quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

O jornalismo como arma de arremesso

Maria Flor Pedroso, a última vítima dos snipers do jornalismo de opinião, pôs-se a jeito e acabou de provar do milho envenenado que é prática corrente distribuírem nos galinheiros onde ela também habita.


“A arrogância fica bem aos perus”. Cito do livro de Mário de Carvalho, com o título “Quem disse o contrário é porque tem razão”, talvez um dos livros deste autor que vai ficar como referência para os vindouros que, quando ele morrer, vão descobrir uma grande Obra literária. Mário de Carvalho tem um escritório de advocacia, num prédio numa rua de Lisboa, profissão que exerceu até há bem pouco tempo, mas também tem a sua casa de fim-de-semana em Salvaterra de Magos onde lê os jornais e escreveu alguns dos seus melhores livros.
Lembrei-me dele várias vezes nos últimos tempos por causa da guerra que vai por aí entre jornalistas encartados que têm empregos na Agência LUSA, na RTP/RDP e na generalidade dos Media que vivem cada vez mais da opinião e cada vez menos das notícias. O Estado gasta com a Agência LUSA, e com a RTP/RDP, o que nem o Diabo quer saber; tudo para que alguém faça a agenda completa de uma centena de governantes, que reduzem os problemas do país a declarações pueris, feitas em viagens pelo país desertificado, sem políticas para a floresta, a agricultura e o mais que se sabe.
Quanto mais a crise da Imprensa se vai acentuando mais os jornalistas e os comentadores das televisões se descompõem e escrutinam o trabalho uns dos outros sobre questões que só servem para destilar veneno e raivinhas caseiras. O jornalismo está em crise mas os jornalistas que têm o poder de falar para grandes audiências fazem lembrar os Sousa Laras desta vida. Maria Flor Pedroso, a última vítima dos snipers do jornalismo de opinião, pôs-se a jeito e acabou de provar do milho envenenado que é prática corrente distribuírem nos galinheiros onde ela também habita.
Mário de Carvalho diz no livro citado que o episódio da investidura de D. Quixote contra os moinhos de vento só dura uma página do livro que é composto por cerca de setecentas. Todos os jornalistas das LUSAs e RTP/RDP’s desta vida se acham como Miguel de Cervantes, que numa só página conseguiu criar um episódio que marca todo o livro.  Eles também, quando chegam às redacções destas máquinas de Poder, acham-se à prova de bala, até que um dia percebem que podem cair redondinhos só com o silvo de uma baioneta, que os comentadores encartados usam até partirem o cabo, principalmente nestes tempos de crise. JAE

Nota: Leiam, por favor, a história que contamos nesta edição da escritora Ana Cristina Silva que foi vítima de atropelamento. Este é o país onde as seguradoras, os bancos e os burocratas, que são protegidos pelos governantes, mandam mais que qualquer primeiro-ministro. 

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