Portugal não tem uma política para a floresta e a que tem é desastrosa. O que está a acontecer com o negócio da cortiça e os roubos é de bradar aos céus.
O MIRANTE está a publicar até Setembro um extenso dossier sobre a floresta portuguesa, a eucaliptização e a problemática dos fogos. Pela primeira vez assumimos um trabalho editorial que ultrapassa a nossa área de influência. Nesta edição publicamos uma notícia sobre a venda da cortiça da Companhia das Lezírias que dá que pensar, e, por mais incrível que pareça, ultrapassa todos os problemas da nossa floresta que ao longo dos últimos dois meses temos esmiuçado com autarcas e várias autoridades. A baixa de preços de que se queixa a Companhia das Lezírias é quase a falência da gestão da floresta, e merece da parte do Governo uma atenção especial que não tem sido dada na generalidade à floresta no seu todo. Para complementar, esta semana publicamos na edição online uma entrevista com o presidente da Câmara do Gavião, que diz que os roubos de cortiça são uma tragédia para o montado de sobro, porque a forma como os gatunos fazem a extracção mata os sobreiros. E quando os gatunos são apanhados em flagrante, o que é raro, “as molduras penais são brandas”, o que nos leva a tirar a seguinte conclusão: ainda é possível neste país de incendiários e ladrões de cortiça salvar alguma coisa sem andarmos acompanhados com agentes da GNR, como é o caso dos deputados e governantes deste nosso torrãozinho de terra?
A edição impressa de jornais está para o serviço público como o regime democrático está para a prática de políticas de ajuda aos mais desfavorecidos. Serve a nota para dar conta que o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) está a servir a uma Máfia para cobrar verbas avultadas a todas as pessoas que têm pedidos pendentes nesta instituição. A empresa editora de O MIRANTE também entra nesta novela porque recebeu exactamente o mesmo ofício que está a ser enviado às pessoas e entidades com pedidos de registo em análise ou em situação de deferimento. Os responsáveis avisam no sítio da INPI que devemos ter cuidado e que o correio que recebemos é falso. Mas quem é que pede um registo no sítio da INPI e depois vai lá saber notícias sobre a actividade do organismo? E sabendo que há vítimas, os responsáveis não têm a obrigação de avisar directamente todos os que têm pedidos pendentes em vez de desafiarem os utentes a recorrerem à Polícia Judiciária, quando são eles que o deveriam fazer usando toda a informação que já têm em seu poder? Os ladrões usam um IBAN de uma conta bancária na Polónia, país que pertence à União Europeia desde 2004. Não é estranho as polícias não se entenderem no ataque à bandidagem?
Trago aqui este exemplo porque acredito que muita gente caiu no engano. Estou habituado a receber diariamente emails falsos e cairia neste logro se não tivesse assessoria à altura. A imagem que ilustra este texto é significativa do engenho dos pedidos fraudulentos de pagamento de taxas em nome do INPI. O Governo português e os seus organismos têm obrigação de usar a comunicação social para alertar a população. E comunicar pagando é uma forma de contribuir para uma democracia mais forte e musculada como se pode provar nos países mais desenvolvidos da Europa, como é o caso da vizinha Espanha. No dia em que recebi este correio manhoso recebi também a informação de que o Governo da Catalunha fez um investimento recorde de publicidade nas empresas de comunicação que chegou aos 50 milhões de euros, quase 9% mais do que no ano transacto. O valor gasto pelo Governo regional está muito perto do total gasto pelo Governo do país que terá gasto na ordem dos 88 milhões de euros, ou seja, enquanto o governo catalão atinge os 6,2 euros por habitante, o governo nacional gastou apenas 1,8 euros. JAE.
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