de costas viradas para o rio se o Tejo é o principal responsável pelo pão e pelo vinho que vai à nossa mesa; como é que o Governo não estabelece regras para que o rio tenha uma entidade, ou duas, ou três, que mande e imponha regras na preservação das marachas, das margens, da exploração dos areeiros, enfim, como é que é possível, como acontece na Chamusca, um areeiro tomar de assalto o Porto do Carvão que devia ser um lugar privilegiado para acampar ou gozar o privilégio de termos o rio quase à porta de casa.

Numa altura em que se fala que Lisboa vai ter em 2022, no Parque das Nacões, uma piscina natural, sustentável e totalmente “amiga do ambiente”, com 230 metros quadrados e água tratada do rio Tejo, com capacidade para cerca de 800 a 1100 pessoas, fica a dúvida: os nossos autarcas andam a dormir ou é mesmo verdade que Lisboa é Portugal e o resto é paisagem? Um dia vamos todos viver para Lisboa e deixamos a maioria das aldeias e as cidades do interior só para oficinas, fábricas e escritórios? JAE.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

No CNEMA está tudo na mesma

 

A água era o tema da Feira da Agricultura, que se realizou de 9 a 13 de Junho, mas da água do Tejo e dos problemas do rio nada se falou, embora nos bastidores todos se interrogassem sobre o problema. No dia da inauguração da Feira a PROTEJO esteve no Terreiro do Paço a entregar um memorando onde apresenta alternativas à construção de mais açudes e barragens no rio Tejo.

Quem julgou que a pandemia ia servir de lição aos homens que dirigem o Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (vulgo CNEMA) está muito enganado. O actual presidente, Eduardo Oliveira e Sousa, tal como o anterior, João Machado, são verbos de encher na agenda de Luís Mira que é quem realmente dá ordens e impõe a política desastrosa na governação daquele espaço único na cidade e na região. A cerimónia de inauguração da última edição da Feira da Agricultura foi a mesma pobreza de sempre, muito abaixo do nível da inauguração das festas do Colete Encarnado, em Vila Franca de Xira, das festas de Maio na Azambuja, muito longe do empenho e interesses das entidades que organizam a centenária Feira de São Martinho, na Golegã.

O tema da água, que justificou em boa parte os quatro dias de feira em pandemia, foi tratado pela organização como as pecuárias tratam alguns afluentes do Tejo. No dia em que os dirigentes do CNEMA anunciavam aquilo que depois não discutiram o movimento PrOTEJO, representado por Paulo Constantino, apresentava em Lisboa trabalho que a direcção do CNEMA, que manda na CAP, deixou por fazer de forma vergonhosa e sem respeito por aqueles que lutam no terreno por soluções que salvem o Tejo e a agricultura da região.

É triste ver esta gente de fato e gravata a brincar com o fogo nas nossas barbas. Não dá para explicar aos leitores, principalmente aos escalabitanos, o que se diz e murmura nas costas destes fidalgos que organizam a Feira da Agricultura nas últimas duas décadas. Hoje, mais do que nunca, são alvo de chacota da maioria das forças vivas da região e, nalguns casos, alvos de expressões que os apelidam de “irresponsáveis” e “vendidos”. Em jeito de balanço, já que de ano para ano a organização da feira tem batido no fundo ao nível da organização, mas também da modernização do certame, diria que finalmente já pouca gente tem vergonha em admitir à boca pequena que a administração do CNEMA é uma farsa e uma injustiça para a Feira do Ribatejo e para as suas tradições.

A presença de dois ministros, Siza Vieira e Maria do Céu Antunes, duas sombras de António Costa, contrastaram com os stands vazios do banco Santander e da Caixa Geral de Depósitos, que devem ter pago o espaço mas não meteram lá os pés. A presença na inauguração de três autarcas da região, diz bem do interesse da Feira para as autarquias e da ligação do CNEMA à região. Sei que o papel onde este texto vai ser publicado já não serve sequer para embrulhar sardinhas, muito menos para os senhores importantes do Governo e da CAP limparem o rabinho. Mas não é por isso que as palavras se hão-de perder pelo caminho e a carta não chega a Garcia.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve na Feira da Agicultura numa iniciativa para duas dezenas de convidados e meteu o dedo na ferida, mas a comunicação social não estava por perto. Diz ele que “dantes todos tínhamos uma terra para onde voltar quando nos fartávamos da cidade. Agora não. Portugal é a área metropolitana de Lisboa e do Porto e o resto é paisagem. As pessoas deixaram de pertencer ao mundo rural e nem querem saber dessa realidade; e isso reflecte-se no nosso quotidiano; para a grande maioria o mundo gira à volta do que se passa em Lisboa e no Porto”. Palavras sábias (aqui resumidas) que ninguém partilhou e só alguns perceberam o verdadeiro significado. JAE.

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Parques de negócios embruxados e a Nersant com aposta ganha em Santarém

 

Numa altura em que a NERSANT organiza a 32ª edição da Feira Empresarial recordamos que o Centro de Inovação Empresarial tem instaladas cerca de seis dezenas de empresas onde a Câmara de Santarém já investiu mais de meio milhão de euros.

A NERSANT foi, e ainda é, apesar da crise, a associação mais representativa da região independentemente do papel importante das associações mais pequenas de cada concelho ou sub-região. A história da associação tem 32 anos e fez-se durante a sua fundação a partir de Torres Novas onde se instalou por falta de condições políticas e associativas em Santarém. Nos últimos anos, principalmente no reinado de Ricardo Gonçalves, a NERSANT criou o mais importante pólo de empresas da região graças ao investimento da Câmara de Santarém e do seu executivo, onde não falta o cunho pessoal do presidente da câmara, que quis trazer para Santarém a associação dos empresários. Provavelmente o apoio aos empresários dá menos votos que o apoio a clubes desportivos e colectividades recreativas. E o apoio da Câmara de Santarém ao pólo tecnológico da NERSANT alimentava muitas associações em freguesias onde a actividade lúdica, e a cultura local, bem precisam de um maior empurrão dos subsídios da câmara. Mas é com as empresas que se faz a economia de um país; é com mais empresários instalados na cidade e na região que se cria emprego, gera riqueza, que se combate a desertificação do interior, incentivam os jovens a fixarem-se na sua terra e região de origem, com todas as vantagens que conhecemos mas temos subestimado. As filas para a vacinação no concelho de Sintra, o concelho mais populoso do país, são um bom exemplo comparado com o que acontece, por exemplo, em Almeirim, onde não há filas e mais de metade da população já está vacinada.

Os parques de negócios da região não deram ainda o resultado que se esperava na atracção de grandes empresas, que não sejam as de distribuição. O parque de negócios do Vale do Tejo (Valleypark), situado no concelho do Cartaxo e Santarém, continua embruxado. O parque de negócios de Rio Maior (Depomor) tem uma situação financeira muito complicada e o de Torres Novas (Geriparque) está na mesma situação embora a autarquia esteja a negociar com os principais accionistas mas sem resultados até ao momento. Faz sentido por isso que a Câmara de Santarém apoie a NERSANT na expansão destes ninhos de empresas assim como faz sentido que as câmaras de Torres Novas e Ourém sigam o mesmo exemplo. É certo que o obituário de empresas com apenas um e dois anos de actividade é muito grande e, às vezes, parece que toda a gente nasceu para empresário e as facilidades concedidas originam muitas vezes verdadeiros falhanços empresariais. Mas a actividade também tem os seus bandidos, mais as suas falhas sísmicas, que vão da falta de jeitinho até à falta de vergonha.

Numa altura em que a NERSANT organiza em Santarém a sua 32ª edição da Feira Empresarial, recordo que o Centro de Inovação Empresarial de Santarém tem instaladas cerca de seis dezenas de empresas; só a Câmara de Santarém, para além da cedência do edifício, já lá investiu mais de meio milhão de euros. JAE.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

A realidade em “Odmira” mas também em Santarém

 

Em “Odmira” não se viu a nossa querida ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes. Viu-se, e leu-se, os dirigentes da CAP a berrarem contra o Governo e a tentarem à sua maneira separarem o trigo do joio com declarações que parecem de dirigentes da Bielorrússia

Esta semana mandei substituir os pneus de uma das minhas motas. Só fiz 18 mil quilómetros em cinco anos o que é uma ninharia para dois pneus que parecem de um carro de corrida. Há episódios da nossa vida que nos servem às mil maravilhas para o nosso trabalho. Por mais que tenhamos uma boa mota para cavalgarmos a estrada.... se não tivermos tempo os pneus ficam podres antes de ficarem sem rasto. Acho muito sinceramente que é isso que está a acontecer ao país. António Costa desapareceu do Governo e dos grandes projectos do seu mandato. A reforma administrativa vai continuar por fazer; os condes e os marqueses que mandam nos ministérios vão continuar a mandar; os Gameiros desta vida vão continuar a sua aventura de caciques do regime e, quem sabe, um dia acabem ministros ou presidentes de um grande clube desportivo, o que para eles tanto faz a confiar no exemplo de Luís Filipe Vieira que é um homem acima da lei como sempre foi Pinto da Costa.

Em “Odmira”, para citar Santana Maia Leonardo em artigo de opinião neste jornal, não se viu a nossa querida ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes. Viu-se, e leu-se, os dirigentes da CAP a berrarem contra o Governo e a tentarem à sua maneira separarem o trigo do joio com declarações que parecem de dirigentes da Bielorrússia: “quem dá emprego não tem que saber onde dormem os seus empregados”; mais ainda; “alguns trabalhadores dormem em contentores onde apetece passar férias”; declarações irresponsáveis, de gente sem vergonha, que fala segundo manuais maoistas, que fogem à realidade que se passa em “Odmira” mas também em Santarém.

Em “Odmira” como em Santarém isto só acaba quando António Costa começar a exercer o poder e mandar fiscalizar no terreno os empresários agrícolas e os outros que eles contratam para os trabalhadores terem uma cama nem que seja numa capoeira.

Em Portugal não há fiscalização para nada, nem sequer para uma área onde todos nós estamos entregues aos desígnios da sorte. Alguém se lembra dos abusos fitossanitários nas várias culturas de produtos agrícolas que semanas depois chegam aos supermercados? Quem é que confia em agricultores que produzem com mão-de-obra escrava? Eu não. Sei que um frango produz-se em cativeiro durante 28 dias e vejo como as plantas e os frutos crescem e amadurecem de um dia para o outro como se tivessem a mão de Deus a ajudá-los. Só quem não vive neste mundo e não se questiona é que confia nesta gente. Quem é que fiscaliza as suiniculturas que começam a ocupar o território ribatejano e que vêm na sua grande maioria da zona Oeste?

Em Portugal não há fiscalização, mas, pior que isso, não há consciência cívica. Os Gameiros desta vida tomam conta do país que António Costa governa mais os seus camaradas socialistas rendidos aos dourados das paredes dos seus gabinetes de trabalho. JAE.